Pesquisa Datafolha mostra que o mercado de criptomoedas deixou de ser promessa e virou realidade presente no Brasil, com crescimento acelerado em grupos historicamente excluídos de investimentos
Por Redação Crypto ID
Enquanto o mercado financeiro tradicional brasileiro ainda discute o papel das criptomoedas na poupança do futuro, a realidade dos números é muito mais prosaica: o investimento em criptoativos deixou de ser uma aposta especulativa de nerds da internet para virar a quinta forma de investimento mais popular do país.
Uma pesquisa Datafolha de maio deste ano, encomendada pela Coinbase, Hashdex e ABcripto, entrevistou 2 mil brasileiros em 137 municípios e chegou a um dado que encerra a discussão: 29 milhões de pessoas já investiram em cripto – mais do que a torcida de qualquer time de futebol, mais até do que o tamanho de populações inteiras de estados como Paraná ou Pernambuco.
Cripto não é futuro. Cripto é agora


O mercado que disparou em consolidação no último ano
Comparado aos dados de 2025, a proporção de brasileiros que já investiram em criptomoedas passou de 16% para 17,2% – uma oscilação dentro da margem de erro que parecia pequena até você entender o que mudou. Caderneta de poupança cresceu de 52% para 57,1%. Imóveis, que eram 31%, subiram para 34%. Mas o movimento mais brutal está nos fundos de investimento: saíram de 19% para 26,1% em um ano.
O mercado inteiro acordou.

E cripto acordou ao lado dele, ocupando exatamente a quinta posição. Acima dela, apenas poupança, imóveis, dinheiro em casa e fundos. Abaixo, títulos públicos (15,1%), dólar (14%), ouro (9,8%) e, finalmente, ações – aquele investimento que toda aula de finanças básica promete como o caminho para a riqueza. Ações ficaram com 7,4%. Cripto é 2,3 vezes maior.
Esse número importa mais do que parece. Significa que o Brasil tem mais investidores em cripto do que em bolsa de valores. Significa que cripto deixou de ser nicho. Significa que está mainstream.
A dimensão é ainda mais clara quando você olha para a demografia. Os dados apontam para um fenômeno que a indústria financeira tradicional nunca conseguiu de verdade: cripto está penetrando as camadas de renda mais baixa primeiro.
Cripto ganha espaço entre brasileiros de menor renda, mas desigualdade de gênero ainda marca o acesso aos investimentos
A faixa de renda em que mais pessoas investiram em criptomoedas é a de um a dois salários mínimos – 31,9% de respondentes. Em seguida, até um salário mínimo, com 31,6%. Depois sim vem três a cinco salários (11,8%), dois a três (14,2%), e só em último lugar, mais de cinco salários mínimos, com 10,6%.
Esses dados revelam uma característica importante do mercado brasileiro de criptomoedas: o investimento em ativos digitais não está restrito às faixas de renda mais altas. Ao contrário, as criptomoedas vêm alcançando públicos de diferentes perfis socioeconômicos, ampliando sua presença também entre brasileiros de menor renda.
Um dos fatores que ajudam a entender essa expansão é a facilidade de acesso. Segundo os dados apresentados, 83% dos brasileiros que investem em criptomoedas utilizam o aplicativo do próprio banco para realizar essas operações. Isso indica que, para uma parcela relevante dos investidores, o contato com criptoativos ocorre dentro de ambientes financeiros já conhecidos, sem a necessidade de recorrer diretamente a carteiras de autocustódia ou plataformas especializadas.
A pesquisa também evidencia uma diferença significativa entre homens e mulheres. Enquanto 74,6% dos homens afirmam conhecer moedas digitais, o percentual entre as mulheres é de 58,9%. A distância aumenta quando se observa quem efetivamente investe: 23,6% dos homens dizem possuir investimentos em criptomoedas, ante 11,3% das mulheres.
Os números mostram que, embora os criptoativos estejam ampliando seu alcance entre diferentes grupos da população, a participação feminina nesse mercado permanece proporcionalmente bem abaixo da masculina. A diferença levanta questões sobre acesso à informação, educação financeira, percepção de risco e outros fatores que podem influenciar a decisão de investir.
A educação sobre o mercado criptp
Entre 2025 e 2026, o conhecimento sobre criptomoedas cresceu em todos os níveis de escolaridade pesquisados, com avanço mais expressivo entre pessoas com ensino fundamental completo. Nesse grupo, o percentual passou de 25,9% para 38%. Entre aqueles com ensino médio, subiu de 65,4% para 76%, enquanto entre pessoas com ensino superior avançou de 84,1% para 89,7%.
Os números indicam que o conhecimento sobre cripto está se ampliando para além dos públicos com maior escolaridade, embora ainda existam diferenças importantes entre os grupos.
Essa expansão, no entanto, não significa necessariamente maior compreensão sobre o funcionamento desse mercado. Entre as pessoas que conhecem criptomoedas, 63% consideram que elas podem ser uma alternativa para diversificação de investimentos, enquanto 77% avaliam a tecnologia como muito complexa. Além disso, 42% afirmam não compreender o tema suficientemente para investir com segurança e convicção.
Os dados revelam, portanto, um desafio importante: o interesse e o conhecimento sobre a existência dos criptoativos avançam mais rapidamente do que a compreensão necessária para tomar decisões de investimento bem informadas. Isso reforça a importância da educação financeira e da oferta de informações claras sobre riscos, funcionamento e características desse mercado.
Percepção política dos investidores
Os dados mostram que o avanço das criptomoedas no Brasil também começa a se refletir na percepção política dos investidores. Entre os entrevistados que afirmam que votariam em um deputado especificamente por defender os “direitos de quem tem cripto”, os percentuais chegam a 22,3% entre aqueles classificados pela pesquisa como de extrema-direita e a 21,6% entre os de centro, acima da média geral de 15,5%.
A dimensão política ganha ainda mais relevância quando se observa o universo dos investidores. Segundo o levantamento, cerca de dois terços dos investidores em criptomoedas consideram importante que representantes políticos defendam questões relacionadas ao setor. Entre aqueles que utilizam autocustódia — ou seja, mantêm diretamente o controle das chaves de acesso aos seus criptoativos —, esse percentual chega a 89,6%.
Os resultados ajudam a mostrar que as criptomoedas deixaram de ser um tema restrito à tecnologia. À medida que sua adoção se amplia, o assunto passa a envolver também regulação, representação política, renda, acesso a serviços financeiros e educação financeira.
A pesquisa foi realizada em maio, com margem de erro de dois pontos percentuais, e seus resultados devem ser interpretados dentro desse período de coleta. Por isso, não é possível concluir, apenas a partir desse levantamento, como esses indicadores evoluíram nos meses seguintes. Ainda assim, os dados registrados naquele momento apontam para uma ampliação do conhecimento e da participação no mercado de criptoativos entre diferentes segmentos da população brasileira.
O Crypto ID acompanha esse movimento desde 2014, quando cripto era de verdade futuro. Hoje o Brasil tem 29 milhões de investidores cripto. Amanhã terá mais. E o desafio deixou de ser se cripto vai vingar. É como vinga quando não há estrutura de conhecimento, educação, proteção e regulação à altura.
GLOSSÁRIO
Criptomoedas: Ativos digitais baseados em criptografia, operados de forma descentralizada via blockchain. Exemplo: Bitcoin e Ethereum.
Autocustódia: Prática de armazenar criptomoedas em carteira digital própria, sem intermediários, responsabilizando o investidor pela segurança.
Blockchain: Tecnologia de registro distribuído que rastreia transações de forma imutável e descentralizada.
Diversificação: Estratégia de aplicar dinheiro em diferentes tipos de investimento para reduzir risco.
Corretora cripto: Plataforma centralizada que facilita compra e venda de criptomoedas, armazenando fundos em sua custódia.
ETF – Exchange Traded Fund: Fundo negociado em bolsa que permite investir em criptomoedas via mercado tradicional de ações.
Carteira digital: Software ou dispositivo que armazena chaves criptográficas e permite controlar criptomoedas.
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