Com a explosão de assistentes autônomos no Brasil, o compartilhamento indevido de credenciais digitais desafia as áreas de TI, Jurídica e RH no controle de fraudes e na busca pelo compliance
O avanço da Inteligência Artificial no Brasil criou “funcionários virtuais” que tomam decisões e se utilizam e movem arquivos críticos de forma independente. O risco surge quando as empresas concedem aos robôs credenciais e certificados digitais semelhantes aos dos colaboradores humanos.
Se a IA falhar ou for invadida, a responsabilidade jurídica e técnica recai sobre a organização. Para conter essa vulnerabilidade, a Redtrust, empresa especializada em gestão de certificados digitais e pertencente ao grupo da Keyfactor, alerta que esses acessos exigem o mesmo rigor de auditoria aplicado aos profissionais humanos.

De acordo com Daniel Rodríguez, diretor-geral da Redtrust, o risco mais imediato está no modelo atual de uso da IA, em que os sistemas ainda atuam com as credenciais dos próprios usuários.
“O que está acontecendo é que a IA usa nossas credenciais, executa ações em nosso nome e acessa informações com a nossa própria identidade digital”, explica. “Esse modelo pode servir agora, mas não é sustentável”, adverte.
A preocupação cresce à medida que a IA evolui de assistente para agente autônomo. “Quando dermos o salto do assistente para o agente, cada um terá que dispor de uma identidade própria, com permissões claramente definidas e uma governança que permita saber sempre quem está fazendo o quê”, completa Daniel.
Essa preocupação com o compliance é mundial. Segundo o Global Digital Trust Insights 2025 da PwC, 37% das organizações apontam a falta de políticas internas padronizadas para o uso de IA generativa como um dos principais desafios para incorporar a tecnologia à estratégia de resiliência cibernética.
No ambiente brasileiro, sob as sanções da LGPD e as regras do Banco Central, dar autonomia a robôs sem controle centralizado expõe o RH a problemas internos e o jurídico a litígios complexos sobre autoria de fraudes.
A urgência está em rastrear cada uma das ações realizadas pelos agentes digitais por algoritmos que interagem com órgãos governamentais e sistemas bancários. “Assim como hoje precisamos demonstrar quem assina um documento, amanhã teremos que demonstrar quem enviou um prompt a uma IA”, alerta.
De acordo com o executivo, não se trata de frear a IA, mas de garantir que a ‘caneta digital’ seja controlada de forma segura e criptoágil Para isso, defende que os agentes precisam operar em ambientes isolados e controlados.
“Os agentes de IA devem ser executados dentro de uma sandbox — ambiente virtual isolado e controlado —, onde a organização possa decidir exatamente quais recursos eles podem acessar”, pontua.
O objetivo da Redtrust é informar as áreas de tecnologia, compliance e RH a se blindar de efeitos colaterais nocivos que a inovação trazida pelos funcionários virtuais pode trazer para a segurança corporativa.
Ao delimitar com precisão o escopo e o acesso das identidades artificiais, as empresas conseguem proteger suas operações, inclusive de vazamentos de dados em massa.
“Teremos que saber quem deu a instrução, quem a modificou, qual agente a executou e sob a responsabilidade de quem atuou“, finaliza Daniel Rodríguez.
Sobre a Redtrust

A Redtrust, empresa do grupo Keyfactor, é a solução escolhida pelas empresas para gerenciar e controlar sua identidade digital. O armazenamento dos certificados digitais em um gestor especializado garante segurança, tanto ao autenticar-se para realizar trâmites online com outras entidades e organismos públicos, quanto para assinar digitalmente documentos e comunicações.
Mais de 1.500 empresas, nos mais diversos setores como financeiro, energético, agronegócio e construção, confiam na Redtrust para uma gestão centralizada de seus certificados digitais, com os mecanismos necessários de controle sobre seus usos e ciclo de vida. A proteção dos certificados é assegurada ao serem armazenados em um servidor cifrado, único e independente.
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