A identidade digital tornou-se o novo campo de batalha da cibersegurança
O Relatório RSA ID IQ 2026, que ouviu mais de 2.100 especialistas globais, mostra que as violações ligadas à identidade estão crescendo em frequência, gravidade e custo. Mas também revela um dado animador: o Brasil desponta como líder mundial na adoção de soluções passwordless, posicionando-se na vanguarda da proteção digital.
Os números apresentados no relatório não apenas confirmam a gravidade das violações de identidade, mas também revelam nuances importantes que ajudam a entender o cenário global e regional.
O peso das violações
Os números impressionam:
- 69% das organizações sofreram violações de identidade nos últimos três anos, um salto de 27 pontos em relação a 2025.
- 45% afirmaram que os custos foram superiores à média global, com perdas que chegam a US$ 10 milhões em muitos casos.
- 70% classificaram os impactos como graves, reforçando que a identidade é hoje o elo mais vulnerável da segurança corporativa.
O elo frágil do help desk
Ataques de engenharia social contra centrais de suporte estão entre os riscos mais temidos. Casos recentes em empresas globais, como MGM Resorts e Caesars Entertainment, mostram como criminosos conseguem burlar autenticações multifator explorando falhas humanas. O relatório alerta: sem métodos modernos de verificação, o help desk continuará sendo porta de entrada para violações devastadoras.
A persistência das senhas
Apesar dos avanços, 57% das organizações ainda usam senhas como principal forma de autenticação. Essa dependência está diretamente ligada ao aumento das violações. Países como o Japão mostram que é possível avançar: lá, 37% das empresas já utilizam autenticação sem senha em 80% dos casos, reduzindo significativamente os incidentes.
O Brasil na dianteira
Entre os países analisados, o Brasil se destaca pela ousadia em adotar soluções passwordless. Essa liderança não apenas reduz riscos, mas também posiciona o país como referência global em inovação de identidade digital. Em um cenário onde a confiança é diferencial competitivo, o Brasil mostra que investir em tecnologias modernas é caminho para resiliência e credibilidade.
O papel da inteligência artificial
Se por um lado há preocupação com o uso indevido da IA, por outro há otimismo: 91% das organizações planejam implementar IA em sua infraestrutura de segurança já no próximo ano. A tecnologia é vista como multiplicador de forças, capaz de automatizar decisões e antecipar ameaças.
Relatório RSA ID IQ 2026
Este complemento reúne dados adicionais que ficaram fora da análise principal, mas que enriquecem a compreensão sobre os riscos, práticas e tendências em cibersegurança.
Custos das violações
Além da frequência crescente, os custos das violações de identidade chamam atenção:
- 21% das organizações perderam entre US$ 5 e 10 milhões.
- 24% ultrapassaram US$ 10 milhões em prejuízos.
Esses valores são muito superiores ao custo médio global de uma violação de dados (US$ 4,44 milhões, segundo IBM 2025).
Violações por setor
Os setores mais atingidos foram:
- Automotivo (80%)
- Financeiro (72%)
- Energia e serviços públicos (71%)
- Tecnologia (71%)
Já o varejo (64%) e a manufatura (62%) tiveram índices menores, mas ainda significativos.
Zero Trust: percepção vs. realidade
Embora 57% das organizações afirmem estar em estágio “avançado” de Zero Trust, apenas 7% atingiram o nível ideal de maturidade definido pela CISA. A contradição entre percepção e prática mostra que muitas empresas superestimam sua resiliência.
Riscos emergentes
Além do phishing e dos ataques ao help desk, os especialistas destacaram:
- Ameaças internas (46%)
- TI paralela e aplicativos não autorizados (40%)
- Permissões excessivas (24%)
- Deepfakes e clones de voz (33%), que podem ser usados para enganar equipes de suporte.
Métodos de autenticação
A maioria ainda depende de métodos tradicionais:
- 58% usam senhas.
- 50% usam OTP (senhas de uso único).
- Apenas 36% adotam autenticação bidirecional.
- Apenas 25% utilizam soluções baseadas em risco.
Ambientes operacionais
- 75% das organizações operam em ambientes híbridos (nuvem + local).
- 15% apenas em nuvem.
- 9% apenas on-premises.
Essa diversidade aumenta a complexidade da proteção de identidade.
Passwordless: desafios e formatos
Os principais obstáculos para adoção são:
- Segurança (57%)
- Experiência do usuário (56%)
- Suporte limitado de plataformas legadas (52%)
Entre os formatos planejados para autenticação sem senha estão tokens de hardware (65%), biometria (56%), QR code (58%) e até soluções baseadas em voz (18%).
Monitoramento de riscos
Embora 80% monitorem identidades humanas e 71% de máquinas, muitas organizações não conseguem transformar dados em ações eficazes. Isso reforça a importância do ISPM (Identity Security Posture Management), apontado como prioridade por 26% dos entrevistados.
Inteligência Artificial
- 83% acreditam que a IA ajudará mais a segurança do que ao cibercrime.
- 91% planejam implementar IA em até um ano.
- 40% já priorizam IA ativa como principal capacidade de segurança.
Brasil em destaque
O relatório dedica uma seção especial ao Brasil, ressaltando que o país está na liderança global da adoção de autenticação sem senha. Essa posição mostra que, apesar de enfrentar taxas de violação semelhantes à média mundial, o Brasil está avançando mais rápido na modernização da segurança de identidade.
O recado do relatório é claro: proteger a identidade é proteger o negócio. As organizações que acelerarem a transição para o passwordless, fortalecerem seus help desks contra engenharia social e aplicarem princípios reais de Zero Trust estarão mais preparadas para enfrentar o futuro.
O Brasil já entendeu essa mensagem — e está mostrando ao mundo que segurança de identidade pode ser, sim, um diferencial estratégico.
Aqui no Crypto ID você encontra reunidos os melhores estudos e pesquisas sobre o universo da Segurança da Informação aplicada a diversas verticais de negócios. Acesse nossa coluna e conheça!
IAM: Segurança que vai além do acesso
O Crypto ID, referência editorial em tecnologia e segurança digital, mantém uma coluna especializada em IAM – Identity and Access Management (Gerenciamento de Identidade e Acesso). Mais do que apresentar soluções, nossa curadoria mergulha nas múltiplas vertentes dessa disciplina essencial — como IAG, PAM, CIAM, CIEM, MFA, SSO, RBAC, ABAC, entre outras variações que compõem o ecossistema de identidade digital.
Voltada para profissionais que estão estudando ou implementando essas estratégias, a coluna oferece uma visão técnica, confiável e abrangente, sempre alinhada às melhores práticas do mercado. O foco é claro: interoperabilidade, maturidade e adequação às necessidades reais de cada ambiente corporativo.
Nossa Coluna IAM é riquíssima em conteúdo e insights.
Escreva para o Crypto ID: contato@cryptoid.com.br
Inteligência Editorial que Orienta Cenários

Desde 2014, o Crypto ID oferece conteúdo editorial sobre tecnologia de segurança referente à requisitos técnicos e regulatórios. Levamos conhecimento e provocamos reflexões que sustentam decisões em transformação digital e cibersegurança. Temos a força do contexto que impulsiona a comunicação. Fale com a gente contato@cryptoid.com.br































