Relatório da Teachy aponta que avanço da IA pressiona escolas e universidades a repensarem modelos tradicionais de avaliação
O avanço da inteligência artificial entre estudantes está colocando em debate um dos pilares históricos da educação: a forma como o aprendizado é avaliado. Provas escritas, exercícios de casa e trabalhos individuais, utilizados há décadas para medir o desempenho escolar, começam a ser questionados diante da capacidade de ferramentas de IA de gerar textos, resolver exercícios e elaborar análises complexas em poucos segundos.
A discussão ganha força com a publicação do relatório “Tendências de uso de IA nas Escolas em 2026”, produzido pela Teachy, considerada a maior plataforma de inteligência artificial voltada para professores no mundo. O estudo aponta que o crescimento acelerado do uso de IA por estudantes está pressionando sistemas educacionais a repensarem completamente como medir o aprendizado.
De acordo com o levantamento, o modelo tradicional de avaliação — baseado em provas individuais, redações e exercícios padronizados — torna-se cada vez menos eficaz em um ambiente em que ferramentas generativas conseguem produzir respostas completas, personalizadas e em tempo real.
Especialistas ouvidos no relatório indicam que o debate educacional já não gira mais em torno de proibir ou permitir o uso da tecnologia nas tarefas escolares. A questão central passa a ser como adaptar métodos de avaliação para um cenário em que a inteligência artificial se torna parte do processo de aprendizagem.
Em diferentes países, escolas e universidades já começam a experimentar novos formatos de avaliação. Entre as alternativas estão provas orais, projetos práticos, atividades colaborativas, avaliações contínuas e análises críticas sobre o uso da própria IA como ferramenta pedagógica.
A proposta é deslocar o foco da simples resposta correta para a capacidade de argumentação, interpretação e aplicação do conhecimento em contextos reais.
Nesse novo modelo, as lições de casa também tendem a mudar de perfil. Em vez de atividades baseadas apenas na repetição de conteúdo, os exercícios passam a estimular habilidades mais complexas, como análise de informações, comparação de fontes e resolução de problemas. Mais do que avaliar apenas o resultado final, professores passam a observar como o aluno constrói seu raciocínio e utiliza diferentes ferramentas — incluindo a própria inteligência artificial — durante o processo.
O relatório também aponta possíveis impactos em exames de larga escala, como vestibulares e avaliações nacionais. Instituições educacionais já discutem modelos híbridos que combinam provas presenciais supervisionadas com projetos desenvolvidos ao longo do ano, entregas em etapas e métricas que acompanham a evolução do estudante ao longo do processo de aprendizagem.
Para Pedro Siciliano, fundador e CEO da Teachy, a transformação é inevitável. “A IA força a educação a priorizar o processo, o pensamento crítico e a capacidade de argumentação. Mais do que o resultado final, passa a importar como o estudante constrói a resposta e aplica o conhecimento em contextos reais”, afirma.
Segundo o estudo, a inteligência artificial não representa o fim das avaliações escolares, mas sim o fim de um modelo baseado apenas na memorização e na reprodução de conteúdo. A tendência é que, ao longo da próxima década, escolas passem a adotar sistemas de avaliação mais complexos, contínuos e orientados por competências.
Nesse cenário, especialistas destacam que o desafio das instituições educacionais não é competir com a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma consciente e pedagógica. Assim como calculadoras, computadores e a internet transformaram o ensino nas últimas décadas, a inteligência artificial tende a se consolidar como mais uma ferramenta de apoio ao processo educacional.
A conclusão do relatório é direta: a tecnologia deve servir ao ser humano, e não substituí-lo. Por isso, escolas e sistemas educacionais precisarão se atualizar para incorporar a inteligência artificial de forma responsável, garantindo que ela fortaleça o aprendizado, amplie o acesso ao conhecimento e preserve o papel central do professor no desenvolvimento dos estudantes.
Sobre a Teachy
A Teachy foi fundada em 2022 por Pedro Siciliano, ex-professor de Matemática e Física com MBA pela Universidade de Stanford, e por Fábio Baldissera, cofundador da PipeRun. A empresa desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial voltada para apoiar professores em todo o processo de ensino.
Presente em 39 países, disponível em 19 idiomas e utilizada por mais de 3 milhões de docentes, a Teachy impacta atualmente mais de 30 milhões de estudantes. A plataforma reúne mais de 60 ferramentas de IA pedagógica que auxiliam professores em atividades como planejamento de aulas, personalização de materiais, correção automática de provas e desenvolvimento de metodologias ativas de aprendizagem.
Em julho de 2023, a empresa recebeu um aporte pré-seed de R$ 8 milhões liderado pela NXTP, com participação da Roble Ventures. Em 2024, levantou uma rodada Série A de US$ 7 milhões liderada pela Goodwater Capital e Reach Capital para acelerar sua expansão internacional, especialmente na América Latina e na Ásia.
Acompanhe o melhor conteúdo sobre Inteligência Artificial publicado no Brasil.

Inteligência Editorial que Orienta Cenários

Desde 2014, o Crypto ID oferece conteúdo editorial sobre tecnologia de segurança referente à requisitos técnicos e regulatórios. Levamos conhecimento e provocamos reflexões que sustentam decisões em transformação digital e cibersegurança. Temos a força do contexto que impulsiona a comunicação. Fale com a gente contato@cryptoid.com.br































