Lançado em Davos, o Global Risks Report 2026 aponta a inteligência artificial, a fragmentação global e a fragilidade das cadeias digitais como riscos centrais para governos e empresas.
Em Davos 2026, a cibersegurança deixou definitivamente de ser tratada como um tema técnico restrito às áreas de TI. No centro das discussões do 56º Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial, o Global Risks Report 2026 reposiciona a segurança digital como um ativo estratégico de soberania nacional, estabilidade econômica e confiança institucional.
O relatório é claro: em um mundo marcado por tensões geopolíticas, rivalidades tecnológicas e assimetrias profundas de capacidade digital, o ciberespaço tornou-se um novo campo de disputa entre Estados, empresas e grupos criminosos altamente organizados. A combinação entre inteligência artificial, interconexão extrema e dependência de cadeias digitais globais elevou o risco sistêmico a um novo patamar.
Essa leitura converge com o que o Crypto ID vem analisando desde o início de Davos 2026, especialmente ao destacar o papel da infraestrutura pública digital baseada em confiança, interoperabilidade e governança, defendida pelo Brasil no Fórum. A mensagem é inequívoca: sem segurança e identidade digital robustas, não há economia digital sustentável.
IA acelera a corrida armamentista cibernética
Segundo o Global Risks Report 2026, 94% dos executivos acreditam que a inteligência artificial será o principal motor de transformação da cibersegurança nos próximos anos. O desafio é que essa transformação ocorre em duas direções opostas. A mesma IA que fortalece a detecção de intrusões, fraudes e phishing também está sendo usada para sofisticar ataques, automatizar golpes e ampliar campanhas de desinformação.
O dado mais sensível do relatório revela o tamanho do dilema: 87% dos entrevistados apontam vulnerabilidades relacionadas à IA como o risco cibernético de crescimento mais rápido em 2026. Não por acaso, cresce o número de organizações que passaram a avaliar a segurança das próprias ferramentas de IA — movimento que saltou de 37% em 2025 para 64% neste ano.
Em Davos, o consenso é que a inovação não pode avançar dissociada de governança, transparência e supervisão humana. A automação amplia capacidades, mas não elimina o risco — apenas o desloca.
Geopolítica redefine estratégias de segurança digital
Outro eixo central do relatório é o impacto direto da geopolítica nas estratégias de cibersegurança. Dois terços das organizações globais afirmam ter ajustado seus planos de mitigação de risco devido a tensões internacionais, conflitos regionais e disputas por liderança tecnológica.
O relatório cita ataques a infraestruturas críticas como exemplos concretos dessa nova realidade, mostrando como eventos locais podem gerar efeitos globais, afetando cadeias de suprimentos, sistemas financeiros e serviços essenciais. A confiança na capacidade de resposta nacional a incidentes cibernéticos graves é baixa: apenas 31% dos entrevistados dizem confiar plenamente em seus governos.
Esse cenário reforça um dos principais alertas de Davos 2026: a fragmentação global enfraquece a segurança coletiva. Em um ecossistema digital interdependente, nenhum país ou empresa consegue se proteger sozinho.
Fraude supera ransomware na agenda dos CEOs
Embora o ransomware continue sendo a principal preocupação dos CISOs, o Global Risks Report 2026 mostra uma mudança importante na visão dos CEOs. A fraude cibernética passou a ser percebida como o risco mais crítico, principalmente pelos impactos financeiros diretos, danos reputacionais e riscos jurídicos.
Em 2025, 73% das organizações relataram ter sido afetadas por algum tipo de fraude digital, com o phishing liderando como vetor de ataque. A fraude deixa de ser um problema operacional e passa a ser tratada como risco sistêmico, exigindo coordenação entre empresas, governos e instituições internacionais — movimento que já se reflete na organização da Cúpula Global contra Fraude, prevista para março de 2026.
Cadeias digitais: eficiência com fragilidade embutida
A hiperconectividade global trouxe ganhos de escala e eficiência, mas também expôs um ponto crítico: as cadeias de suprimentos digitais se tornaram o elo mais frágil da segurança global. Para 65% das grandes empresas, vulnerabilidades de terceiros representam hoje o maior desafio cibernético.
Falta visibilidade, sobram dependências herdadas e cresce o risco de ataques indiretos, nos quais organizações altamente protegidas são comprometidas por parceiros menores e menos maduros. O relatório reforça que resiliência cibernética não é um atributo individual, mas coletivo.
Desigualdade cibernética amplia riscos sistêmicos
Um dos alertas mais contundentes do Global Risks Report 2026 é a desigualdade na capacidade de defesa cibernética entre regiões, setores e tamanhos de organização. Mais da metade dos CEOs fora da Europa e da América do Norte relatam escassez crítica de talentos em cibersegurança — índice que chega a 70% na África Subsaariana.
ONGs, pequenas empresas e o setor público aparecem como os mais vulneráveis. Enquanto apenas 11% das empresas privadas relatam níveis insuficientes de resiliência, esse percentual sobe para 23% no setor público e 37% nas ONGs. O efeito colateral é claro: adversários exploram os elos mais fracos para atingir ecossistemas inteiros.
O fator humano segue central
Apesar da expansão da IA, o relatório reforça que a expertise humana continua insubstituível. O papel dos profissionais de cibersegurança evolui: menos operação manual, mais supervisão estratégica, governança, ética e tomada de decisão.
Essa visão dialoga com o Future of Jobs Report do WEF, que posiciona redes e cibersegurança entre as habilidades que mais crescerão até 2030, ao lado de IA e big data. A escassez de talentos, portanto, não é apenas um problema técnico — é um desafio econômico e social.
Cibersegurança como política econômica
O Global Risks Report 2026 conclui com um recado direto aos líderes reunidos em Davos: cibersegurança é política econômica e questão de soberania. Um ataque relevante pode gerar prejuízos médios de £195 mil por empresa, com impactos nacionais que chegam a bilhões.
Casos recentes de apoio governamental a empresas afetadas por ataques cibernéticos mostram que a fronteira entre setor público e privado está cada vez mais tênue. A gestão do risco cibernético tornou-se uma responsabilidade compartilhada.
Em um mundo marcado por IA acelerada, fragmentação geopolítica e dependência digital crescente, Davos 2026 deixa uma mensagem clara: confiança, cooperação e interoperabilidade não são escolhas — são pré-requisitos para o futuro digital. Para o Crypto ID, que acompanha essa agenda a partir da criptografia, da identificação digital e da infraestrutura de confiança, o desafio está posto: sem segurança, não há inovação; sem cooperação, não há resiliência.
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