Executivo da Diebold Nixdorf explica por que a modernização contínua se tornou estratégica para acompanhar a inovação no setor
Poucos mercados financeiros evoluíram tão rapidamente quanto o brasileiro. A incorporação de novas formas de pagamento, a consolidação do Open Finance e a adaptação às mudanças regulatórias e ao comportamento dos consumidores transformaram o Brasil em uma referência global em inovação financeira.
Esse protagonismo, no entanto, trouxe um novo desafio.

Para Elias Rogério da Silva, Vice-Presidente da Diebold Nixdorf para a América Latina, a competitividade das instituições financeiras não depende apenas do lançamento de serviços, mas também da capacidade de incorporá-los à operação com rapidez, eficiência e segurança, sem ampliar a complexidade tecnológica.
No artigo “Infraestrutura flexível para a próxima geração dos serviços financeiros”, publicado recentemente, Elias chama a atenção para uma mudança importante: a infraestrutura tecnológica deixou de ser apenas a base responsável pela disponibilidade, estabilidade e continuidade das operações e passou a influenciar diretamente a capacidade de inovação das instituições.
Não basta adotar uma nova solução. O ambiente tecnológico precisa estar preparado para absorvê-la na velocidade exigida pelo mercado e permitir que ela gere os resultados esperados.
Modernização precisa acompanhar o ritmo do mercado
Essa nova realidade também modifica a forma como os projetos de modernização devem ser conduzidos. Em vez de concentrar esforços em grandes transformações realizadas em longos ciclos de renovação, as instituições precisam desenvolver uma infraestrutura preparada para evoluir continuamente.
Mais do que substituir tecnologias, o desafio é construir uma arquitetura capaz de incorporar novas capacidades à medida que as demandas do negócio mudam, mantendo os elevados níveis de disponibilidade, segurança e eficiência exigidos pelo setor financeiro.
A necessidade dessa abordagem torna-se mais evidente quando se observa que parte significativa da infraestrutura bancária foi concebida para uma realidade muito diferente da atual.
Muitos ambientes foram implementados antes da consolidação de múltiplos meios de pagamento e canais de atendimento, da intensificação das exigências regulatórias e da crescente sofisticação das ameaças cibernéticas. Ao mesmo tempo, os consumidores passaram a esperar experiências fluidas, integradas e sempre disponíveis, independentemente do canal utilizado.
Sistemas legados aumentam a complexidade
Os sistemas legados estão entre os principais obstáculos à evolução do setor. Eles exigem mais esforço para a implementação de mudanças, prolongam os ciclos de atualização e dificultam a integração com novas aplicações e parceiros.
Como consequência, uma parcela significativa dos investimentos continua direcionada à sustentação da infraestrutura existente. Esses recursos poderiam impulsionar iniciativas de inovação, enquanto a dificuldade de adaptação torna mais lenta a capacidade de resposta das instituições.
Esse impacto não se limita à eficiência operacional. Quanto maior o tempo necessário para adaptar a infraestrutura, maior a dificuldade para responder às novas exigências regulatórias, incorporar tecnologias emergentes e evoluir o portfólio de serviços.
Em um setor no qual a velocidade influencia diretamente o sucesso, o custo da complexidade tecnológica afeta a capacidade de crescimento, diferenciação e competitividade.
Modernizar não significa substituir tudo de uma vez
Para Elias, modernizar a infraestrutura não significa substituir todo o ambiente existente em um único projeto. O caminho mais consistente é estabelecer uma estratégia contínua de evolução, priorizando os ambientes que geram maior impacto para o negócio.
Essa abordagem permite reduzir riscos de implementação, preservar a continuidade operacional, distribuir os investimentos com mais eficiência e acelerar a incorporação de novas capacidades.
A estratégia deverá ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. A expansão da Inteligência Artificial, da identidade digital e dos ecossistemas financeiros continuará acelerando o ritmo de evolução do setor e exigirá que as instituições incorporem novas capacidades com frequência crescente.
O desafio será garantir que cada inovação não provoque um aumento proporcional da complexidade tecnológica.
Em um sistema financeiro que já demonstrou sua capacidade de inovar, o próximo diferencial competitivo estará menos na criação de serviços e mais na capacidade de sustentá-los ao longo do tempo.
A modernização, portanto, deixa de ser apenas uma decisão tecnológica. Ela passa a ser uma escolha estratégica para instituições que desejam transformar inovação em resultado, responder com agilidade às mudanças do mercado e crescer de forma sustentável.
Uma visão que Elias Rogério da Silva já havia compartilhado com o Crypto ID
A análise apresentada no artigo aprofunda uma visão que Elias Rogério da Silva já havia compartilhado com o Crypto ID. Em entrevista realizada em abril de 2026, o executivo explicou que a evolução da automação bancária não poderia mais ser pensada apenas a partir de equipamentos ou de iniciativas pontuais, mas por meio de soluções completas capazes de conectar canais, dados e operação.
“Hoje, não estamos falando apenas de equipamentos ou automação pontual, mas de soluções completas que conectam canais, dados e operação,” Elias Rogério da Silva.
Na ocasião, Elias também falou sobre a mudança de foco no setor financeiro. Segundo ele, antes a atenção estava concentrada na automação de processos, na redução de filas e na diminuição de custos. Agora, o foco está na orquestração de jornadas completas.
Nesse modelo, o cliente pode iniciar uma interação no ambiente digital, continuar em um caixa eletrônico e, quando necessário, migrar para um atendimento assistido, tudo de forma integrada.
O executivo também destacou o movimento global de continuidade da modernização da infraestrutura bancária, acompanhado pelo crescimento da demanda por software, analytics, serviços gerenciados e hardware. Segundo Elias, a atualização constante das tecnologias é necessária para manter as instituições alinhadas às novas demandas dos negócios e às mudanças regulatórias.
Portanto um dos pontos mais valiosos sobre o que ele nos disse é que a modernização da infraestrutura não deve ser tratada como um projeto isolado, mas como um processo contínuo, capaz de acompanhar a evolução dos serviços financeiros.
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