Colapso no sistema automatizado de triagem do aeroporto mais movimentado da Escandinávia afeta voos intercontinentais, gera perdas econômicas e reacende o debate sobre rastreabilidade e confiança operacional no turismo global
Uma falha técnica no sistema automatizado de bagagens do Aeroporto de Copenhague (CPH) fez com que dezenas de passageiros da companhia TUI ficassem retidos em Phuket, na Tailândia, sem seus pertences. A TUI é uma empresa alemã de turismo que controla diversas companhias aéreas, entre elas a TUI Airways, reconhecida como uma das maiores operadoras charter do mundo.
O incidente ocorreu em plena alta temporada de inverno europeu e ultrapassa o campo operacional, expondo vulnerabilidades estruturais em um dos principais hubs da Europa e gerando impactos diretos na confiança do turismo internacional.
O problema teve origem em uma falha crítica nas máquinas automatizadas de triagem de bagagens do aeroporto, obrigando a adoção imediata de processamento manual em todos os terminais. Como consequência, cerca de 60 malas despachadas em um voo da TUI com destino a Phuket permaneceram na Dinamarca, enquanto os passageiros chegaram ao Sudeste Asiático sem roupas, medicamentos e itens essenciais. Voos de longa distância, especialmente aqueles com origem fora do Espaço Schengen, foram os mais afetados, já que o processamento manual reduziu drasticamente a capacidade operacional do aeroporto, criando gargalos semelhantes aos registrados em crises anteriores em Schiphol e Heathrow.
No Aeroporto Internacional de Phuket, passageiros enfrentaram longas filas para registrar o extravio de bagagens por meio da plataforma WorldTracer. Famílias suecas e de outros países nórdicos, entre mais de duzentas pessoas afetadas, foram forçadas a realizar compras emergenciais, gastando entre duzentos e trezentos euros por grupo em itens básicos. Hotéis da região passaram a oferecer produtos de higiene pessoal gratuitos, enquanto resorts e estabelecimentos turísticos registraram queda no consumo devido à chegada desorganizada dos visitantes. Em um destino altamente dependente da experiência inicial do turista, o impacto reputacional se espalhou rapidamente pelas redes sociais e plataformas de avaliação.
A crise evidenciou um ponto sensível para o setor de viagens: a dependência crescente de sistemas automatizados sem redundância suficiente e com visibilidade limitada em tempo real. Em um cenário no qual rastreabilidade, identidade operacional e confiança são ativos estratégicos, a incapacidade de acompanhar o fluxo de bagagens de ponta a ponta compromete toda a cadeia do turismo. A viralização da hashtag #CPHBaggageFail ampliou o alcance do problema, com milhões de visualizações em poucas horas, pressionando a TUI e o aeroporto por respostas rápidas e transparentes.
A TUI confirmou o incidente e ativou seus protocolos operacionais padrão, comprometendo-se a reembolsar despesas com itens essenciais conforme os limites das apólices de seguro e a coordenar a recuperação das bagagens com operadores logísticos. A empresa prometeu a entrega das malas em até 48 horas nos hotéis de destino, com prioridade para famílias. Ainda assim, estimativas do setor apontam perdas diárias entre dois e três milhões de euros durante o período de operação manual, além de danos reputacionais e cancelamentos de reservas futuras.
O episódio atual se soma a um histórico de falhas recorrentes no Aeroporto de Copenhague. Em 2018, uma paralisação semelhante gerou prejuízos estimados em cinquenta milhões de euros. No verão de 2023, outro colapso operacional deixou cerca de cem mil malas retidas. Embora o sistema automatizado do CPH tenha sido considerado um dos mais avançados da Europa quando implantado, integrações de TI obsoletas, sobrecarga de capacidade e condições climáticas extremas têm revelado limitações estruturais em um aeroporto que movimenta aproximadamente trinta milhões de passageiros por ano.
Diante da crise, o aeroporto acelerou um projeto de modernização avaliado em quinhentos milhões de euros, com conclusão prevista para 2028. A iniciativa prevê novos sistemas de triagem, uso intensivo de inteligência artificial e maior capacidade de rastreamento operacional. Paralelamente, agências de turismo nórdicas já avaliam rotas alternativas via Estocolmo Arlanda, Londres Heathrow ou Amsterdã Schiphol, buscando maior confiabilidade para voos de longa distância.
Mais do que uma falha mecânica, o colapso do sistema de bagagens do Aeroporto de Copenhague expõe riscos profundos relacionados à governança digital em infraestruturas críticas. A gestão de acessos em áreas restritas, como túneis de triagem e centros de manuseio de bagagem, exige modelos de Zero Trust, com autenticação forte, segregação de funções e monitoramento contínuo de usuários e dispositivos. Tecnologias como biometria para controle de pessoal, IoT para rastreamento de bagagens em tempo real e inteligência artificial para detecção de anomalias operacionais deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos mínimos de resiliência.
O episódio também reacende o debate sobre segurança da informação e continuidade de negócios. Sistemas aeroportuários dependem de arquiteturas altamente integradas, nas quais falhas de software, energia ou conectividade podem comprometer operações globais. Estratégias robustas de backup, redundância, recuperação de desastres e isolamento de sistemas críticos são essenciais para evitar paralisações em cascata e garantir a integridade dos dados operacionais.
No contexto da identidade digital, a rastreabilidade precisa ser tratada como um ativo estratégico. Saber quem acessa, o que é acessado, quando, onde e com qual finalidade é tão importante quanto rastrear a bagagem em si. A convergência entre identidade, segurança cibernética e operações físicas será determinante para restaurar e manter a confiança de passageiros, companhias aéreas e destinos turísticos.
O caso de Copenhague deixa uma mensagem clara para o setor global: a modernização da infraestrutura aeroportuária não pode se limitar à automação física. Sem uma base sólida de segurança da informação, gestão de identidades, controle de acesso e sistemas resilientes de backup, qualquer hub permanece vulnerável. Em um mundo hiperconectado, confiança se constrói com dados protegidos, identidades bem gerenciadas e operações capazes de resistir a falhas sem comprometer a experiência do viajante.
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