O 56º encontro anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) começou hoje em Davos – Klosters, Suíça, reunindo líderes políticos, empresariais e sociedade civil para discutir os desafios mais prementes de nossa era.
O tema desta edição, “A Spirit of Dialogue”, reflete a necessidade de cooperação em meio a um mundo marcado por competição geoeconômica, transformação tecnológica acelerada e riscos sistêmicos que exigem respostas coletivas e inovadoras.
Embora o foco central do encontro abarque temas amplos como geoeconomia, sustentabilidade e governança internacional, neste espaço do Crypto ID o olhar é direcionado a como tecnologias ligadas à identificação digital, sigilo, cibersegurança e gestão de identidades estão moldando a nova infraestrutura de confiança global, especialmente diante de riscos emergentes como fraudes cibernéticas impulsionadas por inteligência artificial e a crescente demanda por sistemas confiáveis de autenticação e proteção de dados.
Relatórios apresentados nas semanas que antecedem o Fórum já indicam que ameaças digitais, vulnerabilidades de IA e a necessidade de cooperação ampliada entre estados e organizações são prioridades na agenda de Davos 2026 — temas que se entrelaçam diretamente com a construção de um ambiente digital resiliente e de confiança para indivíduos, empresas e governos.
O Global Risks Report 2026 — Diagnóstico dos Riscos que Moldam o Contexto de Davos

O Global Risks Report 2026 é a 21ª edição do relatório anual do Fórum Econômico Mundial, publicado pouco antes da abertura do Fórum em Davos e concebido para ajudar líderes globais a equilibrar crises imediatas com prioridades de médio e longo prazo.
A principal fonte do relatório é a Global Risks Perception Survey (GRPS), que reúne as percepções de mais de 1.300 especialistas em governo, empresas, academia, organizações internacionais e sociedade civil sobre os riscos mais críticos que o mundo enfrenta nos horizontes de curto (2026), curto a médio (até 2028) e longo prazo (até 2036) — fornecendo uma fotografia prospectiva dos perigos que moldam decisões estratégicas globais.
O relatório identifica a incerteza como o tema definidor do cenário global de riscos em 2026.
Metade dos especialistas entrevistados enxerga um futuro próximo marcado por turbulência ou condições “tempestuosas”, e esse sentimento se intensifica ao se olhar dez anos adiante, quando 57% dos respondentes antecipam uma conjuntura igualmente negativa ou instável. Isso evidencia uma crescente preocupação com interconectividade de riscos, velocidade de propagação e uma confiança internacional em declínio.
Um dos achados mais importantes da pesquisa é que a confrontação geoeconômica — rivalidades econômicas entre grandes potências usando sanções, tarifas, restrições de investimentos e controle de cadeias de suprimentos — aparece como o principal risco no curto prazo e como a ameaça mais suscetível de desencadear uma crise global em 2026. Essa categoria de risco saltou várias posições em relação aos relatórios anteriores, destacando como a competição econômica entre países substitui gradualmente conflitos tradicionais como ameaça sistêmica imediata.
No plano econômico mais amplo, riscos como recessão, inflação e estouros de bolhas de ativos também surgem com maior intensidade, refletindo volatilidade financeira e desafios macroeconômicos agravados por tensões geoeconômicas e altos níveis de dívida global. Esses fatores, em conjunto, podem desestabilizar mercados, reduzir crescimento e aumentar fragilidades estruturais nas economias domésticas.
Do ponto de vista tecnológico, o relatório assinala que novas inovações trazem oportunidades expressivas para áreas como saúde, educação e infraestrutura, mas também geram riscos crescentes em domínios como integridade da informação, mercados de trabalho e segurança. Misinformation e disinformation (desinformação) estão entre os riscos de maior relevância no horizonte de dois anos, enquanto resultados adversos da inteligência artificial sobem drasticamente no ranking quando analisados em um horizonte de 10 anos, posicionando-se entre os cinco riscos de maior crescimento no longo prazo. Essa evolução reflete preocupações em torno da governança da IA, seu impacto social, ético e de segurança global.
O relatório também destaca que a polarização social e a desinformação estão interligadas, alimentando divisões internas que ampliam vulnerabilidades institucionais e corroem a confiança pública em processos decisórios e mecanismos de governança. Inequalidades socioeconômicas, por sua vez, aparecem como um dos riscos mais interconectados, influenciando e sendo influenciadas por fatores econômicos, tecnológicos e políticos, gerando um ciclo de instabilidade estrutural.
Sob a perspectiva ambiental, embora muitos dos riscos ambientais tenham perdido posições no ranking de curto prazo — como eventos climáticos extremos e perda de biodiversidade — eles permanecem como preocupações centrais no longo prazo, sendo frequentemente classificados entre os riscos mais severos quando a análise se projeta para uma década adiante. Isso evidencia um dilema comum nos estudos de risco global: preocupações imediatas frequentemente ofuscam ameaças de maior impacto estrutural no futuro, como mudanças climáticas e problemas ecológicos sistêmicos.
Por fim, o relatório ressalta que a ordem global está se transformando em um ambiente competitivo e fragmentado, com mecanismos multilateralistas sob pressão, cooperação internacional em risco e uma tendência crescente de prioridades nacionais se sobrepondo a esforços coletivos para enfrentar desafios transnacionais. Essa nova dinâmica influencia diretamente debates nas esferas política, econômica e tecnológica em Davos e reforça a necessidade de respostas colaborativas articuladas para mitigar riscos que atravessam fronteiras e setores.
Este diagnóstico multifacetado de riscos fornece um pano de fundo crucial para as discussões do Fórum Econômico Mundial em Davos 2026, orientando líderes globais sobre onde concentrar esforços e como alinhar estratégias de curto e longo prazo diante de um mundo cada vez mais complexo e interconectado.
A Inteligência Artificial no Centro do Debate
A inteligência artificial (IA) ocupa um espaço central na agenda de Davos 2026, tanto nas discussões sobre oportunidades quanto sobre riscos. Executivos e especialistas alertam que a IA pode intensificar vulnerabilidades em cibersegurança enquanto potencia capacidades defensivas e ofensivas, ao mesmo tempo em que levanta questões éticas sobre uso responsável e impacto em mercados de trabalho e direitos civis.
Dentro desse contexto, as sessões dedicadas à IA enfatizam a necessidade de governança ética, padrões internacionais e colaboração multissetorial para garantir que a tecnologia seja um vetor de crescimento sustentável e não um fator de exclusão ou crise sistêmica.
Identidade Digital e Confiança: O Elo Tecnológico
Um dos pontos mais estratégicos da agenda tecnológica de Davos é a discussão sobre identidade digital confiável e interoperável. Em um mundo cada vez mais conectado, confiança, autenticação e proteção de dados são vistos como infraestruturas críticas para a economia digital e inclusão social. Embora Davos não publique um relatório único sobre identidade digital, as conversas entre governos e setor privado destacam sua relevância para serviços públicos eficientes, comércio global e prevenção de fraudes.
É nesse quadro que a tecnologia de identidade digita ganha significado. A capacidade de verificar identidades com segurança e privacidade é entendida como um pilar para inovação responsável, proteção de dados pessoais e economia digital resiliente.
Brasil em Davos: Liderança em Governo Digital e Interoperabilidade
A participação brasileira neste Fórum tem papel relevante, mesmo sem a presença do presidente da República. A Ministra da Gestão e da Inovação dos Serviços Públicos, Esther Dweck, foi designada representante oficial do governo federal e será a única autoridade governamental brasileira presente em Davos.

Nesta terça-feira (20), a ministra co-preside a reunião de alto nível da Global Digital Collaboration (GDC), um grupo que reúne governos, organizações internacionais, sociedade civil e setor privado com foco em soluções digitais, interoperabilidade de dados e infraestruturas confiáveis para serviços públicos e economia. O Brasil foi eleito em dezembro de 2025 para a liderança de um dos grupos estratégicos do GDC, o que confere ao país capacidade de coordenação de agendas sobre carteiras digitais, credenciais e padrões de confiança digital.
A agenda brasileira em Davos também inclui participação em debates sobre perspectivas de crescimento econômico para a América Latina, ampliando o engajamento do país em temas que conectam tecnologia, inclusão social e desenvolvimento regional.
Tecnologias que Aceleram Inclusão e Identificação
Além de IA e identidade digital, Davos 2026 contempla debates sobre tecnologias que aceleram inclusão e proteção social. A biometria e sistemas de identificação digital robustos são cada vez mais integrados a políticas públicas para garantir acesso efetivo a serviços, benefícios sociais e proteção de direitos fundamentais, em cenários que vão desde fronteiras a situações de crise. Embora Davos não esteja centrado exclusivamente nesses temas, a convergência entre tecnologia, governança de identidade e política pública é um aspecto constante das discussões sobre infraestrutura digital confiável.
Temas Paralelos que Sustentam a Agenda Tecnológica
Ainda que o foco principal do Fórum seja tecnológico e econômico, outras áreas importantes também estão presentes nas conversas em Davos, como:
• Debates sobre sustentabilidade, clima e infraestruturas essenciais como água e alimentos, que demandam soluções tecnológicas e dados confiáveis para resposta eficiente a crises.
• Crescimento econômico inclusivo e futuro do trabalho diante de transformações digitais, ressaltando a importância de políticas que considerem o impacto social da tecnologia.
Esses temas ampliam o entendimento do papel da tecnologia não apenas como motor de produtividade, mas como parte de um ecossistema onde confiança, identidade e governança de dados são fundamentais para o desenvolvimento sustentável.
Conclusão: Identidade Digital como Pilar da Nova Infraestrutura Global
O Davos 2026 inaugura uma semana de debates intensos em torno de como tecnologias emergentes, especialmente inteligência artificial e identidade digital confiável, estão remodelando as bases da economia global, da segurança e da inclusão social. Relatórios de risco e cibersegurança apresentados antes do Fórum reiteram que a integração tecnológica, a governança ética e a cooperação internacional são essenciais para enfrentar um mundo mais fragmentado, dinâmico e exposto a riscos sistêmicos.
A participação brasileira, liderada por Esther Dweck, coloca o país em posição estratégica para influenciar agendas globais de interoperabilidade digital, reforçando a importância de infraestruturas de dados seguras, interoperáveis e centradas no cidadão.
Para leitores interessados em identidade digital, inovação tecnológica e governança global, Davos 2026 é mais do que um fórum de elite: é um espaço onde ideias, políticas e tecnologias críticas estão sendo redefinidas, com implicações diretas para a forma como indivíduos, empresas e governos irão interagir na próxima década.
Eventos que moldam o futuro da confiança digital
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