Movimento ocorre em meio ao avanço das exigências regulatórias para ativos virtuais no Brasil e reforça debate sobre prevenção de riscos em tempo real
A segurança dos ativos digitais começa a mudar de lógica no Brasil. Em vez de concentrar esforços apenas na investigação de ataques e movimentações suspeitas depois que o incidente ocorreu, ganha espaço uma abordagem voltada a identificar e interromper ameaças antes que elas provoquem perdas.
É nesse cenário que a Hypernative, especializada em segurança e inteligência de risco em tempo real para ambientes blockchain, afirma ter avançado em um processo de contratação relacionado ao Banco Central do Brasil, após uma etapa de prova de valor de sua tecnologia.
A contratação ainda está em processo de formalização e não deve ser interpretada como contrato definitivamente celebrado.
O movimento ocorre justamente quando a segurança cibernética passa a ocupar espaço relevante no novo ambiente regulatório brasileiro de ativos virtuais.
A Resolução BCB nº 520, de novembro de 2025, determina que as prestadoras de serviços de ativos virtuais adotem mecanismos de monitoramento contínuo da segurança institucional e de avaliação de riscos, com o objetivo de detectar, prevenir e responder a ameaças e incidentes. A regulamentação também estabelece requisitos para a contratação de empresas responsáveis por serviços relevantes.
A Instrução Normativa BCB nº 701, de janeiro de 2026, aprofunda esses requisitos ao incluir, entre os aspectos avaliados na certificação técnica das prestadoras, a capacidade técnica e operacional das empresas contratadas, os planos de recuperação diante de incidentes e os mecanismos de monitoramento contínuo da segurança.
Nesse novo ambiente, tecnologias capazes de reconhecer comportamentos anômalos, identificar sinais de ataques e acionar respostas antes da conclusão de uma transação passam a integrar uma discussão mais ampla sobre a infraestrutura necessária para a expansão institucional dos ativos digitais.
Segurança passa do pós-incidente para a prevenção
A mudança é particularmente importante no ambiente blockchain porque muitas transações são irreversíveis. Isso reduz drasticamente o tempo disponível para reagir a fraudes, comprometimento de carteiras, ataques contra protocolos ou outras movimentações maliciosas.
A proposta da segurança preventiva é justamente reduzir essa janela de risco.
Em vez de utilizar os dados da blockchain apenas para reconstruir o caminho dos recursos após um ataque, sistemas de monitoramento contínuo analisam transações, contratos inteligentes, carteiras e outros sinais de risco em busca de padrões que possam indicar uma ameaça em desenvolvimento.
Para Guilherme Wenceloski, LATAM Director da Hypernative, essa mudança começa a ganhar relevância entre instituições da região.
“A América Latina não está seguindo o manual global de segurança em ativos digitais, em algumas frentes, está escrevendo esse manual. O trabalho que desenvolvemos com o mercado brasileiro mostra instituições migrando do rastreamento pós-incidente para a inteligência preventiva. Essa mudança vai moldar como bancos, corretoras e fintechs de toda a região constroem seus próprios controles.”
A discussão ganha escala à medida que bancos, fintechs, corretoras, custodiantes e outros participantes do sistema financeiro ampliam sua atuação com tokenização, stablecoins e outras infraestruturas baseadas em blockchain.
Brasil amplia exigências para segurança de ativos virtuais
O avanço dessas tecnologias ocorre paralelamente à construção do novo marco operacional dos ativos virtuais no país.
A regulamentação publicada pelo Banco Central estabelece regras para constituição e funcionamento das prestadoras de serviços de ativos virtuais e inclui requisitos relacionados a governança, segregação patrimonial, contratação de terceiros, segurança institucional, monitoramento contínuo e gestão de riscos.
Esse desenho regulatório aproxima a segurança cibernética da própria operação das empresas. Não basta responder ao incidente: as instituições precisam demonstrar capacidade de prevenir, detectar e reagir aos riscos associados aos serviços que oferecem.
É justamente nesse ponto que o conceito de segurança onchain preventiva ganha relevância.
Do Blockchain.RIO para a infraestrutura financeira
A discussão esteve entre os temas levados pela Hypernative ao Blockchain.RIO 2026, realizado nos dias 12 e 13 de agosto, no Rio de Janeiro. A edição reuniu representantes do mercado financeiro, reguladores e empresas ligadas à infraestrutura de ativos digitais, tokenização e blockchain.
Guilherme Wenceloski participou da programação defendendo a evolução da segurança de modelos predominantemente reativos para estruturas de monitoramento contínuo e prevenção de ameaças.
A discussão vai além do mercado cripto tradicional. À medida que ativos tokenizados, stablecoins, pagamentos e outras aplicações financeiras passam a utilizar infraestrutura blockchain, a capacidade de acompanhar riscos em tempo real torna-se parte da discussão sobre como conectar esses ambientes ao sistema financeiro institucional.
Para a Hypernative, o Brasil pode assumir papel relevante nesse processo devido à combinação entre desenvolvimento regulatório, infraestrutura financeira digital e crescimento da adoção institucional de ativos digitais.
Sobre a Hypernative
A Hypernative desenvolve uma plataforma de segurança onchain voltada a empresas e instituições, combinando monitoramento em tempo real, segurança de transações, prevenção a fraudes, análise de conformidade e mecanismos automatizados de resposta.
Segundo dados divulgados pela própria empresa em junho de 2026, a tecnologia é utilizada por mais de 350 organizações, monitora mais de US$ 100 bilhões em ativos digitais em mais de 75 blockchains e teria contribuído para evitar mais de US$ 3 bilhões em perdas, resultados que a companhia afirma serem verificáveis onchain.
Sobre o Blockchain.RIO
Realizado no Rio de Janeiro, o Blockchain.RIO reúne empresas, instituições financeiras, investidores, reguladores e participantes do ecossistema de blockchain e ativos digitais.
A edição de 2026 aconteceu nos dias 12 e 13 de agosto, com uma agenda voltada a temas como tokenização, infraestrutura financeira digital, regulação, stablecoins e aplicações institucionais de blockchain.
Nota editorial: Segundo as informações fornecidas pela Hypernative, a contratação relacionada ao Banco Central do Brasil encontra-se em processo de formalização e ainda não foi concluída.
Criptografia Forte é o Padrão que Mantém Bilhões de Pessoas Seguras Todos os Dias!
Leia sobre Criptografia no canal que fala a sua língua! Acesse agora!
Acesse a coluna e contribua com artigos científicos sobre a tecnologia. redacao@cryptoid.com.br









