Pesquisa da Robert Half mostra que cargos como Chief AI & Data Officer (CAIDO), Chief Innovation Officer (CINO) e Chief Transformation Officer (CTRO) devem ganhar protagonismo estratégico nas empresas na próxima década
O board corporativo está mudando
Chief Innovation Officer (CINO), Chief AI & Data Officer (CAIDO), Chief Transformation Officer (CTRO).
Os nomes ainda podem soar pouco familiares fora dos ambientes de transformação digital, mas tendem a se tornar cada vez mais presentes nas estruturas de liderança das empresas até 2035.
É o que revela uma pesquisa da Robert Half realizada com 100 executivos brasileiros entre membros de conselhos, alta liderança e média gestão. O levantamento aponta que 63% dos entrevistados acreditam que a capacidade de reconfigurar a força de trabalho será uma competência essencial na próxima década, especialmente diante da convergência entre inteligência artificial, transformação digital e reorganização contínua dos modelos de negócio.

“No início da Quinta Revolução Industrial e das ondas esperadas de transformação digital, é importante reforçar que as organizações mudam e se transformam por conta das pessoas.
Suas habilidades e experiências irão evoluir, mas a aplicação e o entendimento virão das mentes humanas e da atuação colaborativa. Pessoas liderando pessoas, trabalhando juntas em direção a um objetivo comum”, afirma Mario Custódio, diretor de recrutamento executivo da Robert Half.
CINO: inovação contínua e adaptação acelerada
O cargo de Chief Innovation Officer tende a ganhar protagonismo em empresas que operam em ciclos rápidos de transformação e crescimento. A função reúne competências ligadas à inovação aberta, aceleração de mudanças, expansão de negócios e reorganização da força de trabalho.
Entre as competências técnicas mais relevantes aparecem inteligência artificial, gestão da mudança e ESG. Já no campo comportamental, criatividade, capacidade de inovação e agilidade aparecem como fatores críticos para a liderança.
A pesquisa também aponta que tecnologias como Inteligência Artificial Geral (AGI), biotecnologia e inovação energética devem impactar diretamente esse perfil executivo nos próximos anos.
CTO: tecnologia, resiliência e segurança operacional
O Chief Technology Officer deixa de ser apenas um líder técnico e passa a ocupar um espaço mais estratégico dentro das organizações.
Segundo a pesquisa, o CTO do futuro deverá equilibrar transformação digital, continuidade operacional, gestão de crises e cibersegurança. O estudo associa esse perfil a competências como gestão de riscos, liderança ágil e comunicação em ambientes complexos.
Entre as tecnologias consideradas mais impactantes para esse cargo estão computação quântica, conectividade 6G e computação de borda.
CSO: estratégia corporativa em ambiente volátil
O Chief Strategy Officer aparece como um dos cargos mais associados à construção de valor de longo prazo em cenários de alta volatilidade econômica e geopolítica.
O levantamento aponta que esse executivo deverá combinar visão macroeconômica, interpretação geopolítica, governança corporativa e capacidade analítica para orientar movimentos de expansão e reestruturação empresarial.
O estudo também associa esse perfil ao avanço de tecnologias como grandes modelos de linguagem, inteligência artificial geral e computação quântica.
CAIDO: IA, dados e governança no centro da estratégia
Entre os cargos emergentes, o CAIDO — Chief AI & Data Officer — aparece como um dos mais diretamente ligados à nova economia baseada em dados e inteligência artificial.
Segundo a pesquisa, o profissional deverá combinar domínio técnico avançado com capacidade de articulação corporativa para liderar a adoção ética e segura da IA dentro das empresas.
A função envolve competências ligadas à regulação, compliance, governança corporativa e gestão de riscos, além de habilidades como pensamento crítico, comunicação e visão estratégica.
Entre as tecnologias associadas ao cargo aparecem LLMs, machine learning automatizado e processamento de linguagem natural (NLP).
CTRO: transformação organizacional e liderança humana
O Chief Transformation Officer surge como elo entre tecnologia, operações e gestão de pessoas.
A pesquisa aponta que esse executivo deverá conduzir mudanças organizacionais em larga escala, garantindo alinhamento interno em ambientes de reestruturação contínua.
Gestão da mudança, resiliência, visão estratégica e gestão de conflitos aparecem entre as competências mais relevantes para esse perfil, ao lado de tecnologias como automação inteligente de processos, machine learning e gêmeos digitais.
“Existe uma pressão crescente para que as empresas evoluam rapidamente sem perder capacidade de execução e alinhamento interno. Por isso, ganham espaço lideranças que compreendam transformação digital, mas também saibam mobilizar equipes em cenários de alta volatilidade”, completa Mario Custódio.
O C-Level da próxima década será híbrido
A pesquisa da Robert Half indica que o futuro da liderança corporativa será marcado pela combinação entre tecnologia, estratégia, governança e capacidade humana de adaptação.
Mais do que especialistas técnicos, os novos executivos do alto escalão precisarão atuar como articuladores entre inovação, cultura organizacional, segurança, dados e transformação contínua.
Em um ambiente corporativo cada vez mais pressionado pela velocidade da IA e pela necessidade de reorganização permanente, cargos como CAIDO, CINO e CTRO deixam de ser tendências futuristas e passam a ocupar espaço concreto nas estruturas estratégicas das empresas.
Sobre a Robert Half
É a primeira e maior empresa de soluções em talentos no mundo. Fundada em 1948, a empresa opera no Brasil selecionando profissionais permanentes e para projetos especializados nas áreas de finanças, contabilidade, mercado financeiro, seguros, engenharia, tecnologia, jurídico, recursos humanos, marketing e vendas e cargos de alta gestão. Com presença global e atuação na América do Norte, Europa, Ásia, América do Sul e Oceania, a Robert Half aparece em listas das empresas mais admiradas do mundo. Robert Half é reconhecida, também, por seu compromisso de promover a igualdade e proporcionar uma cultura inclusiva.
Glossário
CAIDO (Chief AI & Data Officer)
Executivo responsável pela estratégia corporativa de inteligência artificial, dados e governança.
CINO (Chief Innovation Officer)
Executivo focado em inovação, transformação de negócios e adaptação organizacional.
CTO (Chief Technology Officer)
Líder responsável pela estratégia tecnológica e infraestrutura corporativa.
CTRO (Chief Transformation Officer)
Executivo voltado à transformação organizacional, integração operacional e gestão da mudança.
CSO (Chief Strategy Officer)
Responsável pela estratégia corporativa, expansão e direcionamento de longo prazo.
LLMs (Large Language Models)
Grandes modelos de linguagem utilizados em sistemas de inteligência artificial generativa.
NLP (Natural Language Processing)
Processamento de Linguagem Natural, área da IA voltada à compreensão e geração de linguagem humana.
AGI (Artificial General Intelligence)
Conceito de inteligência artificial geral, capaz de executar tarefas cognitivas semelhantes às humanas.
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