Relatório da AnaMid mostra que IA ampliou disputa por visibilidade digital e expôs falta de padrões para medir presença em respostas, menções e autoridade
A ascensão das inteligências artificiais generativas está redefinindo a forma como empresas constroem e medem sua presença digital. Segundo um novo relatório da AnaMid, indicadores tradicionais de SEO já não são suficientes para acompanhar uma jornada de busca cada vez mais conversacional, enquanto métricas relacionadas à visibilidade em respostas de IA, reputação e autoridade passam a ganhar espaço, apesar da ausência de padrões consolidados para mensuração.
O avanço das inteligências artificiais generativas está mudando a forma como empresas e agências avaliam a visibilidade das marcas na internet. Indicadores tradicionais de SEO, como posição nos buscadores, tráfego orgânico e volume de cliques, seguem relevantes, mas já não são suficientes para explicar uma jornada de busca cada vez mais conversacional, fragmentada e distribuída em diferentes plataformas.
Essa é uma das principais leituras do relatório “Panorama do mercado de SEO brasileiro: perspectivas e transformações na era das IAs”, produzido pela Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital (AnaMid). O estudo qualitativo ouviu representantes de agências e empresas de tecnologia ligadas ao ecossistema de SEO para mapear como o setor está interpretando as mudanças provocadas pela inteligência artificial nas estratégias de busca, conteúdo e presença digital.
Entre os temas identificados estão a revisão das métricas de SEO, o avanço de novas nomenclaturas como GEO e AEO, a incorporação de novos serviços ligados à presença em IA e o crescimento da importância da reputação digital.
O relatório também aponta a percepção de que práticas baseadas apenas em volume, automação e promessas de resultado perdem espaço em um ambiente mais complexo.

“A inteligência artificial não eliminou o SEO. Ela ampliou o campo de atuação da disciplina. A busca deixou de acontecer apenas em uma página de resultados e passou a se distribuir por respostas geradas por IA, vídeos, mapas, redes sociais, marketplaces e ambientes conversacionais. Isso muda a forma como marcas precisam pensar presença digital”, afirma Rodrigo Neves, fundador e presidente nacional da AnaMid.
Métricas entram em revisão
De acordo com o relatório, especialistas do setor já começam a olhar para indicadores que vão além de rankings e cliques. Entre as novas métricas citadas estão presença da marca em respostas geradas por IA, menções e frequência de citações em plataformas conversacionais, tráfego de referência vindo de ferramentas de inteligência artificial e monitoramento de prompts.
A mudança reflete uma transformação na própria jornada de busca. Em vez de digitar uma palavra-chave e escolher entre links, o usuário passa a formular perguntas mais complexas e receber respostas organizadas por sistemas de IA.
Nesse contexto, a disputa deixa de ser apenas pela posição em uma página e passa também pela capacidade de uma marca ser reconhecida como fonte, referência ou recomendação.
“Durante muito tempo, medir SEO significava acompanhar posição, clique e tráfego. Esses dados continuam importantes, mas contam apenas parte da história. Quando a busca se torna conversacional, passa a ser necessário entender se a marca aparece nas respostas, em que contexto é citada e quais sinais sustentam essa autoridade”, afirma Flávia Crizanto, diretora do Comitê de SEO da AnaMid.
Falta de padronização limita avanço
Apesar do avanço das discussões, o relatório mostra que a mensuração em ambientes de IA ainda está em fase inicial. Os entrevistados apontam limitações como falta de ferramentas confiáveis em escala, ausência de analytics específico para IA e dificuldade de validar dados com segurança.
Na avaliação da AnaMid, esse é um dos pontos mais sensíveis para o amadurecimento do mercado. Sem padrões claros, empresas podem ter dificuldade para comparar entregas, avaliar resultados e diferenciar projetos consistentes de discursos comerciais baseados apenas em novas siglas.
“O mercado começa a perceber que precisa medir presença em IA, mas ainda não existe um padrão consolidado para isso. O desafio agora é transformar uma tendência legítima em metodologia, com critérios mais claros de análise, acompanhamento e prestação de contas”, avalia Neves.
SEO passa a ser tratado como “encontrabilidade”
O relatório também aponta uma mudança conceitual. O SEO passa a ser visto por parte dos profissionais consultados não apenas como otimização para buscadores, mas como um sistema de “encontrabilidade”. Isso envolve a capacidade de uma marca ser localizada, compreendida e referenciada em diferentes contextos digitais.
Essa visão amplia o escopo tradicional da disciplina. Além de SEO técnico, conteúdo, autoridade e monitoramento, entram na discussão temas como dados estruturados, reputação, presença em plataformas externas, consistência das informações da marca, vídeos, busca local, assessoria de imprensa e relacionamento com comunidades digitais.
“A questão deixou de ser apenas ‘em que posição minha empresa aparece no Google?’. A pergunta passa a ser: ‘minha marca é encontrada, citada e reconhecida como referência quando uma pessoa ou uma IA procura uma solução no meu mercado?’. Essa mudança exige uma visão mais integrada entre marketing, tecnologia, conteúdo e reputação”, diz Flávia.
Novas siglas avançam, mas conceitos ainda são debatidos
Outro ponto identificado pela AnaMid é a adoção de termos como GEO (Generative Engine Optimization), AEO (Answer Engine Optimization) e SEO para IA. As nomenclaturas vêm sendo usadas para descrever estratégias voltadas à presença em mecanismos de resposta e sistemas de inteligência artificial generativa.
O relatório, porém, indica que ainda não há consenso sobre os limites dessas definições. Para parte dos entrevistados, os novos termos representam recortes dentro do próprio SEO. Para outros, ajudam a organizar ofertas comerciais e explicar ao cliente mudanças que já estão acontecendo na prática.
“As siglas ajudam a traduzir uma mudança de mercado, mas não substituem a necessidade de clareza sobre o que está sendo entregue. GEO, AEO ou SEO para IA só fazem sentido se estiverem conectados a estratégia, conteúdo, estrutura técnica, autoridade e mensuração”, afirma Neves.
Reputação e autoridade externa ganham peso
A pesquisa também reforça que a visibilidade em ambientes de IA depende de sinais distribuídos. Publicações em terceiros, menções em outros sites, presença em redes sociais, avaliações, consistência de dados e vídeos aparecem como fatores cada vez mais relevantes para sustentar autoridade digital.
Esse movimento aproxima o SEO de áreas como branding, relações públicas, conteúdo e tecnologia. Em vez de uma atuação limitada ao site institucional, a disciplina passa a considerar o conjunto de sinais que ajuda mecanismos de busca e sistemas de IA a reconhecerem uma marca como fonte confiável.
“Conteúdo próprio continua importante, mas não basta estar bem escrito ou tecnicamente otimizado. Em ambientes de IA, a autoridade tende a ser construída também por sinais externos, como quem cita a marca, onde ela aparece, como é avaliada e se existe consistência sobre ela em diferentes canais”, complementa a diretora do Comitê de SEO da AnaMid.
Conteúdo em massa e promessas perdem força
O relatório também traz um alerta sobre práticas que perdem relevância no novo contexto. Entre os pontos criticados pelos especialistas estão promessas de primeiro lugar, produção de conteúdo em massa sem critério editorial, uso de IA sem curadoria humana, diagnósticos automáticos tratados como entrega final e venda de soluções automatizadas como substitutas da estratégia.
Para a AnaMid, os fundamentos do SEO não desapareceram. Estrutura técnica, conteúdo, autoridade, planejamento e mensuração seguem centrais. O que muda é a exigência de integração entre essas frentes e a necessidade de abandonar abordagens simplificadas.
“A IA pode acelerar processos, mas também aumenta o risco de produção genérica, diagnósticos superficiais e falsas promessas. O SEO que tende a ganhar espaço é o que combina método, profundidade, capacidade técnica e visão estratégica de negócio”, conclui Neves.
Metodologia
A pesquisa adotou abordagem qualitativa, com entrevistas individuais em profundidade realizadas com 10 representantes de empresas de tecnologia e lideranças de agências de SEO, resultando em um formato estratégico. A coleta ocorreu entre março e abril de 2026, reunindo diferentes perfis de atuação, incluindo SEO técnico, local, conteúdo, assessoria de imprensa e link building.
Sobre a AnaMid

A Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital (AnaMid) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em setembro 2022 a partir de um movimento de líderes empresariais de diferentes regiões do País para valorizar e preservar o ecossistema digital brasileiro.
Em conjunto, seus associados trabalham ativamente para fortalecer os negócios do setor, com base em pilares como colaboração, conhecimento, diversidade e inovação. A entidade reúne todo o ecossistema digital, incluindo agências, empresas, startups, plataformas, profissionais e estudantes de todo o País.
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