Artigo publicado pelo NIST em 30 de julho de 2026 alerta para os riscos dos computadores quânticos e explica por que empresas e governos devem iniciar agora a migração para a criptografia pós-quântica
National Institute of Standards and Technology (NIST) publicou hoje, 30 de julho de 2026, no blog institucional Taking Measure a entrevista com Andrew Regenscheid, matemático do NIST e especialista em criptografia, sobre os riscos que os computadores quânticos representam para a segurança digital e a necessidade de migração para a criptografia pós-quântica.

Computadores quânticos suficientemente poderosos poderão expor informações pessoais, transações financeiras, segredos empresariais e dados governamentais. Para antecipar esse risco, o NIST trabalha no desenvolvimento de novos padrões de segurança capazes de proteger sistemas, dispositivos e o tráfego da internet.
Das contas bancárias aos smartphones, praticamente todos os dados e dispositivos sensíveis utilizados atualmente são protegidos por cryptography.
A cryptography empregada hoje baseia-se, essencialmente, em problemas matemáticos extremamente difíceis de serem solucionados pelos computadores convencionais. Esses problemas funcionam como uma espécie de fechadura, impedindo que hackers, espiões ou outros agentes não autorizados tenham acesso às informações protegidas.
Entretanto, pesquisadores e empresas estão desenvolvendo máquinas especializadas conhecidas como quantum computers.
Esses computadores têm potencial para executar tarefas que representam grandes desafios para as máquinas convencionais, como realizar simulações científicas complexas e contribuir para a descoberta de novos medicamentos.
O problema é que quantum computers suficientemente avançados também poderão superar grande parte da cryptography usada atualmente.
Isso colocaria em risco informações pessoais, movimentações financeiras, registros médicos, segredos comerciais, propriedade intelectual e dados relacionados à segurança nacional.
Para enfrentar essa ameaça, órgãos governamentais, empresas de tecnologia e organizações responsáveis por padrões técnicos estão trabalhando na atualização dos mecanismos de proteção utilizados em computadores, redes e serviços digitais.
Essa nova geração de proteção é chamada de Post-Quantum Cryptography, ou PQC.
O objetivo da PQC é criar problemas matemáticos tão difíceis que nem mesmo um quantum computer consiga resolvê-los em tempo suficiente para quebrar a proteção das informações.
A necessidade é considerada urgente porque a indústria e a comunidade científica estão avançando na construção de quantum computers. Para o NIST, a migração precisa ocorrer antes que essas máquinas alcancem capacidade para quebrar os algoritmos utilizados atualmente.
Como os dados são protegidos atualmente nos computadores e na internet?
Cryptography é a tecnologia fundamental empregada para proteger informações armazenadas em dispositivos ou transmitidas pela internet.
Ela utiliza algoritmos baseados em problemas matemáticos cuja solução exige uma quantidade muito elevada de recursos computacionais. Os computadores convencionais não conseguem resolver facilmente esses problemas e, por isso, não conseguem quebrar os algoritmos dentro de um intervalo de tempo viável.
No futuro, porém, quantum computers provavelmente conseguirão solucionar alguns desses problemas com muito mais eficiência.
Isso significa que os algoritmos precisarão ser substituídos ou adaptados para resistir a ataques realizados com o auxílio de quantum computers.
Quais são os riscos se não estivermos preparados?
O principal risco é que alguém desenvolva um quantum computer capaz de revelar informações sensíveis transmitidas pela internet ou armazenadas em dispositivos.
Isso inclui dados de contas bancárias, registros médicos, informações comerciais confidenciais, propriedade intelectual, documentos governamentais e informações relacionadas à segurança nacional.
Todo esse conjunto de dados poderá ser ameaçado caso empresas e governos não adotem novas técnicas capazes de resistir aos ataques realizados por quantum computers.
Estamos próximos de um quantum computer capaz de quebrar a proteção atual?
Ainda não é possível determinar quando um quantum computer terá capacidade para ameaçar diretamente a cryptography utilizada atualmente.
Os quantum computers existentes ainda são pequenos, instáveis e insuficientes para quebrar os principais algoritmos empregados em sistemas digitais.
A preocupação é que essas máquinas se tornem, em algum momento, cryptographically relevant.
Um quantum computer cryptographically relevant seria uma máquina com capacidade prática para quebrar os algoritmos que atualmente protegem computadores, sistemas financeiros, comunicações e serviços digitais.
O NIST também chama a atenção para o longo período necessário para migrar para novos encryption algorithms.
Empresas de tecnologia podem levar anos para incorporar novos algoritmos a seus produtos, serviços, sistemas operacionais, equipamentos e aplicações.
Se governos e empresas esperarem até que um quantum computer consiga quebrar os códigos atuais, provavelmente não haverá tempo suficiente para migrar toda a infraestrutura digital antes que danos concretos sejam causados.
Para determinadas categorias de informação, o risco começa muito antes da existência de um quantum computer cryptographically relevant.
Como uma informação pode estar ameaçada antes da existência desse computador?
Um adversário não precisa possuir hoje um quantum computer para colocar informações em risco.
Ele pode interceptar e armazenar dados protegidos agora, mantendo esse conteúdo guardado até que tenha acesso a um quantum computer capaz de quebrar a proteção utilizada.
Quando essa tecnologia estiver disponível, o invasor poderá retornar aos dados armazenados e tentar descriptografá-los.
Essa estratégia é conhecida como harvest now, decrypt later.
A possibilidade altera completamente o prazo disponível para a adoção de PQC.
Registros médicos, informações financeiras, propriedade intelectual, segredos industriais e dados relacionados à segurança nacional podem precisar permanecer protegidos durante anos ou até décadas.
Mesmo que quantum computers capazes de quebrar a proteção atual ainda não existam, os dados transmitidos ou armazenados hoje já podem estar expostos a esse risco futuro.
Para informações que precisam permanecer confidenciais por longos períodos, esperar o surgimento de um quantum computer cryptographically relevant poderá ser tarde demais. Esses dados podem já ter sido interceptados e armazenados.
Como o NIST desenvolveu seus três padrões de Post-Quantum Cryptography?
O desenvolvimento de novos cryptographic standards é um processo altamente complexo.
Ele envolve avaliar a segurança dos algoritmos e, ao mesmo tempo, construir confiança entre pesquisadores, indústria, governos, desenvolvedores e usuários.
Para isso, o NIST conduziu um processo aberto e transparente, envolvendo pesquisadores de diferentes países.
Há mais de uma década, o instituto começou a solicitar propostas de algoritmos a especialistas. Durante aproximadamente sete anos, a comunidade internacional de cryptography submeteu os candidatos a análises públicas intensas.
Esse processo revelou fragilidades em algumas propostas e reforçou as alegações de segurança de outras.
A identificação de falhas não representa um fracasso do processo. Pelo contrário, é uma etapa essencial para aumentar a confiança nos algoritmos que permanecem após as avaliações.
Os padrões desenvolvidos pelo NIST baseiam-se em problemas matemáticos estudados há mais de três décadas. Esse histórico de pesquisas contribui para a confiança na segurança dos algoritmos selecionados.
Os três principais padrões de PQC foram finalizados pelo NIST em 2024 e estão disponíveis para implementação.
Como um algoritmo se transforma em um padrão tecnológico?
Antes que um algoritmo deixe de ser uma proposta e passe a ser utilizado de forma consistente, diversos detalhes técnicos precisam ser definidos.
O processo de padronização estabelece exatamente como cada algoritmo deve ser implementado para proteger informações e dispositivos.
O NIST desenvolve especificações formais e documentadas que determinam como os algoritmos devem funcionar.
Esse trabalho não se limita à produção de documentos. Ele exige análise cryptographic cuidadosa e conhecimento técnico aprofundado para garantir que cada detalhe da implementação ofereça o nível de segurança necessário.
Depois de um período de consulta pública, as especificações são finalizadas e transformadas em padrões.
Entretanto, a publicação dos padrões é apenas o começo.
Para ampliar a adoção em produtos comerciais, o NIST precisa trabalhar com organizações internacionais, como a International Organization for Standardization (ISO).
O instituto também colabora com a Internet Engineering Task Force (IETF) no desenvolvimento de network security protocols utilizados para proteger o tráfego da internet.
Quais organizações terão de implementar os padrões do NIST?
Cryptography está presente em praticamente tudo o que envolve tecnologia.
Ela protege laptops, computadores, smartphones, cartões de crédito, aplicações, servidores, redes corporativas, serviços financeiros e plataformas online.
Por esse motivo, diferentes setores precisam participar da migração.
Entre os principais responsáveis estão software developers, responsáveis pela criação das aplicações utilizadas pelas pessoas e pelas empresas; hardware vendors, que produzem chips e componentes incorporados aos equipamentos; e web service providers, cujos serviços são acessados por dispositivos conectados à internet.
Fabricantes, desenvolvedores, provedores de infraestrutura, instituições financeiras, organizações governamentais e empresas de diferentes segmentos terão responsabilidades nesse processo.
O que uma pessoa comum pode fazer?
Para os usuários, a medida mais eficaz é manter sistemas e dispositivos atualizados.
Os equipamentos podem ser configurados para instalar automaticamente as atualizações disponibilizadas pelos fabricantes.
Essa já é uma prática importante de cybersecurity e também permitirá que os usuários recebam as futuras atualizações relacionadas à PQC.
Ao longo da próxima década, aplicações, browsers, sistemas operacionais e outras ferramentas deverão incorporar os novos padrões.
Ao escolher produtos ou serviços, consumidores e empresas também podem perguntar se as soluções oferecem suporte aos padrões de PQC.
Segundo o NIST, quanto maior for a demanda por essa proteção, mais rapidamente ela será incorporada aos produtos e serviços.
O que as organizações devem fazer agora?
Devido ao uso generalizado de cryptography nos sistemas modernos de Information Technology, a migração para PQC será complexa.
As organizações precisam começar a preparação imediatamente.
O primeiro passo é compreender onde e como a empresa depende de cryptography.
Isso exige a criação de um inventário de sistemas, aplicações, dispositivos, serviços e dados que utilizam proteção cryptographic.
As organizações também precisam identificar suas informações mais sensíveis, especialmente aquelas que podem ser afetadas pela ameaça de harvest now, decrypt later.
Depois desse levantamento, será necessário criar um migration roadmap.
As empresas também devem iniciar conversas com fornecedores de tecnologia para entender quando e como seus produtos passarão a oferecer suporte à PQC.
A aquisição de tecnologia também precisa mudar
Outro ponto importante é procurement.
À medida que produtos e serviços compatíveis com os novos padrões se tornarem disponíveis, as organizações precisarão adotá-los.
O suporte à PQC deverá ser incorporado às decisões de compra, contratação e modernização da infraestrutura de Information Technology.
Empresas e órgãos públicos devem questionar parceiros e fornecedores sobre seus planos de migração para PQC.
Também será necessário buscar ativamente produtos e serviços que ofereçam suporte aos novos padrões.
Como essas transições levam muitos anos, as organizações que começarem agora o planejamento e a adoção de produtos preparados para o cenário post-quantum estarão em uma posição mais segura no futuro.
Por que a adoção precisa começar agora?
A substituição de encryption algorithms já aconteceu em outros momentos, mas sempre foi um processo complexo e demorado.
Com base na experiência acumulada e nas características do cenário post-quantum, o NIST espera que essa seja a transição mais desafiadora já realizada.
A quantidade de sistemas afetados e a complexidade das mudanças deverão superar todas as migrações anteriores.
As empresas estão apenas começando a planejar como atualizar seus ambientes e trabalhar com seus fornecedores durante a transição.
Diversas etapas precisarão ocorrer em sequência. Por isso, iniciar a preparação com antecedência é essencial.
O que vem a seguir para o NIST e a PQC?
Os principais padrões foram finalizados em 2024.
Agora, o NIST concentra seus esforços na elaboração de guidelines para apoiar o desenvolvimento e o uso dos novos algoritmos e ajudar as organizações a migrar seus sistemas para PQC.
O instituto trabalha com empresas e outras agências governamentais para esclarecer papéis e responsabilidades.
Também auxilia technology providers a identificar os desafios envolvidos na transição e publica orientações adicionais sempre que necessário.
Uma oportunidade para modernizar a segurança digital
Para Andrew Regenscheid, a transição representa uma oportunidade de modernizar a cryptography empregada em todos os tipos de sistemas computacionais.
Embora a iniciativa tenha como objetivo principal enfrentar a ameaça dos quantum computers, ela também poderá melhorar a proteção utilizada em outros sistemas.
O resultado poderá ser uma tecnologia cotidiana mais segura, privada e resiliente.
O desenvolvimento de cryptographic standards não depende apenas de precisão técnica ou de algoritmos seguros.
Também é necessário criar condições para que empresas, governos, pesquisadores e usuários confiem nos padrões desenvolvidos.
O NIST passou décadas formando uma equipe com conhecimentos em matemática e computer science necessários para desenvolver padrões cryptographic.
O instituto também mantém relações com pesquisadores e organizações responsáveis pela implementação dessas tecnologias.
Por essa razão, o NIST considera estar em uma posição única para construir uma ponte entre a teoria e a implementação prática da Post-Quantum Cryptography.
Fonte: artigo produzido pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) e publicado no blog Taking Measure em 30 de julho de 2026.
Nota editorial: Nota editorial: este texto é uma tradução livre da publicação original do NIST, com adaptações de linguagem para o português. Os termos técnicos foram preservados sempre que necessário para manter a precisão do conteúdo.
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