Governança de dados ganha importância com o avanço da IA e o crescimento do volume de informações nas organizações
Por Marcelo Cornélio

Uma pesquisa da consultoria IDC aponta que o volume de dados armazenado globalmente está dobrando a cada quatro anos. Sem dúvida, é cada vez mais complexo gerenciar uma quantidade enorme de informações de forma responsável e inteligente.
E essa tarefa exige um esforço muito grande por dois motivos. Um deles é a necessidade de transformar dados em ações que favoreçam os cidadãos de maneira ágil e eficiente.
O segundo envolve a segurança das informações dentro das melhores práticas do segmento de Tecnologia da Informação e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para se ter uma ideia do tamanho do desafio, o volume global de dados chegou a 149 zettabytes em 2024, o equivalente a 149 trilhões de notebooks com capacidade de armazenamento de 1 Terabyte (TB). Se antigamente a dificuldade era a falta de dados, hoje o gerenciamento do excesso de informação é o maior problema.
Por isso, a governança de dados tem um papel cada vez mais estratégico nas organizações. Segundo o Gartner (empresa global de insights de negócios e tecnologia), esse procedimento abrange estipular responsabilidades, processos e políticas, com o objetivo de fazer com que os dados sejam empregados de forma correta, confiável e dentro dos objetivos de cada instituição.
E por que é essencial gerenciar os dados adequadamente? Em primeiro lugar, é necessário contar com informações de qualidade não apenas para melhorar a prestação de serviços aos cidadãos, mas também para inovar com consistência em curto prazo.
Se uma organização contar com dados incompletos, duplicados ou equivocados, o risco de haver falhas na execução de estratégias aumentará de maneira considerável. Inegavelmente, essa situação deve ser evitada ao máximo, principalmente, em virtude da expansão do emprego da inteligência artificial.
O motivo é que essa tecnologia somente agrega valor, quando os dados estão acessíveis, estruturados e preparados para uma utilização estratégica. Contudo, essa tarefa não é tão simples. Prova disso é que uma pesquisa recente do Gartner aponta que apenas 22% das empresas conseguiram resultados expressivos ao adotar a IA.
E para reverter esse quadro, a governança de dados precisa priorizar a clareza e a transparência. Em outras palavras, é preciso que sejam devidamente definidos os responsáveis pelas informações em cada fase do ciclo de vida em uma organização. Assim, haverá um cenário favorável para os dados serem criados, atualizados, validados e utilizados corretamente, o que é vital para diminuir inconsistências e aprimorar a tomada de decisão.
Com base nessa premissa, o Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Espírito Santo (Prodest), em parceria com diversos órgãos estaduais, têm priorizado a gestão eficiente dos dados para entregar soluções que possibilitem a melhoria significativa de políticas públicas.
A partir de ferramentas analíticas, usando as técnicas de Business Intelligence (BI), o Prodest tem desenvolvido painéis que permitem aos gestores públicos e aos cidadãos conhecerem indicadores importantes relacionados a diversos segmentos, como segurança pública, desenvolvimento regional sustentável, qualidade de vida da mulher, turismo, entre outros. Isso confirma como a governança de dados é útil à Administração Pública e a sociedade quando adotada de forma correta e ética.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Marcelo Cornélio, Diretor-Geral do Prodest, pela contribuição ao debate sobre a importância da governança de dados para a gestão pública, a segurança das informações e o uso estratégico da inteligência artificial.
A reflexão reforça a necessidade de dados confiáveis, estruturados e utilizados de forma responsável para apoiar decisões e contribuir para a evolução dos serviços oferecidos à sociedade.
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