Estudo aponta que agentes de lA vão assumir etapas da jornada de compra, redefinindo a relação entre consumidores, dados e marcas
A inteligência artificial começa a assumir um papel central na jornada de consumo e inaugura uma nova fase do comércio digital: a era das compras mediadas por agentes inteligentes. Segundo o relatório “O Futuro do Consumo 2026/2027”, da Reds Research, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de pesquisa e recomendação para se tornar um agente capaz de interpretar necessidades, comparar opções e até realizar compras em nome dos consumidores, uma transformação que deve redefinir a relação entre marcas, dados e clientes.
Relatório da Reds Research aponta que agentes de inteligência artificial vão transformar a jornada de compra ao interpretar necessidades, personalizar recomendações e assumir etapas da decisão de consumo
A inteligência artificial já faz parte da rotina de milhões de consumidores, auxiliando na busca por informações, comparação de preços e recomendações de produtos. Mas uma nova etapa dessa transformação já começou: a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar protagonista da decisão de compra.
Essa é uma das principais conclusões do relatório “O Futuro do Consumo 2026/2027: Tendências em Alimentos, Beleza e Bem-Estar“, desenvolvido pela Reds Research, empresa especializada em pesquisa de mercado e comportamento do consumidor e member da HSR, ecossistema que reúne empresas dedicadas à inteligência de mercado, comportamento humano e inovação para apoiar organizações na construção de estratégias mais conectadas às transformações da sociedade.
O estudo reúne uma curadoria dos principais relatórios globais de tendências e a experiência acumulada em mais de mil projetos realizados para empresas dos setores de bens de consumo, alimentos, bebidas e beleza.
Segundo o levantamento, o consumo passa a ser mediado por agentes de inteligência artificial capazes de compreender intenções, interpretar contexto, analisar restrições, considerar preferências anteriores e até executar compras em nome do consumidor. Na prática, a jornada tradicional de pesquisa, comparação e decisão começa a ser substituída por sistemas inteligentes que reduzem o esforço do consumidor e tornam o processo muito mais personalizado.

“O consumidor continuará no centro das decisões, mas sua relação com as marcas será mediada por um novo agente: a inteligência artificial. Isso muda completamente a lógica do consumo. As empresas precisarão aprender a dialogar não apenas com pessoas, mas também com sistemas inteligentes que serão responsáveis por interpretar necessidades e recomendar soluções“, afirma Karina Milaré, CEO da HSR.
A jornada de compra muda de protagonista
Durante décadas, a decisão de compra seguiu um roteiro conhecido: identificar uma necessidade, pesquisar opções, comparar preços e atributos, escolher um canal e finalizar a compra.
O relatório aponta que esse modelo começa a perder espaço para uma dinâmica em que a IA absorve boa parte dessa complexidade. Em vez de navegar por dezenas de páginas ou marketplaces, o consumidor simplesmente informa o que precisa. A partir daí, agentes inteligentes analisam informações como orçamento, restrições práticas, contexto de uso, preferências pessoais, histórico de compras e avaliações para entregar a melhor solução disponível.
Para a Reds Research, trata-se de uma mudança estrutural semelhante ao impacto provocado pelo surgimento do comércio eletrônico.
“A disputa das marcas deixa de acontecer apenas nas vitrines digitais. Cada vez mais, será necessário estruturar produtos, atributos, preços e informações para que possam ser compreendidos e priorizados pelos algoritmos responsáveis pelas recomendações“, complementa Karina.
Hiperpersonalização deixa de ser diferencial
Outra conclusão do estudo é que a hiperpersonalização deixa de representar uma vantagem competitiva e passa a ser condição básica para competir no mercado.
A inteligência artificial passa a combinar informações sobre objetivos, hábitos, restrições e contexto individual para recomendar soluções extremamente específicas, elevando o nível de exigência dos consumidores e pressionando empresas a oferecer produtos mais adaptáveis e personalizados.
Segundo o relatório, isso significa que portfólios precisarão ser mais flexíveis, informações comerciais deverão estar estruturadas para leitura por sistemas inteligentes e estratégias de marketing precisarão considerar não apenas a comunicação com pessoas, mas também com agentes de IA responsáveis pela tomada de decisão.
Google já sinaliza essa transformação
O estudo destaca que esse movimento já começa a ganhar forma no mercado. Um dos exemplos apresentados é o Universal Commerce Protocol (UCP), iniciativa anunciada pelo Google que representa a transição do comércio eletrônico baseado em buscas para um modelo mediado por agentes de inteligência artificial.
Nesse formato, o consumidor descreve sua necessidade em linguagem natural e a IA interpreta o pedido, compara fornecedores, seleciona produtos e pode concluir toda a jornada de compra dentro do próprio ambiente digital. O foco deixa de ser a exposição do consumidor a anúncios ou vitrines e passa a ser a capacidade dos algoritmos compreenderem a necessidade de forma contextualizada.
Marcas precisarão se adaptar
Na avaliação da Reds Research, empresas que desejarem permanecer competitivas precisarão reorganizar toda a forma como apresentam seus produtos ao mercado.
Isso inclui estruturar corretamente atributos, benefícios, preços, disponibilidade e diferenciais para que essas informações sejam facilmente interpretadas por sistemas de inteligência artificial, além de desenvolver estratégias de comunicação cada vez mais baseadas em dados e contexto.
Mais do que vender produtos, será necessário construir ecossistemas capazes de responder às necessidades específicas de cada consumidor em tempo real.
“O futuro do consumo será menos orientado pela exposição de produtos e muito mais pela capacidade de compreender necessidades individuais. As marcas que conseguirem transformar dados em relevância terão uma vantagem competitiva importante nesse novo cenário“, conclui Karina Milaré.
Sobre a Reds Research
Fundada em 2013, Reds Research é uma empresa e consultoria especialista em consumo e comportamento do consumidor, com forte atuação junto aos setores alimentício, bebidas e beleza como agente catalisador da transformação do relacionamento das indústrias com os consumidores.
Sobre a HSR
HSR Specialist Researchers é o maior grupo independente de pesquisa de mercado do Brasil, composto por diversas empresas lideradas por sócios com sólido background em suas áreas de expertise. Nosso diferencial reside na perfeita integração entre uma infraestrutura física e tecnológica de ponta, que abrange desde a coleta e processamento de dados até sistemas, dashboards e inteligência artificial, e a liderança estratégica de especialistas, capazes de integrar estas soluções de inteligência artificial em nossos projetos para garantir agilidade e precisão nas entregas. Essa combinação fortalece nossa capacidade de transformar dados em insights, proporcionando soluções inovadoras e personalizadas que fomentam uma cultura de aprendizado e sustentam decisões estratégicas com resultados impactantes.
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