Durante a participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026, quase 125 mil tentativas de fraude foram identificadas em compras online e delivery, com prejuízo potencial superior a R$ 104 milhões
Enquanto os brasileiros acompanhavam a Seleção na Copa do Mundo de 2026, os fraudadores também estavam em campo. Entre 1º de junho e 5 de julho, período correspondente à participação do Brasil na competição, foram identificadas 124.890 tentativas de fraude em transações realizadas por e-commerce e delivery no país.
Enquanto o Brasil jogava a Copa, os fraudadores também estavam em campo. Uma tentativa de fraude a cada 24 segundos. Foi esse o ritmo do ataque ao e-commerce brasileiro durante a participação da Seleção no Mundial de 2026.
Os dados são de um levantamento da Serasa Experian e representam uma média de uma tentativa de fraude a cada 24 segundos. Caso não tivessem sido identificadas preventivamente pelos sistemas antifraude, as ocorrências poderiam ter provocado um prejuízo potencial superior a R$ 104 milhões para empresas e consumidores.
O movimento acompanhou um período de forte crescimento das compras digitais. Segundo o levantamento, enquanto o volume de pedidos em delivery costuma registrar crescimento médio anual de aproximadamente 9%, em junho de 2026 a alta chegou a cerca de 22%.
Nesse cenário de maior circulação de transações, os criminosos também buscaram oportunidades. O ticket médio das tentativas de fraude chegou a R$ 836,15, indicando a preferência por operações capazes de proporcionar maior retorno financeiro.
O comércio eletrônico concentrou praticamente todas as ocorrências: foram 124.354 tentativas de fraude no e-commerce, equivalentes a 99,6% do total identificado, contra 536 registros relacionados ao delivery.

“Períodos de maior movimentação do comércio digital exigem atenção redobrada das empresas, porque fraudadores acompanham esse aumento no volume de transações em busca de oportunidades para aplicar golpes. Estratégias antifraude baseadas em inteligência de dados, autenticação e análise comportamental são fundamentais para identificar tentativas suspeitas antes que elas gerem prejuízos, preservando ao mesmo tempo uma experiência fluida para o consumidor legítimo”, afirma Rodrigo Sanchez, Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
Beleza liderou em número de tentativas
Entre as categorias analisadas, o segmento de Beleza registrou o maior número absoluto de tentativas de fraude, com 8.967 ocorrências. Na sequência aparecem Calçados, com 5.511; Saúde, com 5.307; e Alimentação, com 2.727 registros.
Os números indicam que os fraudadores acompanham os setores com maior movimentação de consumidores e volume de pedidos. Mas quantidade de ataques e risco de fraude não são necessariamente a mesma coisa.
Quando a análise considera proporcionalmente o número de pedidos, os produtos de maior valor agregado aparecem entre os alvos mais vulneráveis.
A categoria Celulares apresentou a maior taxa de tentativas de fraude, de 4,37%. Na prática, mais de quatro em cada 100 pedidos analisados foram classificados como tentativas de golpe. Eletrônicos aparecem em seguida, com taxa de 4,15%, seguidos por Games, com 2,27%, e Acessórios Eletrônicos, com 1,91%.
“Volume e risco de tentativas de fraude são indicadores complementares. Categorias muito procuradas naturalmente concentram mais ocorrências porque realizam mais vendas, enquanto produtos de maior valor agregado seguem despertando maior interesse dos fraudadores pelo potencial de retorno financeiro. Por isso, empresas precisam calibrar continuamente suas estratégias de prevenção de acordo com o perfil de risco de cada operação”, explica Sanchez.
Fraudes também acompanharam os jogos do Brasil
A Serasa Experian monitorou ainda o comportamento das tentativas de fraude especificamente nos dias em que a Seleção Brasileira entrou em campo.
Entre as partidas analisadas, o confronto entre Escócia e Brasil coincidiu com o maior volume de tentativas de fraude, somando 3,66 mil ocorrências. Já durante Brasil x Noruega, foram identificadas 1,32 mil tentativas, o menor volume registrado entre os jogos considerados no levantamento.
Os dados reforçam um fenômeno cada vez mais relevante para empresas que operam no ambiente digital: grandes eventos, datas comemorativas e períodos de aumento excepcional do consumo também ampliam a superfície de oportunidade para fraudadores.
Se para o consumidor a Copa é momento de torcida, compras e confraternização, para as empresas o crescimento repentino das transações exige capacidade de distinguir, em poucos segundos, o cliente legítimo de uma tentativa de fraude.
E, durante a Copa de 2026, enquanto a bola rolava em campo, essa disputa acontecia silenciosamente em milhares de transações digitais no Brasil.
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