Jean Michel Guillot explica como a nova geração de HSMs da DINAMO Cyber Security Company incorpora os padrões pós-quânticos do NIST e aborda os desafios da migração criptográfica nas organizações
A evolução da computação quântica coloca em discussão a segurança dos sistemas criptográficos utilizados atualmente e acelera a necessidade de preparação para uma nova geração de algoritmos.
A transição para a criptografia pós-quântica (PQC) representa um desafio para organizações que dependem da proteção de dados, da gestão de identidades e da segurança das transações digitais, exigindo mudanças que envolvem desde equipamentos e aplicações até processos de gestão de chaves e planejamento de infraestrutura.
Nesse cenário, a DINAMO Cyber Security Company desenvolveu uma nova geração de módulos de segurança de hardware (HSMs) com suporte aos padrões de criptografia pós-quântica estabelecidos pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST).

Em entrevista exclusiva ao Crypto ID, Jean Michel Guillot, Business Solutions Director da DINAMO Cyber Security Company, explica como a empresa está se preparando para essa transformação, apresenta as capacidades do DINAMO NG e aborda os desafios técnicos da migração, a interoperabilidade com sistemas existentes e a importância da criptoagilidade para garantir uma transição gradual e segura.
Sobre o Jean Michel Guillot
Jean-Michel Guillot é Business Solutions Director da DINAMO, onde atua no desenvolvimento de negócios e soluções voltadas à segurança digital e à infraestrutura criptográfica. Possui mais de 15 anos de experiência internacional nas áreas de desenvolvimento de negócios, vendas e consultoria estratégica, com atuação nos mercados financeiro e de ativos digitais.
É mestre pela ESSEC Business School, de Paris, e graduado pela FGV EAESP, em São Paulo. Sua trajetória profissional reúne experiência em estratégia de negócios e soluções tecnológicas, com foco em temas como cibersegurança, criptografia, custódia de ativos digitais e infraestrutura de confiança.
Leia a entrevista na íntegra!
Crypto ID: Os HSMs atualmente comercializados pela DINAMO já estão preparados para gerar, armazenar, proteger e executar operações criptográficas com algoritmos pós-quânticos, como ML-DSA e ML-KEM?
Jean Michel Guillot: Sim. Antecipando a transição para a criptografia pós-quântica, a DINAMO desenvolveu uma nova geração de HSM, o DINAMO NG, preparada para os novos padrões criptográficos estabelecidos pelo NIST (National Institute of Standards and Technology).
O equipamento oferece suporte nativo aos algoritmos ML-DSA (FIPS 204) e ML-KEM (FIPS 203), permitindo gerar, armazenar e proteger chaves criptográficas, além de executar operações diretamente no ambiente seguro do HSM.
O DINAMO NG também incorpora o SLH-DSA (FIPS 205), completando o suporte aos três primeiros padrões de criptografia pós-quântica publicados pelo NIST.
As implementações dos três algoritmos pós-quânticos já foram oficialmente validadas pelo NIST, por meio do Cryptographic Algorithm Validation Program (CAVP), sob o certificado A8232. Esse reconhecimento posiciona a DINAMO entre um grupo ainda restrito de fabricantes de HSM no mundo com validação dos três primeiros padrões pós-quânticos estabelecidos pelo instituto.
Além da segurança, o DINAMO NG foi desenvolvido para oferecer alto desempenho em ambientes de missão crítica, alcançando até 18 mil assinaturas digitais por segundo com ML-DSA-44 e 70 mil operações de desencapsulamento por segundo com ML-KEM-768.
Com essa nova geração, a DINAMO já oferece às instituições uma infraestrutura criptográfica preparada para a era pós-quântica, combinando segurança, desempenho e criptoagilidade. O suporte a arquiteturas híbridas, que combinam algoritmos tradicionais e pós-quânticos, permite uma transição gradual, preservando a interoperabilidade com os sistemas existentes.
Complementando sua oferta tecnológica, a DINAMO também oferece consultoria especializada em PQC (Post-Quantum Cryptography), com metodologia própria estruturada em cinco etapas: inventariar, priorizar, arquitetar, planejar investimentos e executar a migração.
A metodologia conta com ferramentas para diagnóstico de maturidade, inventário criptográfico (CBOM), avaliação de riscos e definição de arquiteturas e planos de migração. Essa abordagem permite às instituições priorizar investimentos e conduzir uma transição gradual e segura, desenvolvendo capacidades permanentes de criptoagilidade.
Crypto ID: Quais adaptações serão necessárias em hardware, firmware e software para suportar os novos requisitos de geração, armazenamento, backup, recuperação e gestão de chaves, incluindo operações híbridas com RSA e ECC?
Jean Michel Guillot: A principal evolução para suportar a criptografia pós-quântica ocorreu no firmware dos HSMs. Os novos algoritmos exigem estruturas de chaves, métodos de cálculo e capacidades de processamento diferentes dos utilizados por RSA e ECC. A DINAMO incorporou essas funcionalidades ao DINAMO NG, preservando os mecanismos de segurança e gestão do ciclo de vida das chaves, incluindo backup, recuperação, replicação e controle de acesso.
Na camada de software, atualizamos nossas bibliotecas e APIs para disponibilizar as novas funcionalidades criptográficas às aplicações, facilitando a adoção de arquiteturas híbridas, que combinam algoritmos tradicionais e pós-quânticos durante a transição.
No hardware, o DINAMO NG combina elevada capacidade de processamento com recursos de alta disponibilidade, incluindo fontes de alimentação redundantes com troca a quente (hot swap) e interfaces de rede duplicadas, reforçando a continuidade operacional em ambientes de missão crítica.
Crypto ID: A empresa já realizou testes de desempenho, segurança e interoperabilidade? Para os equipamentos atualmente instalados, a migração poderá ocorrer por atualização ou exigirá a substituição dos HSMs?
Jean Michel Guillot: Sim. A DINAMO já realizou testes de desempenho, segurança e interoperabilidade, incluindo a validação independente das implementações criptográficas pelo NIST, conforme mencionado anteriormente. Os testes de interoperabilidade também foram conduzidos internamente, visando assegurar a integração com as infraestruturas existentes.
Para os equipamentos já instalados, a estratégia de migração dependerá do modelo e da geração do hardware. Em determinados casos, a evolução poderá ocorrer por atualização de firmware e software. Em outros, a migração para o DINAMO NG será necessária ou recomendada, especialmente para atender aos requisitos de desempenho da criptografia pós-quântica.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Jean Michel Guillot, Business Solutions Director da DINAMO Cyber Security Company, pela disponibilidade e contribuição nesta entrevista. Suas considerações ajudam a ampliar o debate sobre os desafios da transição para a criptografia pós-quântica, os avanços tecnológicos na infraestrutura de segurança e a importância do planejamento para que as organizações estejam preparadas para os novos requisitos de proteção criptográfica.
Agradecemos também à DINAMO Cyber Security Company pela parceria e pela oportunidade de compartilhar esse conhecimento com nossos leitores.
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