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Desde que surgiram os primeiros artigos sobre GDPR (General Data Protection Regulation) e LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados -, os grandes interlocutores entre os reguladores e empresários foram os advogados.

O que faz todo o sentido, uma vez que, as penalidades pelas infrações deverão, necessariamente, ocorrer sob litígio, portanto, obrigatoriamente por meio jurídico.

Porém, visto que os advogados decorreram sobre os riscos jurídicos, outros profissionais deveriam ter se posicionado com o mesmo ímpeto, já que a transformação necessária para que uma organização se adeque as novas regulações ocorrem em múltiplas frentes e não estamos assistindo isso.

As empresas que já possuem uma área de segurança da informação consolidada terão infinitamente menor trabalho – e menos problemas pela frente – que empresas que não possuem nenhum tipo de processo de tratamento de seus dados internos, de clientes fornecedores, etc.

Se a empresa ainda se voltou para o tratamento de dados significa que será necessário trabalhar a cultura corporativa como um todo e não apenas se limitar as áreas jurídicas e de tecnologia e mesmo entre as empresas que já tratavam da privacidade dos dados, a nova cultura deverá ser implantada para que as questões relacionadas à LGPD sejam atendidas.

O RH terá um papel fundamental para a adequação das corporações e, por isso, conversamos com os organizadores do CONARH – evento sobre RH que aconteceu em São Paulo, dos dias 13 a 16 de agosto, Sandra Gioffi, diretora do CONARH e com Fernando Seacero, líder do espaço Open Innovation e sócio-fundador da I9Ação.

Crypto ID: Qual é a relevância do uso da tecnologia para gestão de pessoas nas empresas? Isso é uma coisa crescente dentro das empresas?

Fernando Seacero: Sim, é crescente e diversificado, para várias atuações que a gente costuma receber, desde aplicações técnicas administrativas e aplicações focadas no desenvolvimento. O People Analytics é um dos elementos que você já tem no departamento de RH, um analytics totalmente dedicado. Então, a utilização de tecnologias dentro das organizações para gestão de pessoas ela é exponencial.

Crypto ID: Isso mundialmente, e no Brasil, acompanha essa tendência?

Fernando: Sim, o Brasil acompanha essa tendência mundial. Hoje, o próprio conceito de tecnologia transcende essas barreiras físicas e geográficas, uma coisa está sendo lançada em um lugar e em pouco tempo você já tem um conhecimento no Brasil. As empresas globais acabam trazendo a novos métodos e tecnologias com mais rapidez, porque ela tem experimentos em outros países.

Crypto ID: A tendência mundial é que as empresas capacitem as pessoas internamente para essa gestão de pessoas ou elas terceirizam isso para empresas especializadas em RH?

Sandra Gioffi – Hoje, a tendência é que as empresas invistam em suas pessoas usando tudo que a tecnologia tem a oferecer. Utilizando o People Analytics a empresa consegue entender qual é a força de trabalho que estão precisando, quais as competências mais escassas e mais fortes, enfim, capacitam a organização e os gestores para que eles possam tomar melhores decisões em relação às profissionais das corporações.

O uso da tecnologia para capacitação possibilita o “just in time”. O treinamento é realizado quando a pessoa tem disponibilidade. A inteligência artificial aplicada a qualquer processo de RH, desde a seleção até o treinamento, permite que as pessoas possam aprender de forma divertida.

Crypto ID: A partir do envio das declarações de informações ao programa e-Social o RH começou a ter familiaridade com o uso de Certificado Digital, com isso, vocês vêm que abriu a mente dessas pessoas para o espectro de uso dessa tecnologia?

Fernando: Sim, a tecnologia de certificação digital é reconhecida como útil e já chegou há algum tempo e deixou de ser uma teoria e virou uma prática. A equipe de gestão de pessoas já tem a visibilidade de poder usufruir do uso do certificado digital ICP-Brasil, que tem validade jurídica, para eliminar papéis e agilizar os processos de contratação, assinatura de procedimentos de rotina.

Crypto ID: Em relação a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados vocês não acreditam que a área de gestão de pessoas poderia estar mais envolvida do que realmente está uma vez que a grande transformação digital se dará por meio das pessoas?

Sandra – A gente acredita sim a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados – tem um aspecto cultural fortíssimo.

O RH ainda não se apropriou desse papel e o CONARH trouxe em primeira mão uma palestra com especialistas sobre LGPD e cases de empresas que estão a frente dessa adequação à lei justamente para mostrar aos profissionais de RH que eles precisam tomar as rédeas e ajudar esse processo que impacta de uma forma enorme as organizações.

O conteúdo do CONARH se voltou à transformação digital e o impacto no humano. O #Humanize tem essa pegada de que a transformação digital está acontecendo, ela é necessária, mas se a gente não olhar o humano, essa transformação não ocorrerá da forma esperada.

Fernando – O Open Innovation foi um dos focos do evento e apresentou muitas experiências práticas sobre transformação digital quando as pessoas compartilharam casos reais a partir de processos e perspectiva do humano.

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