Análise em tempo real, integração com o DICT e regras específicas ajudam a identificar e conter fraudes em transações Pix antes da liquidação
A expansão do Pix também ampliou os desafios das instituições financeiras para identificar e interromper fraudes na velocidade das transações instantâneas. Nesse cenário, a integração de dados do DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais) a sistemas de monitoramento permite cruzar informações e detectar comportamentos suspeitos antes da liquidação das operações.

Em entrevista ao Crypto ID, Georgia Sanches, Country Manager da Sumsub no Brasil, explica como a análise em tempo real, regras específicas para o ecossistema Pix e mecanismos de bloqueio podem fortalecer a prevenção a fraudes sem comprometer a agilidade dos pagamentos.
Leia a entrevista completa!
Crypto ID: Como funciona, na prática, a integração da solução com os dados do DICT (Diretório de Identificadores de Contas Transacionais)? Quais informações são consultadas e de que forma elas participam da análise de risco de uma transação Pix?
Georgia Sanches: O DICT é a espinha dorsal do monitoramento do Pix, responsável por resolver identificadores e direcioná-los para a conta bancária onde o pagamento será liquidado. Quando integrado à análise de fraude, permite que as instituições confirmem se a conta de destino corresponde às informações fornecidas pelo usuário, utilizando dados como números de telefone, e-mails ou CPFs. Essa etapa é crucial porque reduz a dependência de informações autodeclaradas e garante que as transferências sejam direcionadas a contas legítimas reconhecidas no ecossistema Pix.
A inclusão recente de novos atributos no DICT também fortalece essa análise. Recursos como o TransactionDepth indicam o quão distante uma transação está de um evento inicial de fraude, enquanto o Mecanismo Especial de Devolução (MED) ajuda as instituições a rastrear fluxos suspeitos entre múltiplas contas e bloquear valores quando necessário.
Essa abordagem em camadas permite uma intervenção rápida, muitas vezes dentro dos poucos segundos em que uma transferência via Pix é concluída. O modelo equilibra a velocidade que caracteriza os pagamentos instantâneos com o nível de segurança exigido por instituições financeiras e usuários.
Crypto ID: Em que momento do fluxo da transação Pix o Pix Fraud Monitoring realiza a análise? Existe tempo hábil para que a instituição identifique uma operação suspeita e tome uma decisão antes da liquidação?
Georgia Sanches: A solução de monitoramento de fraude no Pix realiza suas verificações antes que a transação seja finalizada no sistema de liquidação. A análise acontece em tempo real, dentro dos poucos segundos disponíveis entre a iniciação e a conclusão.
As instituições podem sinalizar anomalias instantaneamente, como padrões de transação incomuns ou comportamentos de conta considerados de risco, e decidir se permitem, bloqueiam ou escalam a transferência de acordo com regras pré-definidas ou personalizadas.
Embora a janela de tempo seja curta, o sistema foi projetado para operar na mesma velocidade do próprio Pix, garantindo que as decisões de risco sejam tomadas antes que os recursos sejam movimentados de forma irreversível.
Crypto ID: Das 39 regras pré-configuradas anunciadas pela Sumsub, quais foram desenvolvidas especificamente para características e padrões de fraude observados no ecossistema Pix brasileiro? Poderiam citar alguns exemplos?
Georgia Sanches: As regras pré-configuradas foram desenhadas para lidar com riscos específicos do Pix. Por exemplo:
- A detecção de smurfing identifica quando grandes valores são divididos em várias transferências pequenas para evitar fiscalização;
- Contas de “laranjas” são sinalizadas por fluxos suspeitos em que usuários movimentam fundos ilícitos sem saber;
- Esquemas de rápida disseminação, nos quais o dinheiro circula rapidamente por diversas contas para obscurecer sua origem;
- Anomalias comportamentais, como mudanças súbitas na frequência ou nos valores das transações de um cliente.
Essas estratégias de fraude também estão documentadas no Identity Fraud Report 2025-2026 da Sumsub, que destacou que 31% dos usuários na América Latina já foram abordados para atuar como “laranjas“. Globalmente, as tentativas sofisticadas de fraude aumentaram em 180%, incluindo abuso coordenado de contas e movimentações pós-KYC que afetam diretamente o setor financeiro.
Ao incorporar essas regras localizadas no monitoramento, as instituições conseguem responder à velocidade e irreversibilidade das transferências via Pix, adaptando seus controles às táticas de fraude em constante evolução no mercado local.
Crypto ID: Quando a solução identifica uma transação de alto risco, qual é exatamente a ação possível para a instituição financeira? A ferramenta apenas gera um alerta ou pode ser integrada a mecanismos de bloqueio, revisão ou retenção da operação antes de sua conclusão?
Georgia Sanches: Quando uma transação é sinalizada como de alto risco, o sistema gera um alerta imediato e envia esse sinal para o sistema da instituição. Dependendo de como a integração está configurada, esse alerta pode acionar ações automáticas.
A flexibilidade está na própria estratégia de risco de cada organização: algumas preferem apenas receber alertas, enquanto outras integram as regras de monitoramento diretamente aos controles operacionais para bloquear fluxos suspeitos ou colocar contas sob observação para bloqueio futuro.
Em ambos os casos, o design garante que as decisões sejam tomadas em tempo real, antes que a transação seja liquidada de forma irreversível no sistema Pix.
Crypto ID: Quem contrata essa solução e quais os benefícios para a instituição bancária e seus clientes finais?
Georgia Sanches: A solução é contratada diretamente por instituições financeiras que operam o Pix e desejam fortalecer seus frameworks de prevenção à fraude.
Para os bancos, os benefícios incluem a detecção em tempo real de transações suspeitas, redução de perdas financeiras e maior conformidade com as exigências do Banco Central, o que diminui o risco regulatório e melhora a eficiência operacional. Nosso objetivo é ajudar a construir confiança e conformidade em um cenário em que as instituições precisam processar centenas de milhares de transações Pix diariamente.
Para os clientes, o principal ganho é a confiança: eles passam a ter mais segurança contra golpes e transferências não autorizadas, além de uma resolução mais rápida quando há tentativas de fraude; tudo isso mantendo a velocidade esperada do Pix e sem introduzir fricções desnecessárias que poderiam tornar o processo mais lento.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Georgia Sanches, Country Manager da Sumsub no Brasil, pela participação nesta entrevista e pela contribuição para o debate sobre prevenção a fraudes no Pix, análise de risco em tempo real e o uso de dados do DICT na proteção das transações digitais.
Agradecemos também à Sumsub pela parceria e pela disponibilidade em compartilhar informações e perspectivas sobre os desafios de segurança que acompanham a evolução dos pagamentos instantâneos no Brasil.
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