Em ID Talk exclusivo, Francisco Carvalho, CEO do Blockchain.RIO, conta a trajetória do maior evento de blockchain da América Latina
O Rio de Janeiro volta a ser a capital da Web3 na América Latina. Nos dias 12 e 13 de agosto, o ExpoRio, na Cidade Nova, recebe o Blockchain.RIO 2026, o maior evento de blockchain e ativos digitais da região, precedido, no dia 11, pelo encontro exclusivo Leaders, na Casa Camolese, no Jardim Botânico.
Os números desta edição impressionam: mais de 500 palestrantes, mais de 150 patrocinadores, expositores e apoiadores, mais de 200 conteúdos entre trilhas, painéis e palestras, e representantes de dezenas de países. O palco reunirá nomes como Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, Sergey Nazarov, cofundador da Chainlink, Michael Shaulov, CEO da Fireblocks, além de executivos de instituições como Coinbase, Binance, Circle, Bybit, BTG Pactual, Itaú, Bradesco, Santander, Inter, Moody’s, CVM, Banco de Compensações Internacionais (BIS), a autoridade de serviços financeiros de Dubai e o regulador de ativos digitais de El Salvador.
O Crypto ID acompanha o Blockchain.RIO desde a sua primeira edição, em 2022, como um dos parceiros de mídia do evento em várias edições, e estará presente novamente em 2026 para a cobertura completa.

Para abrir essa cobertura, conversamos com Francisco Carvalho, CEO e fundador do Blockchain.RIO, sobre a origem, a evolução e o futuro do evento que transformou o Rio de Janeiro no ponto de encontro institucional do ecossistema Web3 latino-americano.
Leia entrevista completa!
Crypto ID: Francisco, quatro anos separam o Blockchain.RIO 2026 daquela primeira edição no Píer Mauá, em setembro de 2022. O que motivou você e seus sócios a idealizarem o evento naquele momento? Que lacuna vocês enxergavam no Brasil
Francisco Carvalho: Quando idealizamos o Blockchain.RIO, em 2022, enxergávamos uma lacuna muito clara no Brasil: o mercado já tinha talento, tecnologia, capital intelectual, empresas relevantes e uma comunidade ativa, mas ainda faltava um ponto de encontro capaz de organizar essa potência em uma agenda pública, institucional e de negócios.
Naquele momento, blockchain ainda era muito associado apenas a cripto ativos, volatilidade e especulação. A nossa visão era mais ampla. Entendíamos blockchain como uma infraestrutura estratégica para a nova economia digital, com impacto em finanças, identidade, regulação, pagamentos, mercados de capitais, arte, games, governança e inovação corporativa.
O Blockchain.RIO nasceu justamente para aproximar esses mundos: comunidade, empresas, reguladores, instituições financeiras, setor público, investidores, desenvolvedores e novos entrantes. Desde o início, a ideia nunca foi fazer apenas um evento. A proposta era criar uma plataforma de conexão e construção de mercado.
Crypto ID: A primeira edição nasceu grande, com a proposta de falar de blockchain tanto para quem já dominava o assunto quanto para quem estava chegando. Olhando para trás, o que daquela visão original se realizou e o que mudou completamente?
Francisco Carvalho: A visão original se confirmou em um ponto essencial: blockchain precisava ser discutida de forma acessível, mas sem perder profundidade. Desde a primeira edição, buscamos construir uma agenda capaz de dialogar com quem já estava no ecossistema e, ao mesmo tempo, abrir portas para quem vinha do mercado financeiro, da tecnologia, do setor público, da academia ou de outros segmentos da economia.
O que mudou foi a maturidade do mercado. Em 2022, ainda havia uma necessidade muito grande de explicar conceitos básicos, traduzir o potencial da tecnologia e separar o que era tendência estrutural do que era ruído de mercado. Hoje, a discussão avançou. Falamos de tokenização de ativos reais, stablecoins, infraestrutura de pagamentos, custódia institucional, compliance, Drex, interoperabilidade, regulação e integração com o sistema financeiro tradicional.
O Blockchain.RIO acompanhou essa evolução. Ele começou como um grande encontro do ecossistema e se consolidou como uma plataforma institucional. O evento continua aberto, dinâmico e plural, mas hoje ocupa também um espaço de articulação entre empresas, reguladores, instituições financeiras e lideranças globais que estão efetivamente construindo a próxima camada da infraestrutura financeira digital.
Crypto ID: O evento evoluiu de festival para uma plataforma institucional, e novas plenárias e palcos foram incorporados ao longo das edições, como o Blockchain Insights, o palco CRIA, do Centro de Regulação e Inovação Aplicada, o Regulation Rocks, em parceria com a Fenasbac, além do encontro Leaders e, agora, o Financial Infrastructure Forum. Como cada uma dessas frentes foi surgindo e o que elas dizem sobre a maturidade do mercado
Francisco Carvalho: Cada uma dessas frentes nasceu de uma demanda real do mercado. À medida que o ecossistema evoluiu, percebemos que não bastava ter uma programação ampla. Era necessário criar ambientes específicos para diferentes níveis de discussão, relacionamento e tomada de decisão.
O Blockchain Insights surgiu para aprofundar tendências e temas estratégicos do setor. O CRIA reforça a importância da regulação e da inovação aplicada, aproximando o debate técnico do ambiente institucional. O Regulation Rocks, em parceria com a Fenasbac, responde à necessidade de um diálogo mais qualificado entre mercado, reguladores e profissionais ligados ao sistema financeiro.
O Leaders nasceu para conectar executivos, investidores, autoridades e tomadores de decisão em um ambiente mais reservado, voltado ao relacionamento estratégico. E o Financial Infrastructure Forum – LATAM representa um novo passo: é uma frente dedicada à infraestrutura financeira, tokenização, stablecoins, pagamentos, liquidação, custódia e interoperabilidade.
Essa arquitetura mostra que o mercado amadureceu. Saímos de uma fase de evangelização para uma fase de implementação, regulação e institucionalização. Hoje, a pergunta central não é mais se blockchain terá impacto. A pergunta é como essa tecnologia será integrada à infraestrutura financeira, aos mercados e à economia real.
Crypto ID: Esta edição registra um número excepcional de patrocinadores, expositores e apoiadores: mais de 150 marcas. O que esse engajamento comercial revela sobre o momento do setor de ativos digitais no Brasil e na América Latina
Francisco Carvalho: Esse engajamento mostra que o setor deixou de ser periférico. Quando mais de 150 marcas se conectam a uma edição do Blockchain.RIO, estamos falando de um movimento que envolve não apenas empresas nativas de cripto, mas também bancos, fintechs, provedores de infraestrutura, empresas de tecnologia, consultorias, fundos, reguladores, entidades setoriais e grandes corporações.
Isso revela que ativos digitais, tokenização e blockchain entraram definitivamente na agenda estratégica das instituições. As empresas não estão mais olhando para esse mercado apenas como uma tendência distante. Elas estão buscando posicionamento, relacionamento, acesso qualificado, desenvolvimento de negócios e entendimento regulatório.
Na América Latina, esse movimento é ainda mais relevante porque temos desafios e oportunidades muito específicos: inclusão financeira, pagamentos transfronteiriços, eficiência de mercado, acesso a capital, modernização de infraestrutura e integração regional. O Brasil tem uma posição privilegiada nesse processo, e o Blockchain.RIO se tornou um ambiente onde essa agenda é discutida de forma prática, institucional e conectada ao mercado global.
Crypto ID: Qual a estimativa de público para 2026? E qual o perfil desse participante hoje, em comparação com o público da primeira edição
Francisco Carvalho: A expectativa para 2026 é manter o Blockchain.RIO em um patamar superior a 20 mil participantes ao longo da programação, considerando a semana oficial, o evento principal e as ativações conectadas ao ecossistema. O crescimento não está apenas no volume de público, mas principalmente na qualificação desse público.
Na primeira edição, tínhamos uma presença muito forte da comunidade cripto, desenvolvedores, entusiastas, startups e empresas nativas do setor. Esse público segue sendo fundamental para o Blockchain.RIO, porque ele representa a base de inovação do ecossistema.
Mas o perfil se ampliou muito. Hoje recebemos executivos de bancos, fintechs, instituições financeiras, reguladores, advogados, profissionais de compliance, investidores institucionais, asset managers, empresas de infraestrutura, seguradoras, empresas de tecnologia, representantes do setor público, universidades e lideranças internacionais.
Isso mostra que blockchain deixou de ser uma conversa de nicho. Tornou-se uma agenda estratégica para quem está pensando no futuro dos mercados, dos pagamentos, da regulação, da identidade digital e da infraestrutura financeira.
Crypto ID: A presença internacional é um dos destaques: reguladores de Dubai e de El Salvador, consultores do BIS, executivos globais de Chainlink, Fireblocks, Coinbase, Bybit e Circle, além de representantes das câmaras de blockchain do Chile, da Argentina, do Paraguai e do Peru. Como o Blockchain.RIO se posicionou no circuito global de eventos para atrair esses nomes
Francisco Carvalho: O Blockchain.RIO conquistou relevância internacional porque construiu um posicionamento muito claro: somos a porta de entrada institucional para quem quer entender, acessar e participar da transformação dos ativos digitais e da infraestrutura financeira na América Latina.
O Brasil é um mercado extremamente relevante. Temos sofisticação financeira, alto nível de digitalização dos pagamentos, avanço regulatório, um ecossistema empreendedor forte e instituições que estão na fronteira da inovação. Para empresas globais, reguladores e líderes internacionais, o Brasil deixou de ser apenas um mercado consumidor. Ele passou a ser um laboratório importante para a próxima fase das finanças digitais.
Além disso, o Blockchain.RIO não oferece apenas visibilidade. Ele oferece contexto, acesso e relacionamento qualificado. Reunimos reguladores, bancos, infraestrutura, exchanges, emissores de stablecoins, empresas globais, associações regionais e lideranças locais em uma mesma plataforma.
Essa combinação tornou o evento relevante para quem quer compreender a América Latina a partir de um ambiente institucional, com diálogo real entre setor público, setor privado e mercado global.
Crypto ID: A participação de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, simboliza a aproximação entre o regulador e o mercado. Que peso tem para o evento receber, no mesmo palco, autoridades como o presidente do BC, superintendentes da CVM e representantes do Ministério Público Federal
Francisco Carvalho: A presença de autoridades desse nível tem um peso muito significativo porque demonstra a maturidade do debate. O mercado de ativos digitais precisa de inovação, mas também precisa de segurança jurídica, transparência, responsabilidade institucional e diálogo regulatório.
Receber o presidente do Banco Central, representantes da CVM, do Ministério Público Federal e de outras instituições públicas reforça que o Blockchain.RIO não é um espaço apenas de promoção de tecnologia. É um ambiente de discussão sobre infraestrutura, regulação, riscos, oportunidades e caminhos para o desenvolvimento sustentável do mercado.
Esse diálogo é essencial. A tecnologia avança rápido, mas a adoção institucional depende de confiança. E confiança se constrói com regras claras, cooperação, educação, supervisão adequada e participação dos diferentes atores que compõem o sistema.
Para nós, é muito importante que o Blockchain.RIO seja um espaço onde mercado e reguladores possam conversar de forma qualificada. Não se trata de eliminar divergências, mas de criar um ambiente em que essas discussões aconteçam com profundidade e responsabilidade.
Crypto ID: Quais são os grandes temas de 2026? Tokenização, stablecoins, Drex, infraestrutura financeira, inteligência artificial? O que estará no centro do debate
Francisco Carvalho: O centro do debate em 2026 será a infraestrutura financeira digital. Tokenização, stablecoins, Drex, inteligência artificial, custódia, compliance, identidade digital e pagamentos transfronteiriços são temas conectados a uma discussão maior: como será construída a próxima geração da infraestrutura financeira.
A tokenização será um dos eixos centrais, especialmente quando falamos de ativos reais, mercado de capitais, fundos, crédito, recebíveis, imóveis e instrumentos financeiros. Stablecoins também estarão em destaque, não apenas como ativos digitais, mas como infraestrutura para pagamentos, liquidação, remessas e integração entre mercados.
O Drex entra nesse contexto como uma iniciativa fundamental para o Brasil, porque coloca o país na fronteira do debate sobre moeda digital, programabilidade, liquidação e integração com ativos tokenizados. Já a inteligência artificial aparece como uma camada transversal, com impacto em segurança, análise de dados, automação, compliance, experiência do usuário e novos modelos de negócio.
Mas a discussão principal é a convergência. Não estamos mais falando de temas isolados. Estamos falando de como blockchain, IA, regulação, identidade, pagamentos e infraestrutura institucional se conectam para transformar o funcionamento dos mercados.
Crypto ID: O Crypto ID nasceu, há 12 anos, do binômio que dá nome ao portal: criptografia e identidade, cryptographic & identity, que consideramos a base de confiança de qualquer transação digital. Esse foi o nosso foco desde a origem e, ao longo dos anos, esse espectro se expandiu para as pautas de segurança da informação, cibersegurança e transformação digital. No Blockchain.RIO enxergamos essa mesma essência: não há blockchain, tokenização ou ativo digital sem criptografia e sem identidade confiável. Como esses fundamentos, identidade digital, criptografia e segurança das transações, aparecem na programação desta edição
Francisco Carvalho: Esses fundamentos aparecem de forma transversal na programação. Não existe blockchain sem criptografia. Não existe tokenização institucional sem identidade confiável. E não existe adoção em escala sem segurança, compliance e governança.
À medida que o mercado avança para tokenização de ativos reais, stablecoins, Drex, custódia institucional e pagamentos digitais, a discussão deixa de ser apenas sobre emissão de tokens. Passa a ser sobre quem participa da transação, como a identidade é verificada, como os ativos são protegidos, como os dados são tratados, como a liquidação acontece e como os riscos são mitigados.
Por isso, temas como identidade digital, cibersegurança, custódia, prevenção à lavagem de dinheiro, compliance, autenticação, privacidade e infraestrutura criptográfica estão diretamente conectados às trilhas de conteúdo do Blockchain.RIO.
O Crypto ID tem uma trajetória muito importante ao olhar para criptografia e identidade como bases da confiança digital. Essa visão dialoga diretamente com o que vemos hoje no mercado: a próxima fase da adoção institucional de blockchain dependerá menos do discurso sobre inovação e mais da capacidade de construir confiança técnica, regulatória e operacional.
Crypto ID: A agenda de 2026 começou em São Paulo, com o pré-lançamento oficial no inovabra habitat, o ecossistema de inovação do Bradesco, reunindo nomes como Visa, Binance, Fireblocks, ABcripto, ABToken e Anbima. Qual o papel desse pré-evento paulistano na estratégia do Blockchain.RIO e na construção da ponte entre o mercado financeiro tradicional e o ecossistema Web3? E, olhando adiante, o que podemos esperar da próxima edição
Francisco Carvalho: O pré-lançamento em São Paulo teve um papel estratégico muito claro. São Paulo concentra uma parte relevante do mercado financeiro, das fintechs, dos investidores, das grandes empresas e das instituições que estão olhando para blockchain de forma cada vez mais séria. Realizar esse encontro no inovabra habitat, em um ambiente conectado ao ecossistema de inovação do Bradesco, reforçou essa ponte entre o mercado financeiro tradicional e a Web3.
A presença de nomes como Visa, Binance, Fireblocks, ABcripto, ABToken e Anbima mostra exatamente essa convergência. O Blockchain.RIO tem o Rio de Janeiro como sua casa e como palco principal, mas sua agenda é nacional e latino-americana. São Paulo foi uma etapa importante de relacionamento, alinhamento institucional e preparação do mercado para a edição de agosto.
O que podemos esperar da próxima edição é um Blockchain.RIO ainda mais institucional, internacional e conectado à infraestrutura real do mercado. A tendência é que o evento continue expandindo sua atuação para além dos dias de conferência, com fóruns, encontros executivos, agendas setoriais, relacionamento internacional e iniciativas ao longo do ano.
O Blockchain.RIO deixou de ser apenas o momento em que o ecossistema se reúne. Ele está se consolidando como uma plataforma permanente de articulação para o futuro dos ativos digitais, da tokenização e da infraestrutura financeira na América Latina.
O Crypto ID agradece a Francisco Carvalho pela entrevista e estará presente no Blockchain.RIO 2026 para a cobertura completa do evento. Acompanhe nossos canais para os destaques das plenárias, entrevistas com os protagonistas e as principais discussões sobre blockchain, identidade digital e finanças digitais na América Latina.
Serviço
Blockchain.RIO 2026
Leaders: 11 de agosto, Casa Camolese, Jardim Botânico, Rio de Janeiro
Evento principal: 12 e 13 de agosto, ExpoRio, Cidade Nova, Rio de Janeiro
Ingressos e programação: blockchainrio.com.br
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