No Mind The Sec 2026, Fabrina Souza, Michele Costa e Mariana Libonati, da Redtrust, discutem governança de credenciais ICP-Brasil, mitigação de riscos pós-emissão, rastreabilidade em tempo real, auditoria de uso e a expansão do ecossistema de parceiros no mercado brasileiro.
Um certificado digital corporativo pode estar perfeitamente válido, ter sido gerado dentro de uma cadeia de confiança inquestionável e cumprir à risca todos os padrões criptográficos exigidos. Ainda assim, a forma como ele é armazenado, distribuído e manipulado no cotidiano das organizações pode abrir uma das brechas mais perigosas para a cibersegurança atual.
É exatamente na linha que separa a legitimidade da emissão do descontrole sobre a utilização prática que se debruça esta edição especial do ID Talk, gravada pelo Crypto ID durante o Mind The Sec 2026, em São Paulo. Em entrevista conduzida por Susana Taboas, cofundadora do Crypto ID, o debate reuniu três lideranças da Redtrust , empresa do grupo Keyfactor especializada em plataformas de governança e custódia de certificados digitais): Fabrina Souza – Sales Account Specialist, Michele Costa – Sales Account Specialist e Mariana Libonati – Channel Account Manager Brasil.
A conversa percorre com profundidade toda a jornada de maturidade da gestão de identidades: desde a agilidade de implementação e a virada cultural das empresas, passando pelas políticas restritivas de acesso, auditoria detalhada e proteção no trabalho remoto, até a consolidação de um ecossistema estruturado de canais e integradores locais.
O desafio prático: da decisão corporativa à entrada em produção

A primeira parte da entrevista contou com a participação de Fabrina Souza, focando nas dores operacionais e na viabilidade técnica que as companhias encontram ao decidirem abandonar métodos manuais e descentralizados.
Tradicionalmente, gestores de tecnologia e segurança temem que projetos de centralização criptográfica resultem em cronogramas arrastados, atritos com usuários finais ou incompatibilidade com sistemas legados.
Fabrina desmistificou esse cenário ao pontuar que a Redtrust molda o cronograma à urgência de cada cliente, mantendo uma média de implantação bastante enxuta:
“Isso vai depender muito da necessidade que a empresa tenha. Existem empresas com urgência de implementação imediata e outras com um tempo maior; a Redtrust se adapta a esse cronograma. Em média, a implementação leva aproximadamente 7 dias. O principal ponto é o cliente nos disponibilizar agenda para os treinamentos. Nós nunca deixamos a empresa sozinha: disponibilizamos uma equipe local de Customer Success, com técnicos brasileiros nativos, que treina e acompanha os administradores até que fiquem totalmente autônomos.”
Outro aspecto destacado por Fabrina diz respeito à abrangência da ferramenta. Não há restrição de segmento de negócio, porte ou volume de certificados, a tecnologia atende desde pequenas organizações com poucos arquivos até grandes corporações com volumetrias massivas de credenciais em formatos .pfx e .p12 (abrangendo e-CNPJ e e-CPF).
Quanto à compatibilidade, a especialista reforçou que a ferramenta opera em conformidade tanto em aplicações locais instaladas quanto em qualquer portal da web que exija o uso de certificado digital, como o Centro Virtual de Atendimento da Receita Federal (e-CAC) e o ambiente unificado gov.br.
Ao abordar a evolução das ameaças cibernéticas, Fabrina advertiu que os agentes maliciosos têm concentrado seus ataques no roubo de credenciais válidas corporativas, tornando as invasões silenciosas e difíceis de mitigar:
“Hoje as empresas ainda não estão preparadas. Muitas trabalham de forma muito liberal, deixando o certificado digital salvo na máquina do usuário. Vale lembrar que o certificado tem validade jurídica: na posse dele, um usuário ou invasor pode comprar, vender, fechar contratos ou pedir empréstimos em nome da empresa, gerando danos irreversíveis que podem levar até à falência. Além disso, sem gestão de vencimentos, certificados expiram sem aviso, paralisando a operação. E se a empresa perde tempo com a operação parada, ela perde dinheiro.”
Do pós-emissão ao controle estrito: a virada de chave na governança

Na sequência conversamos com Michele Costa que aprofundou os aspectos técnicos de vulnerabilidade inerentes ao ciclo de vida das credenciais corporativas no Brasil. Uma das reflexões centrais trazidas por Susana Taboas foi a sensação de segurança gerada pelo rigor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) porque embora o processo de emissão, identificação e validação seja blindado por rígidas regras e auditorias, todo esse arcabouço não impede o mau uso subsequente dentro dos departamentos de uma empresa.
Michele esclareceu exatamente o ponto em que a tecnologia de custódia centralizada passa a ser indispensável:
“A Redtrust é o passo que vem imediatamente após a emissão dos certificados digitais. Depois que a empresa emite os certificados, sejam e-CPF ou e-CNPJ, ela perde a visibilidade do que é feito com eles. É aí que nós entramos. A organização passa a definir exatamente quem pode utilizar o certificado, onde pode utilizar, para que finalidade e em quais janelas de tempo. Nós limitamos os acessos a ações pré-determinadas, além de mantermos alertas em tempo real para usos permitidos ou tentativas indevidas dos certificados e gerarmos auditoria completa.”
No modelo convencional de trabalho, departamentos inteiros — como Contabilidade, Recursos Humanos, Fiscal, Suprimentos e Jurídico — necessitam manipular o mesmo e-CNPJ, simultaneamente. A prática corriqueira e arriscada observada nas empresas é a exportação do arquivo e o envio de cópias por e-mail ou pastas de rede para diversos computadores.
A solução da Redtrust elimina radicalmente a instalação e o trânsito do arquivo criptográfico nas estações de trabalho. Um agente local instalado no computador atua como intermediário seguro, simulando o certificado no repositório nativo do sistema operacional Windows sem jamais entregar a chave privada ao operador. Para o colaborador, a rotina ganha simplicidade, autenticando-se com seu login corporativo ou via integração Single Sign-On (SSO).
Michele também enfatizou o nível de rastreabilidade gerado pelas trilhas de auditoria da ferramenta e a solução definitiva para o risco associado ao trabalho remoto:
“O certificado não fica mais instalado no computador do colaborador; tudo é gerenciado pelo agente da Redtrust. A solução registra uma auditoria detalhada com data, hora, URL exata acessada, navegador utilizado e até a obrigatoriedade de o funcionário justificar o motivo do uso antes de liberar a ação. Isso resolve um enorme gargalo com equipes em home office, ou se o colaborador é desligado, a empresa não precisa correr para revogar o certificado nem reemitir tudo. Basta desabilitar o usuário no painel centralizado, transferir a licença e o acesso é cancelado na hora, sem risco e sem dores de cabeça.”
A força dos canais: aproximando a tecnologia do mercado nacional

No terceiro bloco da entrevista, Mariana Libonati apresentou a estratégia de expansão da Redtrust no mercado brasileiro através de sua rede de parceiros e alianças estratégicas. Embora a marca acumule uma sólida trajetória internacional — atuando na Espanha desde 2009 —, sua presença direta no Brasil foi estabelecida em 2023 com um time local, focando sua escala no fortalecimento de canais de valor agregado.
Mariana detalhou as duas estruturas de parceria desenhadas para o ecossistema brasileiro:
“Nosso programa de parceiros possui dois formatos bem definidos: o Silver e o Gold. O Silver é um modelo de recomendação comissionada, ideal para quem identifica a demanda no cliente e nós, Redtrust, cuidamos de toda a demonstração técnica e proposta comercial. Já o parceiro Gold atua como uma revenda direta, muito próximo ao cliente final, recebendo margens de desconto exclusivas que se mantêm nas renovações e assumindo o suporte de nível 1. Os parceiros são desde empresas de cibersegurança, autoridades certificadoras e integradores de tecnologia que agregam a Redtrust aos seus portfólios.”
De acordo com Mariana, a gestão centralizada de certificados digitais representa uma oportunidade evidente de receita recorrente para os parceiros, uma vez que a expansão de colaboradores e a inclusão de novas credenciais ampliam organicamente a demanda contratada ao longo dos anos. Mais do que uma oportunidade comercial, o modelo aproxima especialistas que já conhecem a realidade das empresas em cada região do país.
Ao concluir sua participação, a executiva reforçou a importância de adotar uma postura preventiva:
“Ter parceiros locais faz toda a diferença porque eles já construíram relações de confiança sólidas com os clientes e compreendem o mercado brasileiro a fundo. Nosso convite é para que as consultorias e empresas de segurança conversem conosco e integrem a solução. Precisamos reforçar a importância de tratar a gestão de certificados digitais com governança ativa antes que incidentes graves, perdas financeiras ou fraudes de identidade venham a acontecer.”
Governança criptográfica como pilar de cibersegurança
As discussões promovidas no estande da Redtrust durante o Mind The Sec 2026 deixam claro que a custódia de certificados digitais não pode mais ser tratada como mera rotina de TI ou tarefa operacional de departamentos administrativos.
Na era da sofisticação dos ataques à identidade digital, centralizar a custódia, restringir acessos por perfil, manter logs auditáveis e automatizar o controle de vencimentos consolidam-se como requisitos indispensáveis de governança, compliance e resiliência cibernética.
Assista ao ID Talk completo com Fabrina Souza, Michele Costa e Mariana Libonati, da Redtrust, gravado com exclusividade pelo Portal Crypto ID durante o Mind The Sec 2026.
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