TokenNation 2026 reuniu lideranças do mercado financeiro, empresas de tecnologia, especialistas e criadores para discutir stablecoins
A transformação digital deixou de ser uma discussão restrita aos especialistas em tecnologia. No primeiro dia do TokenNation 2026, realizado nesta segunda-feira (1º), no Pavilhão da Bienal de São Paulo, executivos, empresas, investidores, empreendedores, criadores e representantes do ecossistema de inovação se reuniram para debater como blockchain, tokenização, inteligência artificial e ativos digitais estão impactando modelos de negócio, relações de consumo e a economia criativa.
A programação evidenciou como tecnologias emergentes começam a ser incorporadas a desafios do mercado tradicional. Ao longo do dia, os diferentes palcos do evento promoveram discussões sobre regulação, stablecoins, infraestrutura financeira, novos produtos digitais, mercados preditivos, financiamento descentralizado de projetos, comunidades, empreendedorismo e oportunidades para criadores de conteúdo.
O primeiro dia reforçou uma característica central do TokenNation: a integração entre negócios, tecnologia e arte. Enquanto os painéis discutiram transformações que já influenciam empresas e consumidores, experiências imersivas, instalações e uma galeria dedicada à arte digital ampliaram a proposta do evento, convidando o público a vivenciar as novas possibilidades abertas pela inovação.
A combinação entre conteúdo, networking e experiências culturais transformou a Bienal em um ambiente voltado ao aprendizado, à geração de conexões estratégicas, às novas parcerias e às oportunidades de negócio.
Stablecoins, Pix e cartões: tecnologias complementares
Entre os destaques da programação esteve o painel “Pix, cripto e cartão: quem vai mandar no seu dinheiro”, que reuniu Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais da Visa; Pedro Nascimento, do Banco Central do Brasil; Jorge Borges, Head Latam da Fireblocks; e Mariana Maria, da Exame, responsável pela mediação.
Ao discutir o avanço das stablecoins e os novos meios de pagamento, Antônia Souza destacou que a evolução tecnológica não deve ser interpretada como uma disputa em que uma solução necessariamente elimina a outra.
“Estamos longe do fim dos cartões, e as tecnologias estão se conectando. Não vemos como uma tecnologia canibal, mas que se complementam”, afirmou a executiva da Visa.
O debate também abordou os desafios de usabilidade que ainda precisam ser enfrentados para ampliar a adoção das stablecoins e a importância da programabilidade na criação de produtos financeiros mais eficientes. A avaliação dos participantes foi de que a integração entre diferentes tecnologias tende a abrir espaço para soluções híbridas, aproximando o mercado tradicional do ecossistema blockchain.
Regulação deve gerar segurança sem limitar o desenvolvimento do mercado
Outro debate relevante do primeiro dia tratou dos desafios regulatórios enfrentados pela indústria de ativos digitais no Brasil. O painel reuniu Guilherme Sacamone, Head LatAm da OKX; Daniel Paiva, advogado especialista; e Fábio Plein, Head LatAm da Coinbase, com mediação de Claudia Mancini.
Os participantes discutiram a necessidade de uma regulação capaz de oferecer previsibilidade e segurança jurídica sem criar barreiras desproporcionais para empresas e investidores. O consenso foi de que o amadurecimento regulatório pode contribuir para a consolidação do mercado brasileiro, mas exige diálogo com o setor e atenção à competitividade internacional.
“O cuidado daqui para frente é ser um mercado consolidado, mas não isolado”, afirmou Guilherme Sacamone.
O tema reforçou uma das discussões centrais do TokenNation: a adoção de novas tecnologias depende não apenas de inovação técnica, mas também da construção de um ambiente institucional que estimule o desenvolvimento responsável da indústria.
Blockchain para impacto social e inovação em Heliópolis
Entre os destaques da programação esteve o painel “UNICEF e TokenNation apresentam Blockchain pelas crianças”, que contou com a participação de Felipe Gonzalez, do UNICEF. Durante a conversa, o porta-voz apresentou a trajetória da organização no uso de blockchain em iniciativas de impacto social e destacou a parceria com a TokenNation no território de Heliópolis, em São Paulo.
Gonzalez lembrou que o UNICEF começou a testar blockchain em 2017, em projetos-piloto voltados a emergências humanitárias.
“O UNICEF começou a testar blockchain em 2017, sobretudo em emergências humanitárias com o rastreamento de pessoas em situação de refúgio. A partir da tokenização de identidades conseguimos acompanhar os deslocamentos de populações e apoiar a chegada de suprimentos. Em 2019, avançamos com a Ethereum Foundation na primeira experiência de um fundo em cripto dentro das Nações Unidas. Hoje, apoiamos 23 soluções baseadas em blockchain e impactamos 31 milhões de vidas em 159 países”, afirmou Felipe Gonzalez, do UNICEF.
O debate também abordou a parceria entre UNICEF e TokenNation, iniciada em 2024, a partir de um protótipo de ações de blockchain para crianças em Heliópolis, dentro do programa Helipa Games.
“A iniciativa envolveu meninas do território no desenvolvimento de jogos, desdobrou-se em um festival de games em 2025 e hoje se materializa na formação de agentes de inovação comunitária. Elas lideram e idealizam seus próprios projetos a partir da vivência e do entendimento de suas realidades”
A avaliação apresentada por Gonzalez foi de que blockchain pode ser aplicado a partir de três lentes principais, sistemas auditáveis, soluções open source e escala, ampliando transparência, adaptação local e impacto em comunidades.
Inteligência artificial, Web3 e economia criativa ampliam oportunidades
A programação também abordou a intersecção entre blockchain e inteligência artificial, o avanço dos mercados preditivos, o uso de estruturas descentralizadas para financiamento de pesquisas e os caminhos para empreendedores que buscam desenvolver negócios baseados em inovação.
No Palco Onchain, o painel “Atenção é dinheiro” discutiu como a Web3 vem criando novas oportunidades para criadores de conteúdo e marcas interessadas em construir comunidades mais engajadas. A conversa destacou a necessidade de desenvolver narrativas autênticas e modelos de relacionamento menos dependentes de fórmulas padronizadas.
“A Web3 já mudou para sempre a forma como ganhamos dinheiro na internet. Para os criadores de conteúdo, é um novo oceano de oportunidades”, afirmou OxCokinha, criador de conteúdo no X.
O Palco HackaNation ampliou a perspectiva ao trazer discussões sobre inclusão, formação e transformação social, demonstrando como o avanço tecnológico também pode gerar impacto concreto na vida das pessoas e ampliar o acesso a novas oportunidades.
Arte como linguagem da inovação
Na Bienal, a discussão sobre a nova economia digital também ganhou dimensão sensorial. A arte digital e as experiências imersivas ocuparam um espaço estratégico na jornada do público, aproximando conceitos como inteligência artificial, blockchain, tokenização e cultura digital de uma linguagem mais acessível e inspiradora.
A proposta reflete a própria trajetória do TokenNation, criado originalmente como NFT Brasil e reposicionado para acompanhar o amadurecimento do mercado. Ao conectar arte, tecnologia e negócios, o evento demonstra que inovação não se limita a infraestrutura ou ativos digitais: ela também transforma a maneira como ideias são criadas, apresentadas e compartilhadas.

“O TokenNation foi construído para aproximar universos que não podem mais caminhar separadamente. Tecnologia, negócios, cultura e arte fazem parte da mesma transformação. Quando reunimos empresas, especialistas, criadores e comunidades na Bienal, criamos um ambiente em que a inovação deixa de ser apenas uma tendência e passa a gerar conexões, aprendizado e oportunidades reais.” Afirma Marco Antonio Affonseca, founder e CEO do TokenNation.
O posicionamento está alinhado à proposta do ecossistema, que atua como ponte entre tecnologias emergentes e as demandas concretas do mercado tradicional, traduzindo tendências em aplicações práticas, decisões estratégicas e novas possibilidades de negócio.
Programação continua nesta terça-feira na Bienal
O TokenNation 2026 continua nesta terça-feira (2), no Pavilhão da Bienal de São Paulo, com novos painéis, experiências imersivas, encontros de relacionamento e oportunidades de networking.
Entre os destaques do segundo dia estão a rodada de negócios voltada à conexão entre startups, empresas e investidores; a continuidade das experiências ligadas à arte digital; e a etapa final do HackaNation 2026, hackathon oficial do evento. A programação prevê a apresentação dos projetos no Palco HackaNation e o anúncio das soluções vencedoras às 17h30.
A expectativa é ampliar as discussões iniciadas no primeiro dia e fortalecer a Bienal como um ponto de encontro entre quem desenvolve tecnologia, quem investe em inovação e quem busca compreender como essas transformações podem gerar valor para empresas, comunidades e para a sociedade.
Serviço: TokenNation 2026 – segundo dia
- Data: 2 de junho de 2026
- Local: Pavilhão da Bienal de São Paulo (Parque Ibirapuera, São Paulo)
- Programação: painéis, experiências imersivas, arte digital, networking, rodada de negócios e final do HackaNation 2026
- Site: tokennation.com.br
Sobre o TokenNation
O TokenNation Brasil é um ecossistema brasileiro de inovação digital e tokenização que conecta líderes de mercado, empresas, educadores, criadores e comunidades às transformações da nova economia. Criada em 2022 como NFT Brasil e reposicionada oficialmente em 2025, a iniciativa integra blockchain, inteligência artificial, sustentabilidade, cultura digital e novos modelos de negócio. Sua proposta é traduzir tendências tecnológicas em aplicações práticas, decisões estratégicas e oportunidades reais de mercado.
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