Fabrizio Vargas, especialista em biometria da HID, explica como a tecnologia multiespectral, a criptografia forte e a detecção avançada de ataques de apresentação (PAD — Presentation Attack Detection) protegem contra spoofing.
A evolução dos golpes digitais, impulsionada por inteligência artificial generativa, deepfakes e ataques de engenharia social, está obrigando o setor financeiro a rever os limites da autenticação baseada exclusivamente em dispositivos móveis.
Em entrevista ao Crypto ID, Fabrízio Vargas detalhou como a companhia vem aplicando biometria facial multiespectral, criptografia de hardware e inteligência embarcada para elevar o nível de segurança em ambientes presenciais, especialmente em caixa eletrônico e terminais de autoatendimento bancário.
Durante a conversa, Fabrízio apresentou a HID U.ARE.U Face Module que oferece reconhecimento facial avançado, identificação e verificação usando imagens multiespectrais (MSI) com inteligência artificial e aprendizado de máquina.
Ele explicou que a HID U.ARE.U Face Module combina múltiplas camadas de captura biométrica, incluindo RGB, infravermelho e leitura tridimensional estruturada, permitindo distinguir um rosto humano real de tentativas de fraude utilizando telas, máscaras, fotografias impressas ou ataques de injeção. Segundo ele, a proposta da empresa é garantir “presença real” do usuário diante do terminal, algo que se tornou crítico diante da sofisticação crescente dos golpes digitais.

Um dos pontos centrais da entrevista foi a explicação técnica sobre a leitura multiespectral aplicada ao reconhecimento facial.
Fabrízio destacou que a tecnologia utiliza diferentes frequências de luz infravermelha para analisar morfologia facial, profundidade e resposta da pele humana, criando uma camada de verificação muito superior às soluções convencionais presentes em smartphones. Segundo ele, enquanto celulares dependem majoritariamente de imagens visíveis e podem ser vulneráveis a manipulações, a arquitetura da HID foi desenhada especificamente para cenários de segurança crítica.
A entrevista também aprofundou o tema dos chamados “ataques de apresentação” e “ataques de injeção”, atualmente entre as principais preocupações do mercado financeiro.
Fabrízio explicou que criminosos conseguem manipular dispositivos móveis para inserir imagens legítimas diretamente na cadeia de autenticação, simulando a presença do usuário real. De acordo com Fabrizio, o U.ARE.U Face Module foi projetado para confirmar a “presença real” do usuário em frente ao terminal — algo que se tornou crítico diante da crescente sofisticação dos golpes digitais.
Outro destaque da conversa foi a preocupação da empresa com vieses biométricos e diversidade étnica. O executivo afirmou que o uso de infravermelho reduz significativamente problemas relacionados à tonalidade de pele e iluminação, permitindo uma leitura mais uniforme entre diferentes perfis populacionais. Fabrízio citou ainda os testes realizados pelo NIST, órgão norte-americano de padronização e métricas, utilizados para avaliar precisão algorítmica, resistência a ataques e presença de vieses raciais, etários e de gênero.
A conversa encerrou com uma antecipação da participação da HID no Febraban Tech 2026, onde a empresa pretende apresentar novas evoluções em gestão de identidade, biometria facial e autenticação segura para ambientes financeiros. Fabrízio também destacou que a companhia seguirá investindo em integração com sistemas legados bancários, permitindo implementação simplificada em estruturas já existentes.
Ao longo da entrevista, Fabrizio também reforçou a visão da HID de que o mercado financeiro vive um movimento de revalorização da presença física e do atendimento híbrido. Segundo Fabrízio, embora a abertura de contas e diversas operações tenham migrado para o digital, operações de maior valor e decisões patrimoniais continuam exigindo ambientes de maior confiança, onde a biometria presencial passa a exercer papel estratégico.
A entrevista reforça um debate cada vez mais presente no setor: em um cenário onde deepfakes e fraudes sintéticas evoluem rapidamente, segurança biométrica deixou de ser apenas conveniência e passou a representar um componente central da infraestrutura de confiança digital.
Glossário
Ataque de Apresentação (Presentation Attack)
Tentativa de enganar um sistema biométrico utilizando elementos falsos, como fotos, vídeos, máscaras 3D ou deepfakes, para simular a presença de uma pessoa legítima.
Ataque de Injeção
Fraude em que imagens ou dados biométricos são inseridos diretamente na cadeia de autenticação de um dispositivo, sem que a pessoa esteja fisicamente presente diante da câmera.
Biometria Facial Multiespectral
Tecnologia que utiliza diferentes espectros de luz, como RGB e infravermelho, para analisar características físicas do rosto humano e aumentar a resistência contra fraudes biométricas.
Falso Negativo
Erro biométrico em que um sistema não reconhece um usuário legítimo previamente cadastrado.
HSM (Hardware Security Module)
Equipamento criptográfico especializado na geração, armazenamento e proteção de chaves criptográficas utilizadas em sistemas críticos de segurança.
Infrared / Infravermelho
Faixa do espectro eletromagnético invisível ao olho humano utilizada em sistemas biométricos para leitura de profundidade, morfologia e características da pele.
ISO/IEC 30107-3
Norma internacional que define testes e critérios de avaliação para detecção de ataques de apresentação em sistemas biométricos.
Leitura 3D Estruturada
Método biométrico que projeta padrões luminosos sobre o rosto para medir profundidade e construir um mapa tridimensional da face humana.
Lumidigm
Tecnologia biométrica originalmente especializada em leitura multiespectral de impressões digitais, incorporada ao portfólio da HID.
NIST (National Institute of Standards and Technology)
Instituto norte-americano responsável por pesquisas e testes de referência utilizados mundialmente para avaliação de algoritmos biométricos e criptográficos.
Processamento Neural Embarcado
Capacidade de executar algoritmos de inteligência artificial diretamente no hardware do dispositivo, sem depender de processamento externo.
RGB
Modelo de captura de imagem baseado nas cores vermelho, verde e azul, utilizado em câmeras convencionais.
SDK (Software Development Kit)
Conjunto de ferramentas e bibliotecas utilizado para integrar tecnologias e dispositivos a sistemas e aplicações.
Template Biométrico
Representação matemática das características biométricas de um indivíduo utilizada para autenticação ou comparação.
USB Plug and Play
Capacidade de um dispositivo ser conectado e reconhecido automaticamente por um sistema, simplificando integração e instalação.
Sobre HID

A HID impulsiona as identidades confiáveis de pessoas, lugares e coisas no mundo. Tornamos possível que as pessoas realizem transações com segurança, trabalhem produtivamente e viajem livremente. Nossas soluções de identidade confiáveis proporcionam às pessoas acesso conveniente a lugares físicos e digitais e conectam coisas que podem ser identificadas, verificadas e rastreadas digitalmente.
Milhões de pessoas em todo o mundo usam os produtos e serviços da HID e bilhões de coisas estão conectadas por meio da tecnologia da HID.
Trabalhamos com governos, instituições educacionais, hospitais, instituições financeiras, empresas industriais e algumas das empresas mais inovadoras do planeta. Com sede em Austin, Texas, a HID tem mais de 4.500 funcionários em todo o mundo e opera escritórios internacionais que atendem a mais de 100 países. A HID é uma marca do Grupo ASSA ABLOY. Para mais informações, visite o site
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