RevOps Summit 2026 discutiu como posicionamento, confiança e relações públicas influenciam os resultados das empresas. Em um mercado orientado por IA, a credibilidade dos canais e a contextualização das informações ganham importância
A inteligência artificial permite que empresas multipliquem suas mensagens, automatizem abordagens comerciais e ampliem sua presença digital. Entretanto, aumentar a exposição de uma marca não significa necessariamente conquistar a confiança do mercado.
Esse foi um dos pontos discutidos no RevOps Summit 2026, realizado ontem, 14 de outubro, no Teatro Santander, em São Paulo. Em sua terceira edição, o encontro reuniu especialistas em marketing, vendas, atendimento, tecnologia e Revenue Operations para debater estratégias de crescimento e geração de receita.
Entre os assuntos abordados esteve um desafio que ganha importância com a expansão da inteligência artificial: como construir marcas reconhecidas e confiáveis em um ambiente no qual produzir e distribuir informações se tornou cada vez mais fácil?
A questão vai além da eficiência das campanhas e da capacidade de automatizar processos comerciais. Envolve posicionamento, consistência, credibilidade e, sobretudo, contexto.
Marcas que não conseguem explicar seu valor ampliam a confusão com IA
Durante a palestra “Pessoas compram de pessoas, e de marcas, também”, Beatriz Guarezi, especialista em branding e fundadora da Bits to Brands, questionou estratégias de comunicação B2B baseadas em automação e tentativas superficiais de humanização.

Para a especialista, personalizar uma mensagem utilizando o nome do destinatário ou adotar uma linguagem informal não é suficiente para estabelecer uma conexão verdadeira.
“Algo extremamente humanizado ainda pode ser totalmente confuso”, afirmou.
O problema se agrava quando empresas utilizam inteligência artificial para distribuir mensagens sem antes definir claramente seu posicionamento.
“Se a liderança não sabe responder em uma frase o que a marca faz, a automação e a IA vão apenas acelerar o desperdício de mídia e comunicação”, observou Guarezi.
A discussão evidencia uma limitação importante da automação: a tecnologia amplia a capacidade de execução, mas não substitui a necessidade de estratégia.
Uma empresa que não consegue explicar o que oferece, para quem oferece e qual problema resolve dificilmente obterá resultados consistentes apenas aumentando o volume de suas comunicações.
Reputação também depende de onde e como uma marca se comunica
A discussão sobre clareza e posicionamento conduz a outra questão fundamental para as empresas: a reputação não é construída apenas pelo que uma organização afirma sobre si mesma, mas também pela maneira como suas informações são apresentadas, contextualizadas e avaliadas publicamente.
Existe uma diferença relevante entre publicar uma mensagem publicitária, divulgar um comunicado institucional e participar de uma reportagem em um veículo especializado.
A publicidade permite que a empresa controle diretamente sua comunicação. Já o jornalismo acrescenta elementos que não dependem exclusivamente da vontade da marca: contextualização, análise, comparação, questionamentos e informações de interesse público.
Essa distinção é particularmente importante nos mercados B2B, nos quais produtos e serviços frequentemente envolvem soluções técnicas complexas, investimentos expressivos e decisões que exigem justificativas perante diferentes áreas das organizações.
Contextualizar uma informação é um requisito elementar da comunicação de qualidade
Não basta afirmar que determinada tecnologia é inovadora, segura ou eficiente. É necessário explicar como funciona, quais problemas resolve, quais limitações apresenta e por que merece a atenção do mercado.
Nesse processo, veículos especializados com histórico editorial consistente podem contribuir para que empresas, executivos e especialistas participem de discussões relevantes, alcançando públicos que precisam compreender tecnicamente suas propostas.
Isso não significa que a publicação de uma notícia represente um endosso à empresa mencionada. A credibilidade jornalística depende justamente da independência editorial e da capacidade de oferecer informações que ultrapassem o discurso comercial.
Confiança influencia as decisões de compra entre empresas
Outro aspecto destacado por Beatriz Guarezi foi a importância da identificação entre consumidores e marcas, inclusive no universo corporativo.
“Pessoas compram de pessoas, é verdade, mas pessoas também compram de marcas que elas entendem, em que confiam, com as quais se conectam e que as representam. Seja por quem elas são hoje, seja por quem elas querem ser.“
No ambiente B2B, essa relação envolve também a percepção de risco.
A contratação de uma solução tecnológica, por exemplo, pode exigir a participação das áreas de tecnologia, segurança da informação, compras, jurídica e financeira.
Cada uma dessas áreas avalia critérios diferentes. Por isso, a reputação de um fornecedor não depende exclusivamente da capacidade comercial de sua equipe, mas também das referências disponíveis, de sua trajetória, da qualidade das informações públicas e da confiança que consegue transmitir.
Uma marca pode conquistar visibilidade com publicidade. Entretanto, transformar essa visibilidade em confiança exige continuidade e coerência entre discurso, produtos, serviços e práticas empresariais.
Relações públicas e geração de receita também estiveram na pauta

Relações públicas e geração de receita: a reputação como ativo estratégico
A relação entre comunicação, reputação e resultados comerciais também esteve na pauta do RevOps Summit 2026, com a participação de Rodrigo Lóssio, CEO da Dialetto e profissional com mais de 20 anos de atuação em comunicação corporativa no ecossistema de tecnologia.
O executivo defende uma integração maior entre relações públicas, marketing, vendas e atendimento. Em publicação no LinkedIn, Lóssio observa que um dos problemas recorrentes das estratégias de comunicação é tratar a conquista de espaço na imprensa como resultado final, sem aproveitar posteriormente o conteúdo jornalístico nas relações comerciais.
Segundo ele, a cobertura de imprensa pode contribuir para diferentes etapas da jornada do cliente, desde a geração de demanda até a retenção e expansão de negócios. Para isso, as empresas precisam integrar as informações produzidas pelas equipes de comunicação às estratégias de marketing, vendas e relacionamento.
Em outra publicação, Lóssio destaca o papel da validação por terceiros nas decisões de compra B2B. Na avaliação do executivo, após receber uma abordagem comercial, o potencial cliente frequentemente pesquisa a empresa para verificar sua atuação, conhecer referências externas e avaliar sua credibilidade.
Nesse processo, a presença em veículos jornalísticos pode oferecer informações que ajudam o comprador a formar sua percepção sobre o fornecedor antes mesmo de iniciar uma negociação.
Lóssio também destaca a importância do conhecimento editorial especializado. Para ele, a construção de oportunidades de cobertura exige compreender os interesses dos jornalistas, identificar abordagens relevantes e desenvolver relacionamentos consistentes com os veículos de comunicação.
Nesse contexto, nós do Crypto ID, entendemos que “o valor da cobertura jornalística não deve ser medido apenas pela quantidade de publicações, mas também pela relevância das informações, pela credibilidade, pela consistência de sua atuação editorial ao longo do tempo e pela capacidade de contextualizar os assuntos para públicos estratégicos.”
Afinal, existe uma diferença importante entre uma marca simplesmente aparecer na mídia e ter sua atuação apresentada em um ambiente editorial que oferece contexto, conhecimento especializado e informações relevantes para a tomada de decisão.
A construção da reputação passa também por essa distinção. Não se trata apenas de conquistar visibilidade, mas de estabelecer uma presença consistente em canais capazes de contribuir para que o mercado compreenda o que a empresa faz, quais problemas resolve e qual é a relevância de suas soluções.
Consistência é o que transforma comunicação em reputação
Uma das reflexões centrais da palestra de Beatriz Guarezi foi a necessidade de manter coerência na construção das marcas.
Alterar continuamente o posicionamento, os conceitos e as mensagens pode dificultar o reconhecimento de uma empresa pelo mercado.
A reputação exige continuidade. Não se estabelece com uma campanha isolada, uma entrevista pontual ou uma sequência de conteúdos produzidos apenas para conquistar visibilidade.
Ela se desenvolve ao longo do tempo, por meio de experiências concretas, posicionamentos consistentes e informações que permitam ao público compreender o valor de uma organização.
Na era da inteligência artificial, produzir conteúdo tornou-se mais simples. Construir confiança continua exigindo tempo, contexto e credibilidade.
E essa talvez seja uma das distinções mais importantes para empresas que pretendem transformar investimentos em comunicação em resultados sustentáveis.
Sobre o RevOps Summit 2026
Realizado em 14 de outubro, no Teatro Santander, em São Paulo, o RevOps Summit 2026 chegou à terceira edição com uma programação divulgada de 32 sessões, 36 palestrantes e oito trilhas temáticas, abrangendo marketing, vendas, atendimento, inteligência artificial, relações públicas e operações de receita.
O encontro foi organizado pela 8D Hubify, reunindo profissionais e lideranças para discutir a integração entre tecnologia, dados, processos e estratégias de crescimento.
As fotos de Rodrigo Lóssio e Beatriz Guarezi foram publicadas originalmente para divulgação do evento RevOps Summit 2026
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