No Brasil, 66% das empresas pesquisadas já usam IA em operações industriais em tempo real, ampliando o desafio de identificar e autorizar máquinas, sistemas e agentes
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de análise e está chegando ao mundo físico. Máquinas, sensores, sistemas de visão computacional, robôs e equipamentos industriais começam a utilizar IA para observar, decidir e executar ações em tempo real.
Um dos levantamentos mais recentes mostra a velocidade desse movimento. O 2026 State of the Manufacturing Industry, divulgado pela Parsec Automation em 16 de julho, aponta que 72% dos fabricantes pesquisados já adotaram IA de alguma forma, embora apenas 10% tenham conseguido implementá-la em escala. O estudo ouviu 1.200 líderes da indústria em diferentes mercados.
No Brasil, o avanço é ainda mais evidente. O State of Industrial AI Report 2026, da Cisco, mostra que 66% das empresas brasileiras pesquisadas já utilizam IA em operações industriais em tempo real, acima da média global de 61%. Outros 38% afirmam já ter implementações maduras e em larga escala, ante 20% globalmente.
A dimensão econômica torna essa transformação especialmente relevante. O Perfil da Indústria Brasileira, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), atualizado em julho de 2026, mostra que a indústria responde por 20% do emprego formal brasileiro e por 67,7% das exportações de bens e serviços. A própria CNI mantém em sua plataforma um recorte específico para a indústria de transformação.
Quando uma decisão digital produz uma ação física
O ponto central muda quando a IA deixa de apenas recomendar uma decisão e passa a interferir diretamente em um processo produtivo.
Segundo a Cisco, a tecnologia já está sendo integrada a máquinas, sensores, sistemas de visão e operações autônomas. No levantamento, 100% dos entrevistados brasileiros consideram a cibersegurança fundamental para uma infraestrutura industrial preparada para IA e 49% apontam a segurança como o maior obstáculo para ampliar essas implementações.
É justamente aí que surge uma questão de identidade.
Em fábricas cada vez mais conectadas, não basta autenticar pessoas. Máquinas, dispositivos, aplicações e agentes de IA também precisam ter identidades verificáveis, permissões definidas e ações rastreáveis.
Quem autorizou determinado agente a comandar uma máquina? Como provar que a instrução veio do sistema correto? Uma credencial foi comprometida? O software executado era legítimo?
Pesquisa divulgada pela Keyfactor em janeiro de 2026 mostrou que 86% dos profissionais de cibersegurança entrevistados consideram que agentes de IA e sistemas autônomos não podem ser plenamente confiáveis sem identidades digitais próprias e dinâmicas.
À medida que a IA ganha autonomia no chão de fábrica, portanto, produtividade e segurança passam a depender também de uma capacidade bastante conhecida no universo da identidade digital: saber exatamente quem, ou o que, está autorizado a agir.
O que a indústria deve fazer agora?
Com a IA chegando ao chão de fábrica, a gestão de identidades precisa avançar junto. O gerenciamento de identidades e acessos controla quem ou o que pode acessar sistemas e recursos; o gerenciamento de acessos privilegiados protege contas e permissões com poderes elevados. Mas, em ambientes com milhares de pessoas, máquinas, aplicações, dispositivos e agentes de IA, é preciso ir além.
É aí que entra a IGA (Identity Governance and Administration), ou Governança e Administração de Identidades. Ela estabelece quem pode acessar o quê, por qual motivo, durante quanto tempo e quem aprovou esse acesso, além de automatizar concessões e revogações, revisar permissões e gerar evidências para auditoria.
Por esse motivo, a indústria precisa olhar para IGA (Identity Governance and Administration), ou Governança e Administração de Identidades. À medida que a IA ganha autonomia para analisar, decidir e executar ações no chão de fábrica, cresce também o número de identidades humanas e não humanas que precisam ser governadas.
A IGA ajuda a determinar quem ou o que pode acessar cada recurso, com quais permissões, por quanto tempo, sob qual aprovação e com quais limites, além de revisar e revogar acessos quando necessário.

Como resumiu Elson Condor, CEO e fundador da NetAdmin, em entrevista que fizemos durante o IAM Tech Day 2026, “governança real é resultado da integração entre processo, software e serviço”.
Em ambientes industriais cada vez mais orientados por IA, essa governança passa a ser essencial para impedir que agentes, aplicações ou usuários acumulem privilégios incompatíveis com suas funções.
Para a indústria, isso significa governar não apenas funcionários e fornecedores, mas também identidades não humanas, como máquinas, aplicações, dispositivos e agentes de IA.
Grandes indústrias dos setores automotivo, eletrônico, alimentos e bebidas, equipamentos e automação já utilizam Identidades Artificiais em seus ambientes produtivos e já atotam o IGA – Governança e Administração de Identidades.
Porque, quando uma IA pode comandar uma máquina, não basta saber se ela funciona. É preciso saber quem a autorizou a agir, quais são seus limites e como interromper esse acesso quando necessário.
O Crypto ID seguirá acompanhando essa evolução em suas colunas de OT, Inteligência Artificial e IAM onde identidade, cibersegurança e automação passam a fazer parte da mesma discussão.
ID Talk: NetAdmin demonstra no IAM Tech Day como transformar IAM em execução real nas empresas
NetAdmin Marca Presença no IAM Tech Day 2025 Com Destaque para IA e Segurança Cibernética
DLMS e OM-BR: como a criptografia fortalece a medição inteligente no Brasil
IAM: Segurança que vai além do acesso
Em um ambiente sem perímetro definido, é a identidade que define quem acessa, como acessa e até onde pode ir. E a disciplina se desdobra: o IGA governa e audita esses acessos, e o PAM protege os privilégios mais críticos. O Crypto ID, referência editorial em tecnologia e segurança digital, mantém conteúdo riquíssimo sobre IAM – Identity and Access Management e todo o seu ecossistema.
Acesse a coluna e confira.








