De maneira extremamente simples, podemos dizer que um computador quântico é aquele capaz de processar informações armazenadas em sistemas quânticos, como o campo magnético dos elétrons, níveis de energia dos átomos e até mesmo polarização de fótons; alguns deles já estão em operação.
Por Vivaldo José Breternitz

Vivaldo José Breternitz
Essas máquinas têm uma velocidade extremamente alta em relação aos computadores convencionais, podendo executar aplicações cujos tempos de processamento seriam impraticáveis com as máquinas atuais.
Além disso, a forma com que os dados são codificados nesse ambiente, dá a eles uma segurança muito grande.
Os Estados Unidos estão determinados a manter a supremacia nessa área da computação, e isso, além da construção de hardware e software desse tipo, inclui planos para a criação de uma internet quântica, uma rede similar à atual internet, mas com capacidade para transportar dados quânticos a uma velocidade altíssima.
Para o ano fiscal de 2021, deverão ser destinados US$ 1,3 bilhões para essa área, além de valores não divulgados para aplicações de computação quântica na área militar.
Para atingir esse objetivo, o Department of Energy (DOE), órgão de nível ministerial, desenvolveu planos para a criação de um protótipo para a internet quântica naquele país, protótipo esse que deve estar concluído em dez anos.
A espinha dorsal dessa rede será constituída pelos 17 laboratórios nacionais mantidos pelo DOE e um dos primeiros passos a serem dados será verificar se os protocolos de segurança da rede quântica serão suportados adequadamente pelas redes de fibra ótica hoje disponíveis.
Também será necessário verificar se funcionarão adequadamente nesse ambiente os repetidores quânticos que permitirão a transmissão de dados a longas distâncias.
Esses trabalhos já estão em andamento: o Argonne National Laboratory, ligado ao DOE, e a University of Chicago construíram uma rede quântica de cerca de 80 quilômetros, que está sendo usada para pesquisas na área.
Estamos ainda nos primeiros dias da computação e da internet quânticas, e como aconteceu com a ARPANET, a precursora da internet atual, ainda vai demorar muito tempo até que elas passem a fazer parte de nossa vida cotidiana, mas já podemos vislumbrar um futuro onde isso acontecerá.
Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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