Estudo global da Everpure revela que 64% das organizações não possuem uma estratégia formal de soberania de dados e 62% não têm visibilidade completa sobre quem acessa suas informações
O risco de perder o emprego por uma falha na soberania de dados preocupa 88% dos executivos de alto escalão de grandes empresas. Ao mesmo tempo, 64% das organizações não possuem uma estratégia formal para garantir o controle de suas informações, enquanto 62% não têm visibilidade completa sobre quem pode acessar, controlar e gerenciar esses dados.
Os números fazem parte do Global Data Sovereignty Report 2026, estudo encomendado pela Everpure à Vanson Bourne, que ouviu 2.100 executivos e líderes de tecnologia em oito países.
A pesquisa também revela que 91% dos entrevistados temem consequências financeiras e danos à reputação corporativa decorrentes de falhas relacionadas à soberania de dados.
O levantamento evidencia uma contradição: embora a maioria dos executivos reconheça a importância da soberania das informações, esse reconhecimento ainda não se traduz em políticas e mecanismos efetivos de governança, controle de acesso e proteção contra riscos geopolíticos.
Soberania de dados vai além do local de armazenamento
A soberania de dados envolve a capacidade de uma organização controlar suas informações, determinar quem pode acessá-las, conhecer as jurisdições às quais estão submetidas e estabelecer mecanismos para impedir acessos não autorizados ou interrupções de serviços essenciais.
O tema ganhou relevância com a expansão dos serviços em nuvem, o uso de plataformas internacionais de software como serviço (SaaS) e a adoção de inteligência artificial, que ampliam os fluxos de dados entre sistemas, fornecedores e países.
Segundo o levantamento, 90% das organizações reconhecem a soberania de dados como uma preocupação empresarial, enquanto 85% aceitariam abrir mão de funcionalidades tecnológicas avançadas para contratar um provedor local ou considerado soberano.
Além disso, 40% já restringem o uso de fornecedores de SaaS que dependem de infraestrutura localizada fora de seus países.
Para Alex McMullan, diretor internacional de Tecnologia da Everpure, a questão central não está apenas na localização física das informações.
“Os líderes seniores entendem que seus empregos estão em jogo quando se trata de soberania de dados, mas muitos ainda se concentram nos riscos errados. A soberania não diz respeito apenas ao local onde os dados são armazenados, mas à visibilidade e ao controle completos sobre eles por meio de uma gestão moderna de dados”, afirma.
O executivo também destaca a necessidade de identificar quem pode acessar os dados, quais jurisdições se aplicam e se informações ou serviços críticos podem sofrer interrupções.
Falta de visibilidade sobre acessos expõe fragilidades
Um dos resultados mais relevantes para a segurança da informação é a constatação de que 62% das organizações não possuem visibilidade completa sobre quem pode acessar, controlar e gerenciar seus dados.
O indicador evidencia uma dificuldade que ultrapassa a proteção da infraestrutura tecnológica e envolve diretamente a gestão de identidades, os privilégios de acesso, a rastreabilidade das operações e a governança dos ambientes digitais.
Em estruturas que combinam nuvens públicas, infraestruturas privadas, aplicações SaaS e sistemas de inteligência artificial, o controle precisa abranger tanto usuários humanos quanto identidades não humanas, como aplicações, serviços e agentes automatizados.
É importante observar que o estudo não apresenta uma medição específica sobre identidades não humanas. Essa é uma dimensão técnica da gestão de acessos que ganha relevância à medida que as organizações ampliam seus ambientes conectados e automatizados.
A pesquisa também identifica outras dificuldades:

Os resultados mostram que a preocupação com a soberania ainda convive com lacunas de planejamento, capacitação e mecanismos operacionais de proteção.
Inteligência artificial amplia as exigências de governança
Com a adoção crescente de inteligência artificial, o controle sobre a origem, a localização, o tratamento e o compartilhamento das informações passa a integrar as decisões sobre segurança e governança tecnológica.
A utilização de modelos de IA, plataformas externas e serviços automatizados exige atenção às permissões concedidas, à movimentação dos dados e às condições contratuais e regulatórias aplicáveis ao seu processamento.

No Brasil, Claudio Tancredi, country manager da Everpure, observa que empresas estão reavaliando a localização de seus dados mais sensíveis à medida que projetos de inteligência artificial avançam para ambientes de produção.
Segundo o executivo, custos, exigências regulatórias e necessidade de controle têm levado organizações a reconsiderar a distribuição de suas informações entre serviços em nuvem, infraestrutura própria e data centers de terceiros.
Tancredi também destaca que o avanço da inteligência artificial depende da qualidade dos dados, de estruturas de governança e de políticas claras de gestão.
Riscos geopolíticos entram na agenda dos conselhos de administração
A discussão sobre soberania de dados também envolve a possibilidade de informações corporativas estarem sujeitas a determinações legais de outros países, inclusive quando armazenadas ou processadas por fornecedores internacionais.
Rahiel Nasir, diretor de pesquisa e analista principal de Soberania Digital Mundial da IDC, avalia que o assunto deixou de se limitar à conformidade regulatória e passou a integrar as preocupações dos conselhos de administração.
“A soberania digital deixou de ser uma discussão sobre conformidade e se tornou uma preocupação crítica para os conselhos de administração”, afirma.
Segundo Nasir, as organizações precisam controlar os acessos e as transferências de dados, incluindo metadados, além de avaliar riscos associados a fornecedores, infraestrutura e solicitações extraterritoriais de informações.
Essa abordagem coloca a soberania de dados em uma dimensão mais ampla da gestão de riscos corporativos, relacionada à continuidade operacional, à segurança da informação e à capacidade de resposta diante de mudanças regulatórias e geopolíticas.
Soberania desde a concepção: governança baseada em riscos
Uma das abordagens discutidas no relatório é a chamada soberania desde a concepção, ou sovereignty by design.
O conceito propõe incorporar requisitos de soberania desde o planejamento dos sistemas e processos, considerando a criticidade dos dados, as jurisdições envolvidas, os modelos de acesso e os riscos associados a cada aplicação ou carga de trabalho.
Na prática, essa abordagem envolve identificar e classificar informações sensíveis, definir políticas de acesso, estabelecer mecanismos de auditoria e avaliar dependências de fornecedores e infraestruturas.
Também exige que as organizações conheçam os fluxos de dados entre ambientes e mantenham condições de identificar acessos e transferências incompatíveis com suas políticas internas.
O objetivo não é necessariamente manter todas as informações em infraestrutura nacional ou própria, mas assegurar que as decisões sobre armazenamento, processamento e compartilhamento sejam compatíveis com os requisitos de segurança, governança e risco de cada organização.
Sobre a pesquisa
O Global Data Sovereignty Report 2026 foi elaborado a partir de pesquisa encomendada pela Everpure à Vanson Bourne e realizada em junho de 2026, com 2.100 executivos C-level e líderes de tecnologia de grandes empresas.
O levantamento abrangeu oito países: Reino Unido, França, Alemanha, Austrália, Japão, Coreia do Sul, Singapura e Índia.
O Brasil não integrou a amostra, portanto os percentuais apresentados não representam especificamente a realidade das empresas brasileiras.
O relatório foi divulgado internacionalmente em 30 de setembro de 2026.
Consulte o Global Data Sovereignty Report 2026.
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