Estudo da PwC aponta que a expansão da inteligência artificial e a busca por soberania digital podem ampliar a participação brasileira nos investimentos globais em infraestrutura digital
O avanço da inteligência artificial (IA) está transformando a infraestrutura digital global e pode abrir novas oportunidades para países que tradicionalmente não estão entre os principais destinos de investimentos. A nova edição do estudo Global Data Centre Outlook 2026-2050, da PwC, em colaboração com a Oxford Economics, aponta que a busca por soberania digital pode redistribuir trilhões de dólares em investimentos e beneficiar economias com forte demanda por processamento de dados e aplicações de IA.
O Brasil, maior mercado latino-americano de investimentos em data centers, tem potencial para ampliar sua relevância global nesse cenário. Atualmente, o país parte de uma base de aproximadamente US$ 30 bilhões anuais em investimentos e pode alcançar cerca de US$ 60 bilhões por ano até 2050, caso se concretize um cenário de aceleração da adoção da inteligência artificial.
O estudo projeta que os investimentos globais em infraestrutura de data centers poderão atingir US$ 31,6 trilhões até 2050. A distribuição desses recursos, entretanto, dependerá cada vez mais de fatores geopolíticos, regulatórios e estratégicos.
Um dos cenários analisados considera a possibilidade de governos, instituições financeiras, órgãos públicos e setores regulados passarem a exigir que dados críticos e aplicações estratégicas de IA sejam hospedados e processados localmente.
Nesse contexto, os investimentos deixariam de se concentrar apenas nos grandes polos internacionais de tecnologia e passariam a favorecer países com mercados domésticos relevantes e demanda digital crescente.
Nas Américas, Brasil, Chile e Canadá estão entre os países que podem ampliar sua participação nos investimentos em infraestrutura digital, à medida que empresas e organizações buscam processar dados críticos e aplicações de IA mais próximos de seus usuários e sob as regras regulatórias locais.

“O Brasil reúne características importantes para atrair esta nova onda de investimentos. Somos um país com um grande mercado consumidor, economia em expansão da sua rede digital e matriz energética predominantemente renovável. À medida em que a IA se torna estratégica para empresas e governos, a necessidade de infraestrutura local para suportar essa demanda acompanha esta demanda”, afirma Daniel Martins, sócio e líder da PwC Brasil para o setor de energia e serviços de utilidade pública.
Soberania digital ganha protagonismo
O estudo da PwC indica que, diferentemente dos mercados sujeitos a restrições ao comércio internacional de semicondutores, a soberania digital tende a ter um impacto menor sobre o volume global de investimentos em data centers. Seu principal efeito seria a redistribuição dos recursos entre países e regiões.
Nesse cenário, o investimento global acumulado até 2050 sofreria apenas uma redução marginal, mas uma parcela maior dos recursos seria direcionada a mercados com demanda doméstica expressiva e infraestrutura ainda em desenvolvimento.
A tendência reflete a crescente preocupação de governos e empresas com segurança cibernética, proteção de dados, resiliência operacional e independência tecnológica. Setores como finanças, saúde, serviços públicos e defesa tendem a liderar esse movimento, impulsionando a demanda por processamento local de informações sensíveis e aplicações críticas.
Infraestrutura e energia serão decisivas para atrair investimentos
A disputa global por investimentos em inteligência artificial não será definida apenas pela capacidade de construir novos data centers. Segundo o estudo, fatores como disponibilidade de energia elétrica, conectividade, ambiente regulatório, segurança, oferta de chips avançados e agilidade na obtenção de licenças também serão determinantes para atrair capital.
Países que se posicionarem rapidamente poderão consolidar vantagens competitivas de longo prazo. Em contrapartida, regiões excessivamente dependentes de vantagens históricas ou que enfrentem limitações de energia, infraestrutura ou regulamentação poderão perder participação relativa no mercado global de IA.
“O desenvolvimento da inteligência artificial não é um movimento global capaz de beneficiar todos os mercados igualmente. Os países que conseguirem alinhar energia, infraestrutura digital, segurança regulatória e capacidade de execução terão melhores condições de atrair investimentos e gerar valor econômico”, completa Daniel Martins.
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