Regulação, energia e infraestrutura estão entre os principais desafios para ampliar a competitividade do Brasil no mercado global de data centers
O primeiro dia do Data Center World Brasil reuniu especialistas e lideranças do setor para discutir os principais desafios e oportunidades relacionados à expansão dos data centers no país. Entre os temas debatidos estiveram regulação, investimentos, conectividade e energia, considerados fatores estratégicos diante do aumento da demanda por infraestrutura digital e aplicações de inteligência artificial.

A abertura foi realizada por Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil, que destacou o papel dos data centers no desenvolvimento tecnológico brasileiro.

“O Brasil reúne um mercado de grande escala, uma economia fortemente digitalizada, conectividade internacional e uma matriz elétrica com participação relevante de fontes renováveis. A realização do Data Center World no Brasil demonstra o espaço que o Brasil vem ocupando na expansão da infraestrutura digital“, afirmou Benedicto.
Regulação e competitividade
Entre os destaques do primeiro dia esteve o painel “Infraestrutura como ativo geopolítico: competitividade, investimentos, regulação e o que precisa mudar”, que discutiu medidas para acelerar projetos e ampliar a competitividade brasileira no mercado global de data centers.
A aprovação do Redata, novo regime especial de tributação para serviços de data center, foi apontada como um avanço para estimular investimentos no setor. As discussões também abordaram medidas para reduzir impostos sobre a importação de hardware e fortalecer a infraestrutura nacional.
“Estamos trabalhando pela conectividade do Brasil”, explicou Valter Wolf, diretor de Projetos e Parcerias em Tecnologia da Brasscom.
Renan Alves, presidente da Associação Brasileira de Data Centers, destacou o potencial brasileiro diante da expansão da inteligência artificial. “O Brasil será um grande polo global de Inteligência Artificial“, afirmou.
Também participaram do painel Bruno Cavalcanti, da Conexis; Luiz Henrique Barbosa da Silva, da Telcomp; e Victor Arnaud, da Equinix.
Energia é apontada como gargalo estrutural
A disponibilidade de energia também esteve entre os principais temas do primeiro dia. No painel “Energia como gargalo estrutural: disponibilidade, intermitência e viabilidade real“, os participantes discutiram os desafios para garantir fornecimento estável e ampliar a infraestrutura de transmissão necessária ao crescimento dos data centers.
“O data center precisa funcionar de forma robusta e, para isso, é necessário que a energia chegue sem falhas. No Brasil, a geração costuma estar distante dos locais de consumo e precisamos de uma transmissão impecável. Infelizmente, há gargalo justamente nesta etapa”, afirmou Ricardo Borges, founder da EGF.
Claudia Marquesani, CIO da Copa Energia, ressaltou a necessidade de uma abordagem integrada para o planejamento energético.
“No Brasil, olhamos as etapas de geração e transmissão de energia de forma isolada. Precisamos de orquestração para olhar de forma séria para o futuro”, destacou.
Também participaram da discussão Regis Ataides, da Andritz; Fernando de Souza Pinto, da MWM; e Alex Ma, da Sieyuan. Maurício Godoy, editor da revista Canal Energia, foi o mediador.
Infraestrutura digital e expansão regional
A programação do dia 7 de outubro dá continuidade aos debates sobre os desafios e oportunidades relacionados à expansão da infraestrutura digital.
A agenda aborda temas como conectividade, capacidade computacional, continuidade operacional e os movimentos de investimento que influenciam o mercado de data centers na América Latina.
Entre os assuntos previstos estão o papel da localização e das rotas globais no desempenho da infraestrutura, os desafios enfrentados pelos hyperscalers diante do crescimento da demanda impulsionada pela inteligência artificial e as estratégias para garantir a resiliência das operações em cenários de falhas, crises e eventos extremos.
O encerramento da programação do segundo dia amplia a análise para o cenário regional, com uma discussão sobre investimentos, expansão e decisões estratégicas de arquitetura para data centers na América Latina.
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