Enquanto o Brasil avança na Indústria 4.0, smart factories destacam a conectividade como base da integração industrial digital
O avanço das smart factories no Brasil, impulsionado por iniciativas do governo e da indústria, começa a expor um ponto crítico ainda pouco debatido fora dos círculos técnicos: a infraestrutura de conectividade que sustenta a digitalização industrial.
Em um cenário de aceleração da Indústria 4.0, onde dados em tempo real, automação e sistemas integrados determinam a competitividade, cabos, redes industriais e protocolos de comunicação tornam-se elementos estratégicos — e não apenas suporte operacional.
Enquanto programas como os conduzidos por ABDI, MDIC, SENAI e BNDES reforçam investimentos em digitalização e inteligência artificial, especialistas alertam que a confiabilidade da camada física de conectividade pode ser o fator decisivo para viabilizar a transformação das fábricas inteligentes no país.
Mesmo com avanços em automação e IA, especialistas apontam a conectividade como base essencial das smart factories no Brasil
As smart factories representam um novo modelo industrial baseado na conectividade entre máquinas, sensores, sistemas e pessoas. O movimento já vem sendo tratado como prioridade estratégica para a reindustrialização brasileira.
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) mantém programas voltados à aceleração da Indústria 4.0 no país, incluindo iniciativas ligadas à digitalização e à inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em parceria com o SENAI e o BNDES, lançou recentemente uma chamada de R$ 56 milhões para projetos de smart factories e digitalização industrial dentro do programa Brasil Mais Produtivo.
Enquanto o debate sobre inteligência artificial, automação industrial e robótica ganha espaço nas estratégias da indústria brasileira, um componente essencial dessa transformação ainda passa despercebido fora dos ambientes técnicos: a infraestrutura de conectividade que mantém as fábricas inteligentes em funcionamento.
Em um cenário em que a produtividade industrial é medida em milissegundos e a disponibilidade de máquinas impacta diretamente a competitividade das empresas, a infraestrutura de cabos deixa de ser um componente passivo para se tornar parte relevante da cadeia de valor.
Muitas empresas avançam em projetos de automação, mas ainda subestimam a importância da infraestrutura que sustenta essa digitalização. A discussão vai além da instalação de máquinas modernas. Em ambientes industriais conectados, qualquer falha de comunicação pode interromper linhas produtivas inteiras, afetar sistemas automatizados e gerar impactos operacionais relevantes. Por isso, cresce a demanda por soluções industriais desenvolvidas especificamente para ambientes de alta exigência técnica.

“A coleta de dados em ambientes industriais começa na ponta, nos sensores instalados ao longo das linhas de produção. Para que essas informações cheguem íntegras aos sistemas de gestão e controle, os cabos que interligam esses dispositivos precisam suportar ambientes severos como variações de temperatura, exposição a óleos, vibrações mecânicas contínuas e interferências eletromagnéticas”, afirma Douglas Marques, gerente de vendas da LAPP Brasil.
Em uma smart factory, diferentes sistemas precisam se comunicar entre si, como CLPs (Controladores Lógicos Programáveis), robôs, sistemas MES (Manufacturing Execution System), ERP (Enterprise Resource Planning) e plataformas de analytics (análise de dados).
A interoperabilidade entre essas camadas depende diretamente de uma infraestrutura de cabos e conectores capaz de suportar múltiplos protocolos de comunicação industrial, como PROFINET (principais protocolos de comunicação industrial do mundo), EtherNet/IP (protocolo industrial muito utilizado para conectar dispositivos automatizados) e IO-Link (tecnologia usada para comunicação entre sensores, atuadores e sistemas industriais).
Dentro desse contexto, empresas como a LAPP, que atua no setor de sistemas de cabos e conectividade industrial, passam a ocupar um papel mais relevante do que o tradicionalmente atribuído a esse segmento no debate sobre inovação. Enquanto robôs e inteligência artificial aparecem como protagonistas visíveis da nova indústria, o diferencial competitivo das fábricas inteligentes tende a estar na qualidade, estabilidade e confiabilidade da infraestrutura que conecta toda a operação.
A corrida global pela indústria inteligente já está em curso. Enquanto economias como Alemanha, China e Estados Unidos ampliam investimentos em automação, inteligência artificial industrial e conectividade avançada, o Brasil avança na consolidação dessa agenda e avalia se sua infraestrutura industrial está preparada para sustentar essa transformação.
“A indústria do futuro não será definida apenas por quem possui mais inteligência artificial, mas por quem consegue integrar tecnologia, conectividade, eficiência e confiabilidade operacional. O Brasil talvez tenha uma vantagem importante neste momento. Ele está no processo de construção dessa transformação. Isso permite que muitas indústrias se modernizem dentro de uma lógica mais conectada, eficiente e preparada para as próximas décadas”, afirma o gerente de vendas da LAPP Brasil.
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