A IA provoca uma mudança profunda na forma como software está sendo concebido e operado dentro das empresas
O setor global de software e serviços perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado nos últimos meses, em meio a uma forte venda de ações motivada por temores de que a inteligência artificial transforme estruturalmente o modelo tradicional de Software as a Service (SaaS), segundo a agência Reuters. Para André Fossa, executivo de tecnologia e cofundador da Cogni2, empresa brasileira especializada em agentes de IA, esse movimento reflete uma mudança profunda na forma como software está sendo concebido e operado dentro das empresas.
Após uma primeira onda, entre 2022 e 2024, marcada pela popularização da IA generativa como ferramenta de produtividade, 2026 começa a ser visto por analistas e investidores como o início de uma segunda fase da revolução da IA.
Nessa etapa, sistemas deixam de apenas apoiar usuários e passam a executar trabalho, tomar decisões e orquestrar processos ponta a ponta dentro das organizações, deslocando a IA para a camada de execução do software corporativo.
O avanço das chamadas plataformas de agentes reforça essa tese. A OpenAI anunciou recentemente um serviço corporativo voltado à criação e gestão de agentes integrados aos sistemas das empresas, segundo a Reuters, sinalizando que a IA passa a ocupar posição central na arquitetura do software empresarial.
Para Fossa, esse movimento começa a corroer a lógica econômica do SaaS genérico. “Entramos em uma fase em que a IA deixa de ser um complemento e passa a ser o próprio sistema. Quando agentes passam a decidir e executar processos ponta a ponta, o modelo clássico de plataformas genéricas, licenciadas por usuário, começa a perder sentido“, afirma.
Na prática, essa mudança já se materializa em operações reais. A Cogni2 opera agentes de IA em jornadas de atendimento, vendas e cobrança que substituem partes centrais da stack tradicional em empresas como Wine.com.br e Evolua Energia, com índices de resolução entre 70% e 95% sem intervenção humana e CSAT acima de 90%.
Enquanto plataformas como o Lovable vêm ganhando espaço na criação rápida de aplicações mais simples e horizontais, empresas que atuam em cenários corporativos complexos passam a utilizar agentes para redesenhar fluxos críticos de negócio, reduzindo dependência de softwares genéricos e de longos projetos de customização.
De acordo com o executivo, a transformação vai além da substituição de ferramentas. “A pergunta deixa de ser ‘qual SaaS comprar?‘ e passa a ser ‘por que eu compraria um SaaS para executar esse processo?‘. O valor começa a migrar da ferramenta para o sistema que entende o negócio e executa a operação.”
O deslocamento de valor já aparece nas projeções de mercado. Analistas apontam que o mercado global de software baseado em IA deve ultrapassar US$ 500 bilhões até 2035, com crescimento concentrado em soluções capazes de automatizar decisões e operações, e não apenas gerar conteúdo. Ao mesmo tempo, ações de empresas de software tradicionais vêm sofrendo pressão justamente pela incerteza sobre como seus modelos de negócio se sustentam nesse novo cenário, segundo a Reuters.
Para o cofundador da Cogni2, trata-se de uma mudança estrutural no setor. “Não estamos falando do fim do software, mas do fim de um modelo. O SaaS genérico, vendido como prateleira universal, começa a perder espaço para sistemas moldados por IA e profundamente conectados à operação real do negócio. Isso muda como empresas investem em tecnologia, como investidores avaliam software e como engenheiros passam a atuar.”
Sobre a Cogni2
A Cogni2 é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em inteligência artificial para automação de jornadas de atendimento, vendas e cobrança. A companhia desenvolve agentes de IA capazes de operar processos complexos em produção, reduzindo custos, aumentando eficiência e melhorando a experiência do cliente em grandes empresas de setores como varejo, serviços financeiros, telecomunicações e utilities.
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