Cartilha gratuita da AnaMid reúne orientações para identificar fake news, deepfakes e conteúdos gerados por IA nas Eleições 2026
Em meio ao avanço da inteligência artificial e à circulação de conteúdos manipulados no ambiente digital, a AnaMid, Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital, lançou a cartilha “Eleições 2026: Como Identificar Fake News e Conteúdo Gerado por IA“. O material gratuito reúne orientações para ajudar a população a reconhecer conteúdos manipulados e verificar informações durante o período eleitoral.
Desenvolvida com foco em educação digital e cidadania, a cartilha aborda conceitos como fake news, deepfakes, clonagem de voz e manipulação de imagens e vídeos. O guia também apresenta técnicas de verificação de conteúdos compartilhados em redes sociais e aplicativos de mensagens.

“Nosso objetivo com esta cartilha é democratizar o acesso à informação de qualidade e orientar o cidadão a reconhecer sinais de desinformação e conteúdos manipulados. Em período eleitoral, esse cuidado se torna ainda mais importante, porque proteger a população das fake news é também proteger o voto, a confiança no processo democrático e a própria democracia. Esse é um compromisso que deve ser coletivo“, explica Rodrigo Neves, vice-presidente de Relações Institucionais da AnaMid.
O lançamento ocorre em um cenário de crescimento do uso de inteligência artificial na produção de conteúdos falsos. Segundo o Panorama da Desinformação no Brasil, do Observatório Lupa, citado pela Agência Brasil, conteúdos falsos produzidos com IA aumentaram 308% entre 2024 e 2025. O levantamento analisou 617 conteúdos verificados pela agência em 2025, em comparação com 839 no ano anterior.
Guia reúne ferramentas e orientações práticas
A popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa tornou a produção de conteúdos falsos mais acessível e sofisticada. Vídeos manipulados, áudios clonados e imagens hiper-realistas passaram a fazer parte do ambiente digital, ampliando os desafios relacionados à verificação de informações.
A cartilha apresenta sinais que podem indicar manipulações realizadas por IA, como inconsistências visuais, problemas de sincronização em vídeos, padrões artificiais de fala e ausência de contexto confiável. O material também orienta o público a consultar agências de checagem de fatos e fontes jornalísticas reconhecidas antes de compartilhar informações.
“É importante que a população esteja preparada para reconhecer conteúdos manipulados e desenvolver um olhar mais crítico diante das informações que circulam online, principalmente em um período tão sensível quanto as eleições“, afirma Neves, VP da AnaMid.
Educação digital e desinformação
Além dos aspectos técnicos relacionados à identificação de fake news, a iniciativa aborda a educação digital como instrumento de participação cidadã e de enfrentamento à desinformação.
A cartilha chama atenção para os efeitos da circulação de informações falsas em larga escala e para o impacto da dúvida generalizada sobre a confiança em informações e instituições.
“Não podemos deixar a responsabilidade do combate à desinformação apenas para as plataformas e autoridades. A tecnologia pode produzir a mentira com rapidez, mas são as curtidas, comentários e compartilhamentos que dão alcance e poder a ela. O pensamento crítico é uma forma direta de proteger o voto, a convivência democrática e a confiança nas instituições“, complementa Rodrigo Neves.
TSE estabelece regras para uso de IA nas Eleições 2026
A cartilha também apresenta as regras eleitorais relacionadas ao uso de inteligência artificial. Para as Eleições 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu que conteúdos sintéticos multimídia utilizados em propaganda eleitoral devem ser identificados de forma explícita, destacada e acessível quando produzidos ou significativamente alterados por IA ou tecnologia equivalente. A exigência se aplica a textos, áudios, vídeos e imagens.
O TSE também definiu, em setembro de 2026, critérios para caracterizar um deepfake. Segundo a Corte, trata-se de conteúdo sintético produzido ou manipulado por IA ou tecnologia equivalente, com grau de realismo ou verossimilhança, capaz de criar, reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestação de uma pessoa viva, falecida ou fictícia. A proibição prevista nas regras eleitorais está vinculada à caracterização do conteúdo como propaganda eleitoral.
“Quando o conteúdo sintético fica barato, rápido e convincente, é preciso ter transparência. O eleitor tem o direito de saber o que é real e o que foi gerado por IA. Esse novo marco é histórico porque responde ao salto da IA generativa na comunicação política com uma lógica de transparência e responsabilidade sem sufocar a inovação“, conclui Neves.
A cartilha“Eleições 2026: Como Identificar Fake News e Conteúdo Gerado por IA” está disponível gratuitamente para consulta e compartilhamento digital.
Sobre a AnaMid

A Associação Nacional do Mercado e Indústria Digital (AnaMid) é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em setembro 2022 a partir de um movimento de líderes empresariais de diferentes regiões do País para valorizar e preservar o ecossistema digital brasileiro.
Em conjunto, seus associados trabalham ativamente para fortalecer os negócios do setor, com base em pilares como colaboração, conhecimento, diversidade e inovação. A entidade reúne todo o ecossistema digital, incluindo agências, empresas, startups, plataformas, profissionais e estudantes de todo o País.
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