Bancos ampliam investimentos em IA e avançam no uso de sistemas capazes de interpretar contexto, integrar dados e executar tarefas
Após a expansão da inteligência artificial generativa, os bancos começam a direcionar investimentos para soluções capazes de compreender o contexto das operações, interpretar informações de negócio e executar tarefas com maior grau de autonomia. A chamada IA contextual representa uma nova etapa na aplicação da inteligência artificial ao setor financeiro.
O movimento ocorre em meio ao avanço dos investimentos em tecnologia no setor. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, os aportes devem passar de R$ 46,8 bilhões, em 2025, para R$ 50,4 bilhões neste ano. O levantamento aponta ainda que 80% das instituições consideram a inteligência artificial uma prioridade de investimento.
O tema estará entre as discussões do Febraban Tech 2026, que será realizado de 24 a 26 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A trilha “Agentes de IA em rede: é o fim da Era dos Assistentes?” reúne debates sobre a próxima geração de aplicações de inteligência artificial.
Dentro dessa programação, o painel “Engenharia de contexto, prompt engineering e AI orchestration: o novo stack de produção dos bancos” será realizado no dia 25 de agosto, às 14h, no Auditório Febraban Cinza.
A discussão terá mediação de Ivo Mósca, diretor-executivo da Febraban, e participação de Julio Blanco, CTO do Santander; Pedro Moura, Sales Director LATAM da CrewAI; Tatiana Orofino, Head LatAm de Desenvolvimento da Indústria de Serviços Financeiros da AWS; e Thabata Sakurai, Head de Data & Analytics do BTG Pactual.
Investimentos em inteligência artificial
Nos últimos cinco anos, o orçamento destinado à tecnologia no setor bancário cresceu 58%, segundo os dados apresentados. Os investimentos específicos em inteligência artificial também avançaram, passando de R$ 596 milhões, em 2024, para R$ 826 milhões em 2025.
A expansão dos recursos destinados à tecnologia ocorre paralelamente a uma mudança na forma como as instituições financeiras utilizam a IA. A tecnologia deixa de estar concentrada apenas em aplicações voltadas à produtividade e passa a ser empregada também em processos relacionados à geração de valor para o negócio e ao suporte a decisões mais complexas.
Na chamada IA contextual, os sistemas deixam de considerar apenas comandos específicos. As soluções podem incorporar informações como histórico de interações, regras de negócio, contexto operacional e intenção do usuário para produzir respostas mais precisas e coerentes com cada situação.
De assistentes a agentes de IA
Outro ponto previsto para o painel é a evolução para arquiteturas baseadas em agentes inteligentes especializados.
Nesse modelo, diferentes agentes podem atuar de forma coordenada, compartilhando informações e executando tarefas complementares, em vez de concentrar todas as atividades em um único sistema.
A abordagem amplia as possibilidades de automação de processos, análises e atividades realizadas por clientes e equipes das instituições financeiras. Também pode contribuir para a redução de retrabalho e para maior eficiência operacional.
O avanço, porém, não envolve apenas o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial mais sofisticados. A integração entre IA, dados e processos de negócio passa a exigir estruturas capazes de operar de maneira segura, escalável e adequada ao contexto de cada operação.
É nesse cenário que conceitos como engenharia de contexto e agentes inteligentes ganham espaço nas discussões sobre a próxima geração da inteligência artificial aplicada ao sistema financeiro.
Trilhas do Febraban Tech 2026
As discussões do Febraban Tech 2026 serão distribuídas em trilhas temáticas que abordam desafios relacionados ao futuro do setor financeiro e da economia digital:
- Agentes de IA em rede: é o fim da Era dos Assistentes?
- Engenharia do futuro: do humano ao híbrido na Era dos Agentes de IA
- Identidade digital, compliance e credibilidade na velocidade da inovação
- A guerra invisível da cibersegurança
- Meios de Pagamento: quem paga a conta da inovação?
- Open Finance: segurança e privacidade vs. interoperabilidade
- Do big data ao real-time intelligent banking
- Inovação resiliente: cloud, data centers e a nova engenharia do setor
- O Drex e a corrida global pelas stablecoins
- Tecnologias em ascensão reprogramam os setores
- Finanças embarcadas e a convergência intersetorial
- Transition Finance: como o capital está moldando a Economia Verde
- A jornada das fintechs: maturidade, regulação e confiança
Além da programação de conteúdo, o Febraban Tech 2026 terá dez auditórios, estúdios, área de workshops e espaços dedicados ao bem-estar de participantes e expositores.
Entre as novidades está o Auditório Imersão, que combinará recursos visuais avançados e cenografia interativa para integrar tecnologia e experiência humana.
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