Estudo do Gartner aponta que CISOs devem reforçar estratégias de identidade, resiliência e IA diante da evolução das ameaças cibernéticas
A aceleração do uso da Inteligência Artificial (IA) está exigindo uma mudança na forma como os Chief Information Security Officers (CISOs) conduzem as estratégias de segurança, identidade e inovação. A avaliação é do Gartner, que aponta três prioridades para os líderes da área: modernizar a gestão de identidade como infraestrutura fundamental, redefinir o sucesso da segurança cibernética com foco na resiliência e reduzir barreiras à inovação para ampliar o uso de IA e automação.
As análises foram apresentadas durante a Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco, realizada até 5 de agosto, em São Paulo, que reúne executivos e especialistas para discutir tendências e desafios da segurança da informação.

“Essas prioridades ajudarão os CISOs a manter o foco diante do fluxo aparentemente diário de notícias sobre novos produtos de segurança cibernética”, afirma Oscar Isaka, Diretor Analista Sênior do Gartner. “Nas mãos de agentes de ameaças qualificados, a tecnologia atual já é suficientemente eficaz. Não importa se estamos falando de marketing ou de tecnologias realmente revolucionárias.”
Segundo Isaka, o avanço da IA também amplia as possibilidades de defesa das organizações.
“Os CISOs podem compensar esse cenário acelerando sua própria jornada de IA e transformando essas ameaças de IA em apenas mais uma melhoria em uma cadeia de aprimoramento contínuo”, afirma. “A mesma tecnologia que está permitindo que hackers iniciantes (script kiddies) ampliem seus ataques em escala também permitirá que as organizações aumentem suas capacidades defensivas na mesma proporção — e os CISOs dispõem de mais recursos.”
IA impulsiona modernização da gestão de identidade
De acordo com o Gartner, o crescimento de agentes de IA, cargas de trabalho automatizadas e interações entre máquinas está levando as organizações a revisar seus modelos de Gestão de Identidade e Acesso (IAM).
A consultoria avalia que programas de IAM já enfrentavam dificuldades em razão da complexidade dos ambientes em nuvem e das práticas de DevOps. Com o aumento das identidades de máquinas, a identidade deixa de ser apenas um mecanismo de controle para assumir papel central na infraestrutura digital.
Ainda segundo o Gartner, modelos desenvolvidos para usuários humanos e funções estáticas tornam-se insuficientes em ambientes baseados em agentes de IA, que operam com autonomia, delegação e decisões contextualizadas. Nesse cenário, controles tradicionais de acesso baseados em funções e processos convencionais de onboarding deixam de escalar para ambientes compostos por milhares ou milhões de identidades de máquinas.
A consultoria prevê que, até 2028, 25% das violações de segurança ocorrerão por meio de superfícies de ataque baseadas em agentes, em decorrência de identidades de máquinas inadequadas e da ausência de controles de políticas sensíveis ao contexto.
“Essa pressão também representa uma oportunidade estratégica”, afirma Isaka. “Em vez de adicionar novas ferramentas a estruturas já frágeis, as organizações podem utilizar os investimentos em IA para acelerar a modernização da IAM. À medida que as interações entre clientes, parceiros e colaboradores se tornam cada vez mais mediadas por máquinas, controles robustos de identidade e confiança deixam de ser apenas uma necessidade e passam a representar um diferencial. Empresas capazes de incorporar e governar cargas de trabalho de máquinas de forma segura e mais rápida conquistam vantagens reais em velocidade, integração e confiança.”
Resiliência passa a ser o principal indicador de sucesso
Outra mudança apontada pelo Gartner diz respeito à forma de avaliar a eficácia da segurança cibernética.
Segundo a empresa, ataques cibernéticos passaram a fazer parte do ambiente de negócios, sendo tratados por reguladores, clientes e pelo mercado como eventos cada vez mais inevitáveis, e não necessariamente como resultado de falhas de gestão.
Nesse contexto, a consultoria defende que a prevenção deixa de ser o único parâmetro para medir o sucesso das estratégias de segurança.
“A resiliência, e não a prevenção, é a estratégia com a qual as organizações podem realmente ter sucesso”, diz Isaka. “Se o objetivo passa a ser limitar o impacto, manter as operações críticas e se recuperar rapidamente, então a mitigação torna-se, do ponto de vista dos resultados de negócios, funcionalmente equivalente à prevenção. Ao contrário da segurança absoluta, a resiliência pode ser testada, praticada, medida e aprimorada ao longo do tempo.”
Como forma de operacionalizar essa estratégia, o Gartner recomenda que as organizações estabeleçam limites claros de impacto vinculados às cadeias de valor consideradas críticas para o negócio. Esses parâmetros permitem definir níveis aceitáveis de interrupção e responsabilidades compartilhadas entre as áreas de segurança e as demais unidades da empresa.
IA deve reduzir intervenção humana nos SOCs
A terceira prioridade destacada pelo Gartner é a redução das barreiras à inovação.
Segundo a consultoria, muitas iniciativas inovadoras já fazem parte da rotina das equipes de segurança, tecnologia e engenharia, como adaptações em respostas a incidentes, integrações entre ferramentas, criação de soluções alternativas e melhorias em fluxos de trabalho. No entanto, essas atividades raramente são reconhecidas como inovação estruturada.
O Gartner prevê que, até 2028, organizações que implementarem de forma efetiva IA em Centros de Operações de Segurança (SOCs) reduzirão em 30% os incidentes que exigem intervenção humana, iniciando a transição do papel do analista de “executor da resposta” para “supervisor“.
“Atividades como criar ambientes de testes, simular ataques, gerar lógica de detecção ou ensaiar cenários de recuperação já não exigem grandes equipes especializadas nem longos ciclos de planejamento”, afirma Isaka. “Essas iniciativas podem ser incorporadas ao trabalho operacional cotidiano por meio de engenharia de software assistida por IA e automação. Quando os experimentos apresentam baixo risco, mas estão conectados a sistemas e resultados reais, as equipes adquirem experiência prática ao mesmo tempo em que produzem artefatos que a organização pode reutilizar.”
Para sustentar esse processo, a consultoria recomenda que os líderes reservem tempo e recursos específicos para experimentação, tratando a inovação como parte do desenvolvimento de competências e da construção de resiliência organizacional. Segundo o Gartner, mensurar o conhecimento adquirido e a capacidade de escalar essas iniciativas facilita a demonstração de valor para o negócio e fortalece a justificativa para investimentos contínuos.
Sobre a Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco
Os analistas do Gartner estão apresentando os mais recentes insights para os líderes de segurança e gestão de risco durante a Conferência Gartner Segurança & Gestão de Risco, que acontece nesta semana em São Paulo. A Conferência também será realizada de 22 a 24 de setembro em Londres (Reino Unido).
Sobre Gartner for Cybersecurity Leaders
O Gartner for Cybersecurity Leaders equipa os líderes de segurança com as ferramentas para ajudar a reformular os papéis, alinhar a estratégia de segurança aos objetivos de negócios e construir programas para equilibrar a proteção com as necessidades das empresas.
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