Com ataques cada vez mais automatizados, empresas precisam integrar segurança cibernética, prevenção a fraudes e inteligência artificial para reduzir riscos e proteger seus negócios
A inteligência artificial está provocando uma mudança importante no cenário de segurança das empresas. Mais do que criar novas modalidades de ataques, a tecnologia está permitindo que criminosos executem operações conhecidas com muito mais velocidade, sofisticação e escala, reduzindo significativamente o tempo disponível para que as organizações identifiquem e contenham ameaças.
Um relatório publicado em setembro pelo Google Threat Intelligence Group evidencia essa transformação. Em uma operação observada no segundo trimestre de 2026, criminosos utilizaram agentes de IA para planejar, construir e executar uma campanha de coleta de credenciais em menos de seis horas, após comprometerem um recurso em nuvem.
O avanço também aparece nas fraudes de identidade. Uma pesquisa do Gartner aponta que 41% dos líderes de segurança da informação entrevistados relataram ao menos um incidente de engenharia social envolvendo deepfakes em chamadas de áudio com funcionários nos 12 meses anteriores. Outros 36% registraram situações envolvendo chamadas de vídeo.

Para Alcione Giovanella, Partner & Executive Director da CBYK, o principal desafio está na mudança da capacidade operacional dos criminosos. “O que estamos observando não é simplesmente o surgimento de novas formas de ataque. A grande transformação está na capacidade de combinar técnicas que já conhecemos, automatizar sua execução e ampliar significativamente sua escala. Com a inteligência artificial, os criminosos conseguem operar com uma velocidade que desafia os modelos tradicionais de prevenção, detecção e resposta“, afirma.
Da vulnerabilidade técnica à fraude financeira
Na avaliação do executivo, um dos principais desafios das organizações é compreender que os riscos cibernéticos e as fraudes estão cada vez mais conectados.
Uma vulnerabilidade em uma aplicação, por exemplo, pode permitir o comprometimento de credenciais. Essas credenciais podem ser utilizadas para acessar informações sensíveis, assumir identidades, manipular processos internos ou realizar transações fraudulentas.
Ao mesmo tempo, técnicas de engenharia social potencializadas pela inteligência artificial permitem simular vozes, imagens e comportamentos, tornando mais difíceis os processos tradicionais de validação de identidade.
“Precisamos deixar de analisar os riscos de maneira isolada. Uma invasão pode ser o início de uma fraude, assim como uma identidade comprometida pode permitir o acesso a ambientes críticos. O criminoso não separa segurança cibernética de prevenção a fraudes. Ele explora qualquer fragilidade que permita alcançar seu objetivo”, explica Giovanella.
Essa convergência amplia o impacto potencial dos incidentes. Além das perdas financeiras diretas, as organizações enfrentam riscos de interrupção operacional, exposição de informações sensíveis, consequências regulatórias e danos reputacionais, muitas vezes superiores ao prejuízo inicial provocado pelo ataque.
A inteligência artificial muda a velocidade do ataque e também da defesa
Outro aspecto importante é o avanço da automação das operações criminosas. Com a utilização de agentes de IA, diferentes etapas de uma operação podem ser executadas de forma coordenada, desde o reconhecimento de vulnerabilidades até a exploração de acessos e a movimentação dentro dos ambientes comprometidos.
Esse cenário exige uma evolução proporcional da capacidade de defesa das empresas. Segundo Giovanella, não basta ampliar os investimentos em ferramentas de segurança se os processos de identificação, análise e resposta continuarem fragmentados entre diferentes equipes e tecnologias.
“Não podemos enfrentar ataques cada vez mais automatizados com estruturas de defesa excessivamente manuais, fragmentadas e reativas. É necessário integrar inteligência, dados, processos e tecnologia para antecipar riscos, identificar comportamentos suspeitos e responder com muito mais agilidade. A própria inteligência artificial precisa fazer parte dessa transformação da defesa“, destaca.
Nesse contexto, ganha importância a evolução dos centros de operações de segurança para modelos mais integrados, capazes de correlacionar eventos de cibersegurança, identidade, comportamento transacional e prevenção a fraudes.
A utilização da IA nesses ambientes permite apoiar a análise de grandes volumes de eventos, correlacionar sinais de risco, priorizar alertas e automatizar parte das atividades de investigação e resposta, mantendo a governança e a supervisão sobre decisões críticas.
Segurança precisa fazer parte da estratégia do negócio
O novo cenário exige que as empresas avancem além de uma abordagem centrada exclusivamente na aquisição de tecnologias. A transformação passa pela revisão da arquitetura de segurança, pelo fortalecimento dos processos de identificação e resposta, pela integração de informações entre áreas e pela adoção de modelos operacionais mais inteligentes.
O objetivo não deve ser apenas detectar ataques mais rapidamente, mas também reduzir a exposição aos riscos, impedir que incidentes evoluam para perdas efetivas e aumentar a resiliência operacional das organizações.
“Segurança deixou de ser apenas uma discussão sobre infraestrutura e proteção de sistemas. Estamos falando de continuidade do negócio, confiança dos clientes e proteção financeira e reputacional. As empresas precisam evoluir de uma postura predominantemente reativa para um modelo de prevenção contínua, orientado por riscos, dados e inteligência“, afirma Giovanella.
Para o executivo, o desafio central não é acompanhar isoladamente cada nova tecnologia utilizada pelos criminosos, mas construir uma capacidade permanente de adaptação.
“Se a inteligência artificial está permitindo que os criminosos operem com mais inteligência, velocidade e escala, as empresas precisam responder com a mesma evolução. O futuro da segurança não está em acumular ferramentas, mas em integrar capacidades de prevenção, detecção e resposta, utilizando a tecnologia para tomar decisões melhores e agir antes que o risco se transforme em prejuízo“, conclui.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Alcione Giovanella, Partner & Executive Director da CBYK, pela contribuição e pela análise sobre os impactos da inteligência artificial na evolução dos ataques cibernéticos e das fraudes. Sua participação contribui para ampliar o debate sobre a importância de integrar estratégias de cibersegurança, prevenção a fraudes e inteligência artificial para fortalecer a proteção das organizações.
Sobre a CBYK
A CBYK é uma empresa de serviços multidisciplinares que aposta na tecnologia como vetor de transformação dos negócios de seus clientes. A companhia opera em diferentes Unidades de Negócio como Business Consulting, Application Services, Clouding Services, Business Process Services, Digital Experience, Data Analytics & AI, Security & Antifraud e Innovation Lab para tecnologias emergentes. Seu modelo é multisetorial: Financeiro, Seguros; Saúde, Educação; Indústria, Serviços/Utilidades; Transporte & Logística, Varejo e Mídia. A empresa se posiciona como parceira de transformação contínua, com atuação consultiva e integrada à jornada digital dos clientes.
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