Empresas ampliam investimentos em IA, mas ainda enfrentam desafios para medir ganhos de produtividade e comprovar retorno financeiro
A adoção de agentes de inteligência artificial avança entre as empresas brasileiras, mas a dificuldade de medir seus impactos financeiros expõe um novo desafio: transformar ganhos de produtividade em resultados concretos para o negócio. Estudo da ABES em parceria com a IDC aponta que 40% das empresas já investem na tecnologia e outras 33% pretendem adotá-la nos próximos 12 meses.
Por Leo Candido

A adoção de agentes de inteligência artificial avança rapidamente nas empresas brasileiras, mas a capacidade de medir resultados ainda não acompanha esse ritmo. Segundo estudo da ABES em parceria com a IDC, 40% das empresas já investem em agentes de IA e outras 33% pretendem começar nos próximos doze meses. Sete em cada dez estão, portanto, nesse movimento.
O problema é que adotar a tecnologia não significa, necessariamente, gerar retorno. Pesquisa da Writer com a Workplace Intelligence mostra que 79% das organizações enfrentam dificuldades na adoção de IA, enquanto 59% gastam mais de US$ 1 milhão por ano com a tecnologia. Apenas 29% dizem perceber retorno significativo com IA generativa.
O desafio parece estar menos nos modelos e mais na forma como as empresas medem seus efeitos. Ganhos individuais de produtividade, por exemplo, não se transformam automaticamente em resultado financeiro.
O caso da Uber mostra essa dificuldade. A empresa informou que ferramentas de IA dobraram a produção de código por engenheiro, mas também enfrentou um aumento rápido no consumo dessas soluções. O ponto central passou a ser entender se mais código significava produtos melhores, custos menores ou impacto financeiro.
Na Starbucks, o problema foi diferente. A empresa aposentou um sistema de contagem de estoque desenvolvido com a NomadGo nove meses após a implantação, depois de problemas na identificação e contagem dos itens.
Os dois casos mostram que adoção, produtividade e retorno são medidas diferentes. Uma empresa pode usar muito uma ferramenta e ainda não conseguir provar que ela melhorou o resultado.
Por isso, o primeiro passo deveria ser medir o processo antes da implementação. É preciso saber quanto custa cada tarefa, quanto tempo ela leva e qual é a taxa de erro. Depois, comparar esses indicadores com os resultados obtidos com o agente, incluindo custos que muitas vezes ficam fora da conta, como revisão humana, retrabalho, monitoramento e suporte.
Também é necessário identificar onde o ganho aparece no negócio. Pode ser na redução de custos, no aumento de volume sem crescimento proporcional das despesas ou em indicadores de receita e margem. Se ninguém consegue apontar qual resultado econômico mudou e quem é responsável por ele, o retorno ainda é uma hipótese.
Existe ainda o risco de a busca por ROI imediato limitar a inovação. Processos repetitivos são mais fáceis de medir e podem receber mais investimentos, enquanto projetos voltados à criação de novas capacidades acabam descartados por não apresentarem retorno rápido.
A solução é diferenciar projetos de eficiência, que devem ter metas claras de retorno, de projetos exploratórios, que precisam de orçamento limitado, prazo definido e objetivos de aprendizado.
Sete em cada dez empresas brasileiras já investem ou pretendem investir em agentes de IA no curto prazo. O próximo desafio não é apenas adotar a tecnologia, mas provar que ela realmente transformou produtividade em resultado.
Agradecimento
O Crypto ID agradece a Leo Candido e à ABIACOM pela contribuição para o debate sobre os desafios da adoção de agentes de IA e a importância de transformar ganhos de produtividade em resultados concretos para as empresas.
A análise reforça a necessidade de métricas claras para avaliar investimentos em IA, equilibrando eficiência, inovação e retorno para o negócio.
Sobre a ABIACOM
Fundada em 2012 como Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCOMM), a entidade surgiu para fomentar o e-commerce com conhecimentos relevantes e auxiliar na criação de políticas públicas para o setor. Hoje, chamada de Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), reúne representantes de lojas virtuais e prestadores de serviços nas áreas de tecnologia, mídia e meios de pagamento, atuando frente às instituições governamentais, em prol da evolução do mercado. A entidade, sem fins lucrativos, é presidida por Fernando Mansano e conta com diretorias específicas criadas para aprofundar discussões.
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