Relatório divulgado pela OCDE aponta que tecnologias generativas podem apoiar o ensino, mas exigem mediação humana
A inteligência artificial generativa já faz parte do cotidiano educacional, mas seu impacto sobre a aprendizagem depende diretamente de como é utilizada. Essa é a principal conclusão do relatório Perspectivas da Educação Digital da OCDE para 2026, divulgado em janeiro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O estudo indica que ferramentas de IA de uso geral, amplamente acessíveis fora do ambiente escolar, podem melhorar o desempenho dos estudantes em tarefas específicas, sem necessariamente produzir ganhos sustentados de aprendizagem.
Segundo a OCDE, quando utilizadas sem orientação pedagógica, essas tecnologias correm o risco de estimular a terceirização de processos cognitivos, reduzindo o engajamento e o desenvolvimento de habilidades fundamentais.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca que a inteligência artificial pode contribuir positivamente para o ensino quando integrada a objetivos pedagógicos claros. Sistemas educacionais baseados em IA, como tutores digitais e ferramentas de apoio à tutoria humana, tendem a apresentar melhores resultados quando desenhados para estimular o raciocínio, a argumentação e a autonomia dos estudantes.
Os dados mostram que o uso da tecnologia já é uma realidade nas escolas. Em 2024, 37% dos professores do ensino fundamental II afirmaram utilizar inteligência artificial em seu trabalho, segundo a pesquisa TALIS 2024, citada no relatório. Apesar disso, 72% dos docentes demonstram preocupação com possíveis impactos da IA sobre a integridade acadêmica, especialmente no uso indevido em trabalhos e avaliações.
Para a OCDE, o desafio central não está em conter o avanço da inteligência artificial na educação, mas em orientar sua adoção. O relatório defende que a tecnologia deve atuar como complemento à mediação humana, fortalecendo, e não substituindo, o papel de professores e tutores no processo de aprendizagem.

Esse modelo de integração já aparece em plataformas de reforço escolar que utilizam a tecnologia como suporte à atuação humana.
Um exemplo é o TutorMundi, aplicativo brasileiro em que as aulas particulares são conduzidas por tutores, enquanto recursos tecnológicos são usados para orientar o raciocínio do aluno e apoiar o acompanhamento pedagógico.
“A tecnologia pode apoiar a personalização do ensino e ampliar o alcance do suporte educacional, desde que o tutor permaneça no centro da experiência de aprendizagem”, afirma Rapha Coe, CEO do TutorMundi.
Segundo a OCDE, os próximos anos serão decisivos para consolidar modelos educacionais que combinem inovação tecnológica e princípios pedagógicos, garantindo que o uso da inteligência artificial contribua efetivamente para o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.
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