Parques tecnológicos ganham relevância no desenvolvimento regional e avançam em áreas como IA, bioeconomia e economia azul
Os parques tecnológicos brasileiros vêm ampliando sua atuação como ambientes de conexão entre universidades, empresas e governos para estimular pesquisa e inovação. Nos últimos anos, esses espaços passaram a exercer um papel maior no desenvolvimento econômico regional, com iniciativas voltadas a áreas como bioeconomia, inteligência artificial, economia azul e transição energética.
O movimento acompanha o amadurecimento do ecossistema nacional de inovação e o crescimento desses empreendimentos. Atualmente, os parques tecnológicos respondem por mais de 75 mil empregos diretos no país, segundo dados da plataforma InovaData, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Com mais de 40 anos de atuação em pesquisa e desenvolvimento, a CERTI participou do planejamento de mais de 40 projetos de parques tecnológicos em 14 estados brasileiros. Cerca de 20 desses empreendimentos já foram implantados ou estão em operação.
A instituição também prestou consultoria para mais de 90 municípios, com trabalhos relacionados à estruturação de ecossistemas locais de inovação, políticas públicas e estratégias de desenvolvimento regional.

“Os parques tecnológicos são instrumentos de desenvolvimento econômico. Eles conectam universidades, empresas, startups e governos para acelerar soluções que respondem aos principais desafios do país e do mundo, em diversas áreas e mercados“, afirma Laercio Aniceto, superintendente de negócios da CERTI.
Segundo o executivo, uma das mudanças observadas nos últimos anos é a especialização dos parques em áreas relacionadas às vocações econômicas de cada região.
Entre as demandas recebidas atualmente pela CERTI estão projetos ligados à inteligência artificial, energia limpa, bioeconomia e economia azul, conceito relacionado ao uso sustentável de recursos oceânicos.
Parques voltados às vocações regionais
No Pará, a CERTI atua na operação do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, voltado a negócios baseados na biodiversidade amazônica. O empreendimento reúne um centro de negócios e um laboratório-fábrica destinado ao desenvolvimento de produtos para segmentos como alimentos, bebidas, cosméticos e bioinsumos.

A expectativa é que o espaço impulsione mais de 300 negócios entre startups, cooperativas, comunidades tradicionais e indústrias.
No Rio de Janeiro, a instituição participou da implantação e continua apoiando a consolidação do Parque Tecnológico do Mar, em Angra dos Reis, o primeiro parque tecnológico fluminense dedicado à economia azul.
O ambiente reúne empresas e empreendedores dos setores de petróleo e gás, indústria naval, energias renováveis, turismo, biotecnologia e sustentabilidade.
Outro projeto é o planejamento do Complexo Avançado de Ciência, Tecnologia e Inovação (CACTI), em Campina Grande (PB). A CERTI também participa da estruturação do Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã (MS), concebido para fortalecer a inovação e o empreendedorismo na fronteira entre Brasil e Paraguai.
Para Aniceto, o avanço desses ambientes está relacionado à mudança na forma como estados e municípios passaram a tratar a inovação como política pública de desenvolvimento.
“Há um espaço muito propício para que os parques tecnológicos sejam protagonistas em sustentabilidade e desenvolvimento regional. O potencial para fortalecer uma indústria mais competitiva e preparada para responder às demandas globais é enorme”, afirma.
Expansão dos ecossistemas de inovação
Ao longo de sua trajetória, a CERTI também participou de projetos que se tornaram referências nacionais, como o Parque Alfa e o Sapiens Parque, em Florianópolis (SC); o Itaipu Parquetec, em Foz do Iguaçu (PR); o Parque Tecnológico da Bahia, em Salvador (BA); o Parque Tecnológico de Uberaba (MG); e o Parque de Ciência e Tecnologia Guamá, em Belém (PA).
A atuação também inclui iniciativas nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Alagoas e Rio Grande do Sul.
Além da implantação de parques tecnológicos, a CERTI desenvolve metodologias próprias para planejamento, governança, posicionamento estratégico e estruturação de programas de empreendedorismo. A atuação envolve o apoio a gestores públicos e privados na consolidação desses ambientes de inovação.
A expectativa da instituição é que a demanda por parques especializados continue crescendo nos próximos anos, impulsionada por agendas como descarbonização da economia, transformação digital e fortalecimento da bioeconomia brasileira.
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