Batizado de Thomson, modelo proprietário foi desenvolvido com investimento de US$ 40 milhões, usa décadas de conteúdo especializado da companhia e permanece integralmente sob seu controle
Gigante global de conteúdo e tecnologia, Thomson Reuters lança modelo próprio de IA de fronteira
A Thomson Reuters, gigante global de conteúdo e tecnologia para os mercados jurídico, tributário, contábil, de compliance, governo e mídia, anunciou o lançamento do Thomson, seu primeiro modelo de linguagem de grande porte (Large Language Model, LLM) proprietário desenvolvido internamente.
A iniciativa coloca a companhia em uma posição diferente daquela ocupada por empresas que utilizam exclusivamente modelos de inteligência artificial fornecidos por terceiros. Com o Thomson, a empresa passa a controlar diretamente o modelo, seu desenvolvimento, especialização e operação.
Enquanto grandes laboratórios de inteligência artificial investiram bilhões de dólares em infraestrutura computacional e anos de desenvolvimento para alcançar modelos considerados de fronteira, a Thomson Reuters adotou outra estratégia.
A companhia partiu de uma base open source e investiu US$ 40 milhões, incluindo talentos e capacidade computacional, para especializar o modelo nas tarefas profissionais consideradas mais relevantes para seus mercados.
Segundo a empresa, o resultado é um modelo de IA de fronteira treinado e operado por uma fração do custo de modelos comparáveis, permanecendo integralmente sob propriedade e controle da Thomson Reuters.
Um dos principais ativos utilizados nesse processo é justamente aquilo que diferencia a companhia dos laboratórios tradicionais de IA: décadas de conteúdo proprietário, dados profissionais estruturados, tecnologia e conhecimento especializado.
O Thomson foi desenvolvido a partir de conteúdos e expertise associados a plataformas e marcas como Westlaw, Practical Law, Checkpoint e Reuters, além da participação de centenas de especialistas na definição dos objetivos de treinamento e na avaliação dos resultados.

“Durante anos, a indústria de IA tratou escala como a resposta: modelos maiores, mais poder computacional, mais investimento. O Thomson mostra que existe outro caminho”, afirmou Joel Hron, Chief Technology Officer da Thomson Reuters. “Ao partir de uma base sólida e especializá-la profundamente para o trabalho que realmente importa, é possível construir uma inteligência altamente capaz, muito mais eficiente e totalmente sob controle da empresa. Acreditamos que isso muda a economia da IA profissional.”
Conteúdo proprietário como diferencial
O Thomson foi desenvolvido a partir de uma base open source, mas a Thomson Reuters atribui sua diferenciação às etapas posteriores de treinamento intermediário e pós-treinamento.
Essas etapas incorporaram conhecimento proveniente de décadas de conteúdo considerado autoritativo pela companhia, juntamente com avaliações realizadas por especialistas dos respectivos domínios.
A estratégia é particularmente relevante em setores como Direito, tributação, auditoria e compliance, nos quais uma resposta aparentemente plausível pode não ser suficiente. Nesses ambientes, procedência da informação, atualização, contexto e capacidade de verificar fontes passam a ter peso semelhante ao desempenho geral do modelo.

“O Thomson demonstra o que é possível alcançar quando se desenvolve IA sobre décadas de conteúdo proprietário e expertise editorial”, disse Steve Hasker, CEO da Thomson Reuters. “Essa é uma vantagem exclusiva da Thomson Reuters, e os resultados comprovam isso: nossas avaliações iniciais mostram que o Thomson está em nível comparável aos modelos de fronteira mais recentes em diversas tarefas. Já estamos aplicando essa tecnologia no CoCounsel Legal, com mais funcionalidades e opções de IA soberana a caminho. Esse é o padrão que pretendemos continuar elevando”.
Segundo a Thomson Reuters, até o momento menos de 10% de seu conteúdo foi utilizado no treinamento do modelo. A empresa afirma, porém, que a evolução do Thomson não dependerá simplesmente de adicionar volumes crescentes de dados, mas de aperfeiçoar os mecanismos de especialização e compreensão dos diferentes domínios profissionais.
Soberania de IA entra na estratégia
Além do desempenho, a companhia destaca outro aspecto do lançamento: soberania em inteligência artificial.
A discussão envolve questões como quem controla o modelo, onde ele é executado, quais dados participaram de seu treinamento, de que maneira comportamentos e vieses são avaliados e como as informações dos clientes são protegidas.
Com um modelo proprietário, a Thomson Reuters passa a assumir diretamente maior controle sobre essas etapas, em vez de depender exclusivamente de fornecedores externos de inteligência artificial.
O Thomson também foi desenvolvido de acordo com os princípios do Fiduciary-Grade AI, padrão criado pela empresa para sistemas destinados a profissionais sujeitos a responsabilidades fiduciárias e deveres de diligência.
Entre os princípios está a proteção das informações dos clientes, incluindo a determinação de que seus dados não sejam utilizados para treinamento sem consentimento explícito.
Segundo a companhia, o modelo apresentou avanços em relação à sua base original no cumprimento de instruções e na execução de tarefas profissionais complexas e compostas por múltiplas etapas.
Os ganhos seriam ainda mais expressivos quando o modelo é utilizado em conteúdos densos e específicos de determinados domínios de conhecimento.
Outro diferencial é a possibilidade de treinamento integrado às próprias ferramentas da Thomson Reuters, como Westlaw e Practical Law, permitindo que o modelo seja desenvolvido levando em consideração não apenas conteúdo, mas também os instrumentos utilizados pelos profissionais em suas atividades.
A abordagem coloca em discussão uma das premissas do atual mercado de inteligência artificial: a ideia de que um modelo generalista suficientemente avançado poderia adquirir especialização simplesmente recebendo acesso às fontes corretas.
Os resultados preliminares apresentados pela Thomson Reuters indicam que treinamento especializado, conteúdo proprietário e participação humana de especialistas podem produzir ganhos adicionais que o simples acesso à informação não necessariamente reproduz.
Modelo é colocado à prova por acadêmicos
Antes do lançamento, a Thomson Reuters disponibilizou o Thomson para avaliações independentes realizadas por acadêmicos especializados em Direito e inteligência artificial.
A empresa informou que pretende ampliar o acesso externo ao modelo nos próximos meses como parte do processo de validação e evolução da tecnologia.
Também está prevista a disponibilização de uma versão reduzida do Thomson como modelo de pesos abertos (open-weight) na plataforma Hugging Face, destinada a utilização acadêmica e não comercial.
“Testei o Thomson contra o ChatGPT e o Claude utilizando algumas das questões mais desafiadoras feitas por estudantes na minha disciplina de Tributação Corporativa. Os três modelos responderam corretamente, mas, de forma geral, preferi as respostas do Thomson. Gostei especialmente dos links para tratados e referências jurídicas, que tornaram as respostas mais transparentes e úteis para o trabalho jurídico.”
- Jonathan H. Choi, Washington University School of Law
“Nossa avaliação concluiu que a qualidade das citações do Thomson é geralmente competitiva em relação aos principais modelos de fronteira, inclusive quando testado com questões de direito trabalhista canadense sem qualquer configuração específica para o Canadá.”
- Professor Samuel Dahan, Diretor do Queen’s Conflict Analytics Lab e do Cornell Legal AI Lab
Da corrida por modelos maiores à disputa pela confiança
O lançamento também sinaliza como a Thomson Reuters pretende se posicionar na próxima fase da inteligência artificial aplicada ao trabalho profissional.
Depois de uma etapa marcada principalmente pela competição por modelos maiores, mais capacidade computacional e maior número de parâmetros, a empresa aposta que a diferenciação para mercados profissionais estará cada vez mais relacionada à confiança, verificabilidade, especialização e controle sobre os modelos.
É nesse contexto que se insere o Fiduciary-Grade AI, conceito estabelecido pela Thomson Reuters para aplicações de inteligência artificial voltadas a profissionais que trabalham em ambientes nos quais precisão, rastreabilidade e responsabilidade são requisitos críticos.
Para a companhia, nesses contextos, estar “quase certo” não é suficiente.
CoCounsel será a primeira aplicação
A primeira implementação do Thomson ocorre no Tabular Analysis, recurso do CoCounsel Legal destinado à análise estruturada de grandes volumes de documentos.
A Thomson Reuters continuará, entretanto, trabalhando com uma arquitetura multimodelo. O Thomson será utilizado nas atividades em que demonstrar vantagens específicas, enquanto outros modelos líderes de mercado continuarão sendo empregados em aplicações nas quais ofereçam melhor desempenho.
A expectativa é que o Thomson esteja disponível no Tabular Analysis para escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos em uma próxima atualização.
A companhia também prevê levar modelos da família Thomson para outras soluções de seus portfólios jurídico e tributário e ampliar a oferta de alternativas de IA soberana.
O movimento representa uma mudança relevante na estratégia tecnológica da Thomson Reuters. A companhia, que há décadas controla parte do conteúdo, das bases de conhecimento e das ferramentas utilizadas por profissionais de diferentes setores, passa agora a controlar também uma das principais camadas de inteligência utilizadas para processar esse conhecimento.
Sobre a Thomson Reuters
A Thomson Reuters é uma empresa global de conteúdo e tecnologia que fornece informações, software e soluções especializadas para profissionais das áreas jurídica, tributária, auditoria, contabilidade, compliance, governo e mídia.
Suas soluções combinam conteúdo especializado, dados, tecnologia e inteligência para apoiar profissionais e organizações em processos de tomada de decisão.
Mais informações estão disponíveis no site institucional da Thomson Reuters.
Sobre a Reuters
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