Senado aprova marco regulatório para o setor. Objetivo é disciplinar operações e evitar fraudes
Em uma tentativa de estabelecer diretrizes às transações com o chamado “dinheiro virtual”, o país dá os primeiros passos para a regulamentação do mercado de criptomoedas no sistema financeiro nacional. No fim do mês passado, o Senado aprovou, em votação simbólica, o marco regulatório dos ativos virtuais.
A proposta, que volta agora à Câmara dos Deputados, traça diretrizes à “prestação de serviços ativos virtuais” e regulamenta o funcionamento das empresas prestadoras desses serviços.
“É um assunto extremamente importante e urgente. O Banco Central demandava ao Congresso para que nos posicionássemos em relação a um marco regulatório que pudesse entender a dimensão desse novo ambiente de negócios”, afirmou, à Agência Senado, o senador Irajá Abreu (PSD-TO). Relator do texto substitutivo ao projeto original, o Projeto de Lei 4.401/2021, Irajá destaca que, apenas no ano passado, as criptomoedas movimentaram R$ 215 bilhões no Brasil.
Segundo a proposta aprovada pelos senadores, ativo virtual é “a representação digital de valor que pode ser negociada ou transferida por meios eletrônicos e utilizada para a realização de pagamentos ou com propósito de investimento”, com exceção das moedas nacionais tradicionais (o real) e ativos já regulamentados em lei.
De acordo com a proposta de nova legislação, a prestação de serviços de criptomoedas terá de seguir algumas diretrizes, como adoção de boas práticas de governança, transparência nas operações, segurança da informação e proteção de dados pessoais e proteção de defesa dos consumidores, além da solidez e eficiência das operações.
Em relação às prestadoras de serviços de criptomoedas, o projeto de lei as define como “a pessoa jurídica que executa, em nome de terceiros, pelo menos um dos serviços de ativos virtuais”. Esses serviços podem ser: troca entre ativos virtuais e moeda nacional ou estrangeira, troca entre um ou mais ativos virtuais, transferência de ativos virtuais, custódia ou administração de ativos virtuais e participação em serviços financeiros. Caberá também ao executivo federal designar o órgão que irá controlar e fiscalizar as prestadoras de serviços.
Uma das preocupações do legislativo refere-se às fraudes na prestação de serviços virtuais. Após a aprovação da lei, esse tipo de crime passará a constar do Código Penal, com pena prevista de dois a seis anos de prisão e multa. “Esses golpes chegaram ao patamar de R$ 2,5 bilhões, só no ano de 2021, e precisam ser punidos com todo o rigor da lei. É por isso que estamos aqui tipificando esse crime, que não estava previsto no Código Penal brasileiro, muito menos nos crimes de colarinho branco. Seria o crime denominado e conhecido popularmente como crime de pirâmide financeira”, declarou o relator à Agência Senado.

O mercado de criptomoedas também estará sujeito ao Código de Defesa do Consumidor e as prestadoras de serviços serão obrigadas a manter separados os patrimônios de recursos financeiros e ativos virtuais dos lastros de titularidade para os clientes, para evitar prejuízos em caso quebra ou falência.
“O objetivo da nova legislação é estabelecer diretrizes para a prestação de serviços digitais. É interessante observar que temos de lidar não apenas com o futuro do dinheiro, mas também com o futuro das operações financeiras”, explica Thamilla Talarico, sócia e líder da área de Blockchain e Criptomoeda da EY.
Fonte: Agência EY
O que esperar para o mercado de criptomoedas em 2022?
Pauta da CAE tem foco na regulamentação das operações com criptomoedas
Acompanhe artigos sobre Criptoativos, Tokenização, Criptomoedas em nossa coluna Crypto News!
Inteligência Editorial que Orienta Cenários

Temos como propósito apresentar informações completas, contextualizadas e tecnicamente relevantes. Nosso compromisso é produzir conteúdos que ajudem efetivamente nossos leitores a tomar decisões, especialmente nos mercados brasileiro e latino-americano. E há ainda um resultado que confirma essa estratégia: a audiência expressiva que conquistamos também entre as plataformas e os mecanismos de busca baseados em inteligência artificial.
Faça parte desse contexto! contato@cryptoid.com.br
- Hypernative avança em processo de contratação com Banco Central após prova de valor em segurança onchain
- Yellow Card chega ao Brasil e aposta em stablecoins para pagamentos internacionais
- Regulamentação de PSAVs avança no Brasil e entra no debate do Blockchain.RIO
- Regulação dos PSAVs amplia exigências de segurança e governança no mercado de ativos digitais
- O banco ficou digital. E o dinheiro, realmente ficou nas mãos do cliente?
- Regulação e educação de autoridades pautam abertura do Blockchain.RIO 2026
- Mercado de stablecoins no Brasil avança em meio à regulamentação de ativos virtuais








