Com cerca de 70 mil visitas, 220 painéis e 627 palestrantes, Febraban Tech 2026 colocou IA, identidade digital, cibersegurança e futuro dos meios de pagamento no centro das discussões
Foram três dias intensos de conteúdo, inovação, tecnologia e discussões sobre os caminhos do sistema financeiro. O Febraban Tech 2026 encerrou sua 36ª edição consolidando uma mudança de escala e, ao mesmo tempo, colocando uma questão no centro dos debates: como incorporar tecnologias cada vez mais autônomas sem retirar das pessoas a responsabilidade pelas decisões?
O tema escolhido para esta edição, “Agentes inteligentes, liderança humana”, traduziu boa parte das discussões que ocuparam os dez auditórios e a área de exposição do Distrito Anhembi, em São Paulo, entre 24 e 26 de agosto.
Ao longo dos três dias, o evento recebeu cerca de 70 mil visitas, recorde de público e crescimento de quase 20% em relação à edição anterior. Foram 220 painéis, 627 palestrantes e aproximadamente 300 empresas entre patrocinadores e expositores. A mudança de endereço permitiu ainda ampliar em cerca de 71% a área total do evento.
Pelos palcos passaram algumas das principais lideranças do sistema financeiro brasileiro, entre elas o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, presidentes, CEOs e CTOs dos maiores bancos do país. Entre os convidados internacionais estiveram Joel Mokyr, vencedor do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2025, Radia Perlman e John Maeda.
Inteligência artificial, Open Finance, cibersegurança, identidade digital, meios de pagamento, computação em nuvem, ativos digitais, sustentabilidade e a interação entre humanos, agentes inteligentes e robôs apareceram sob diferentes perspectivas ao longo da programação.
O futuro bancário é construído em etapas cada vez mais curtas
Para Maurício Minas, integrante do Conselho de Administração do Bradesco e presidente do Conselho do Febraban Tech, olhar para o futuro dos meios de pagamento exige compreender primeiro como o setor financeiro brasileiro chegou ao estágio atual. “Eu acho que quando nós olhamos para a história, a gente percebe que foi uma construção.”
A observação é particularmente importante em um momento em que a velocidade da inovação pode criar a impressão de rupturas instantâneas. Para Minas, a transformação tecnológica do sistema financeiro ocorreu de maneira incremental, embora esses ciclos estejam ficando cada vez mais curtos. “Hoje, com a tecnologia evoluindo na velocidade que evolui, esse incremento ele é mais curto, ou seja, leva menos tempo para que você tenha impacto na vida das pessoas.”
Nos meios de pagamento, essa velocidade ganha ainda mais relevância porque se trata de uma tecnologia incorporada à rotina cotidiana dos consumidores. Minas observa que as transações de pagamento têm alta frequência e fazem parte do dia a dia dos clientes, o que, em sua avaliação, torna essa uma das áreas do setor financeiro que mais exige atenção contínua à melhoria da experiência do cliente.
A própria Febraban, ao relembrar a trajetória de inovação do sistema financeiro, destacou Pix, Open Finance e a progressiva hiperpersonalização dos serviços como parte desse processo.
Mais de R$ 50 bilhões em tecnologia e R$ 3 bilhões em IA e dados
Essa aceleração aparece também nos números apresentados durante o evento. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Deloitte, estima que os investimentos dos bancos em tecnologia chegarão a R$ 50,4 bilhões em 2026. O crescimento acumulado do orçamento tecnológico nos últimos cinco anos é de 58%.
Para Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban, a evolução tecnológica precisa vir acompanhada de preparo das pessoas. Segundo ele, a capacitação humana é importante para que as pessoas possam aproveitar as melhores oportunidades e também ter essa responsabilidade com o uso da inteligência artificial e dos agentes de inteligência artificial.
Ao comentar a pesquisa, Mósca destacou: “A 24ª edição da pesquisa de tecnologia bancária está trazendo muita coisa bacana, entre elas os principais números, crescimento robusto de investimento em tecnologia, pela primeira vez superando 50 bilhões de reais, crescimento de 58% em cinco anos”
Os números ajudam a dimensionar uma transformação que já chegou ao consumidor. Em 2025, o Brasil registrou 240,8 bilhões de transações bancárias, das quais 78% foram realizadas pelo celular. Considerados conjuntamente mobile e internet banking, os canais digitais responderam por 83% das transações.
Na inteligência artificial, os bancos estimam investir cerca de R$ 3 bilhões em inteligência artificial, Analytics e Big Data em 2026, 8% acima do ano anterior. A pesquisa mostra ainda que boa parte das instituições continua em fases iniciais de adoção, o que indica espaço para expansão expressiva das aplicações nos próximos anos.
Os casos de uso já ultrapassam atendimento e chatbots. Automação de processos internos, análise de dados, redução do tempo de resposta aos clientes e detecção e prevenção a fraudes estão entre os benefícios identificados pelas instituições financeiras.
Radia Perlman e uma internet que nunca foi obra de uma pessoa só
Um dos momentos especiais da programação foi a participação de Radia Perlman, cientista da computação cuja contribuição para a infraestrutura das redes modernas fez com que se tornasse conhecida internacionalmente como “Mother of the Internet”.
Perlman, no entanto, relativiza o título: “Mother of the Internet is extremely flattering and very catchy, but the reason that I say that’s not really right is because no one person invented the whole Internet.”
Ou seja, ela diz que considera o título “Mãe da Internet” muito elogioso e marcante, mas ressalta que ele não é exatamente correto, porque nenhuma pessoa, sozinha, inventou toda a internet.
A declaração ajuda a compreender também a própria natureza da infraestrutura digital: tecnologias críticas raramente surgem de uma única invenção ou de uma única pessoa. Elas são construídas em camadas, protocolos, padrões e contribuições sucessivas.
No setor financeiro, essa arquitetura está diretamente relacionada a questões de cibersegurança, autenticação das partes envolvidas, funcionamento das redes e proteção do fluxo de informações.
Ela chamou atenção para um aspecto menos tecnológico dos grandes encontros de inovação: as conexões humanas que acontecem fora da programação formal. “You can arrange meetings because everyone will be in the same place, but also it’s good to have just accidental meetings.”
Perlman declarou que eventos como o Febraban Tech criam oportunidades não apenas para reuniões programadas, mas também para encontros casuais, que podem gerar conversas e conexões inesperadas.
Esther Dweck aproxima identidade, biometria e sistema financeiro
A conexão entre infraestrutura pública digital e serviços financeiros apareceu de forma especialmente clara na participação de Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. “O setor bancário brasileiro é reconhecido mundialmente como sendo um setor extremamente avançado, extremamente inovador.”
Para a ministra, a proximidade entre governo e setor financeiro permite que soluções desenvolvidas nos dois ambientes sejam aproveitadas de forma complementar. “Eu levo bastante essa questão de identificação, segurança biométrica, algo que o governo está ofertando e que para o setor privado vai ter um valor gigantesco.”
A discussão ocorre em um momento em que o governo trabalha na consolidação de uma infraestrutura nacional de identificação apoiada na Carteira de Identidade Nacional (CIN), em bases biométricas públicas, no GOV.BR e em outras infraestruturas digitais. Há também cooperação técnica com a Febraban para estudar formas pelas quais essa estrutura poderá contribuir para a prevenção de fraudes no sistema financeiro.
Dweck citou o Pix como exemplo de como a cooperação pode produzir soluções de grande alcance. “E a gente é um exemplo claro de uma parceria setor público-privado, que a população brasileira gosta muito e foi uma inovação digital, que é o Pix.”
Para a ministra, tornar o acesso aos serviços públicos mais simples e digital e aproximá-lo de um sistema bancário tecnologicamente avançado pode melhorar a experiência da população e ampliar o alcance da transformação digital.
CIN chega ao Febraban Tech
A identidade esteve presente não apenas nos painéis. Durante o Febraban Tech 2026, uma operação possibilitou a emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) no modelo de cartão em policarbonato para centenas de participantes. A iniciativa foi realizada a partir de um acordo de cooperação entre ABRID, Febraban, Zetta e Secretaria de Governo Digital do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, com apoio do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt (IIRGD), Prodesp e Valid.
Durante a cobertura do evento, Regina Tupinambá, do Crypto ID, entrevistou Márcio Lazzari, chefe da representação executiva do Instituto de Identificação de São Paulo, Professor Coordenador de Papiloscopia pela Acadepol SP que falou sobre a iniciativa e a presença da CIN no Febraban Tech 2026.
A entrevista integra os conteúdos produzidos pelo portal diretamente no evento. Segundo informações compartilhadas com o Crypto ID durante o Febraban Tech, 502 CINs foram emitidas na ação.

Para Célio Ribeiro, presidente do InterID – Instituto Internacional de Identificação e da ABRID (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia em Identificação Digital, a presença da CIN no principal evento de tecnologia do sistema financeiro também simboliza o avanço da nova infraestrutura brasileira de identificação. “Numa ação de divulgação da CIN, decorrente de Acordo de Cooperação firmado entre Abrid, Febraban, Zetta e SGD/MGI, realizamos com apoio do Instituto de Identificação do estado de São Paulo – IIRGD, e de seus parceiros PRODESP e VALID, a emissão da CIN no modelo de cartão em policarbonato, para centenas de visitantes do evento.”
O projeto chega a essa etapa em um momento simbólico. Célio Ribeiro destacou: “No momento em que atingimos a marca de 62.000.000 de CIN’s emitidas no Brasil e de 10.000.000 de CIN’s emitidas no estado de São Paulo, poder apresentar isso no mais qualificado evento de tecnologia da indústria financeira, é motivo de orgulho e comemoração.”
Os números de 62 milhões de CINs no Brasil e 10 milhões no estado de São Paulo também foram divulgados pela Valid ao término do evento. Ribeiro resumiu sua visão sobre o projeto em uma frase: “CIN, NOSSO MAIOR INSTRUMENTO DE CIDADANIA”.
Um ecossistema de tecnologia ocupou o Anhembi
O tamanho da área de exposição mostrou também como a tecnologia financeira deixou de ser um mercado restrito a fornecedores tradicionais de sistemas bancários.
Entre os patrocinadores Platinum estavam Accenture, ACT Digital, AWS, Capgemini, Claro Empresas, Dell, Foursys, GFT Technologies, IBM, KPMG, Matera, Microsoft, NTT Data, Serasa Experian, Stefanini e Tata Consultancy Services. Na categoria Ouro apareceram empresas como B3, Broadcom, Deloitte, Diebold, Dock, Feedzai, Google Cloud, Logicalis, Mastercard, Núclea, Oracle, Ripple, Salesforce, Unico, Veritran e Visa. Entre os patrocinadores Prata estavam Incognia, Legitimuz, LexisNexis Risk Solutions, Pismo, QI Tech, TecBan e Valid, entre outras.
A relação de expositores amplia ainda mais esse retrato. Empresas diretamente relacionadas aos temas acompanhados pelo Crypto ID, como 4I Biometrics, Aware, Certta, Biostation, DINAMO, Everst Digital, HID, Innovatrics, Intelbras, Prodesp, Serpro, Soluti, Sumsub, Thales, Temenos e ZapSign, estiveram entre as organizações presentes na área de exposição.
São empresas atuando em diferentes camadas da infraestrutura de confiança: biometria, identidade digital, certificação digital, criptografia, autenticação, prevenção a fraudes, cibersegurança, pagamentos, infraestrutura bancária, nuvem e proteção de dados.
A cobertura do Crypto ID no Febraban Tech 2026
O Crypto ID acompanhou presencialmente os três dias do Febraban Tech 2026, direcionando sua cobertura principalmente aos temas que fazem parte de sua linha editorial: identidade digital, biometria, criptografia, certificação digital, cibersegurança, prevenção a fraudes, meios de pagamento e infraestrutura de confiança.
A cobertura incluiu entrevistas e conteúdos diretamente dos estandes, reunindo diferentes perspectivas sobre identidade, biometria, autenticação, assinatura eletrônica, antifraude, segurança e transformação digital. Entre os entrevistados estão André Reis, Fabrizio Vargas, Rodolfo Lucarts, Vinícius Ferreira, da HID; Getúlio Santos, da ZapSign; Carlos Okada, da Innovatrics; Vinicius Sousa e Luis Eduardo Viegas, da Soluti; Gleysson Araújo, da Everest Digital; Alexandre Siffert, da CERMOB; Marco Zanini, da DINAMO; Jean-Michel Guillot, da DINAMO; Alex Camargo, da Delfia; Jorge Iglesias, da Stefanini/Topaz e Márcio Lazzari, Papiloscopista do Governo do Estado de São Paulo.
Durante o Febraban Tech 2026, Susana Taboas, cofundadora do Crypto ID, conduziu, em inglês, entrevistas com Lena Abdelahad, SVP & Managing Director, Biometrics da HID, e Daniel Asraf, VP of Product Management and Innovation da HID. As conversas aprofundaram a visão da HID sobre o avanço da biometria e da identidade digital no setor financeiro, os desafios de conciliar segurança e experiências cada vez mais fluidas para os usuários e o papel dessas tecnologias na prevenção a fraudes, na construção de confiança digital e na evolução dos novos modelos de autenticação e relacionamento entre instituições financeiras e clientes.

SVP & Managing Director, Biometrics

O trabalho começou ainda antes da abertura do evento, acompanhando temas que chegariam aos palcos, entre eles Open Finance, evolução das fraudes digitais, inteligência artificial aplicada à cibersegurança, biometria e a utilização da CIN como elemento de confiança para o sistema financeiro.
As entrevistas, análises e conversas realizadas ao longo desses três dias continuarão chegando aos leitores do Crypto ID, porque boa parte das questões apresentadas no Febraban Tech 2026 permanece aberta: como identificar pessoas e agentes em ambientes cada vez mais automatizados, como manter confiança e segurança à medida que as transações se tornam invisíveis e instantâneas e, principalmente, como garantir que a liderança continue humana quando os agentes se tornarem cada vez mais inteligentes.
Tecnologia também se encontra fora dos painéis
Os três dias terminaram em clima de confraternização. O primeiro teve show de Léo Jaime, o segundo recebeu Leilah Moreno e o encerramento ficou por conta de Daniela Mercury.
A combinação entre conteúdo, demonstrações de tecnologia, negócios, encontros e música ajudou a materializar uma das mensagens da própria Radia Perlman: parte importante da inovação acontece justamente nas conversas que não estavam programadas. E a cobertura não termina com o fechamento das portas do Distrito Anhembi. O Febraban Tech 2026 terminou. As discussões que ele colocou em movimento, não.
HID Traz Identidade Confiável para o Febraban Tech 2026 no Distrito Anhembi, em São Paulo
Thales apresenta novas tecnologias de pagamentos e segurança na Febraban Tech 2026
ID Talk com Elias Rogério da Silva: infraestrutura, IA e resiliência no Febraban Tech 2026
Eventos que moldam o futuro da confiança digital
Estamos presentes nos principais palcos de tecnologia do Brasil e do mundo. Acreditamos que compartilhar conhecimento é essencial para o fortalecimento do ecossistema. Por isso, nossa cobertura destaca tendências, soluções, especialistas e empresas que lideram essa transformação.
Acompanhe os principais eventos do setor. Confira aqui!
Conheça nossa coluna sobre o Mercado Financeiro, leia outros artigos e acompanhe os principais eventos do setor. Somos oficialmente parceiros de mídia do Febraban Tech.
Febraban Tech 2026 encerra edição recorde com IA, identidade e inovação










