As identidades estão diferentes. Atualmente, jovens não possuem a documentação financeira convencional porque adiam conquistas importantes
Por Rafael Costa Abreu

Em todo o mundo, jovens adultos, imigrantes recém-chegados e outras populações historicamente negligenciadas estão crescendo rapidamente e transformando o cenário financeiro global. Até 2030, consumidores entre 15 e 34 anos representarão 75% da população nos mercados emergentes.
Essa mudança demográfica representa, ao mesmo tempo, uma enorme oportunidade de crescimento e um desafio crucial: como as instituições financeiras podem verificar identidades de forma eficaz sem comprometer a segurança?
À medida que esses consumidores entram no sistema financeiro em busca de crédito, pagamentos e outros serviços essenciais, as empresas precisam de métodos modernos e confiáveis para integrá-los com segurança, evitando assim perdas significativas por fraude.
A natureza mutável da identidade
As identidades hoje são muito diferentes das gerações anteriores. Muitos jovens não possuem a documentação financeira convencional porque estão adiando conquistas importantes, como comprar um carro ou um imóvel.
Os dados mostram como a vida mudou drasticamente: na Austrália, 73% dos jovens de 19 anos moram com os pais; nos EUA, apenas 17% dos adultos entre 25 e 34 anos fazem o mesmo. Já na Europa, a taxa de jovens proprietários de imóveis entre 25 e 34 anos caiu de 25% para 11% em pouco mais de uma década.
Além disso, a Geração Z é amplamente digital. Mais da metade dos consumidores entre 18 e 25 anos utiliza pagamentos P2P regularmente, e o público abaixo dos 35 anos lidera a adoção do modelo “compre agora, pague depois” (BNPL, na sigla em inglês). Esses consumidores esperam experiências rápidas, práticas e com foco em dispositivos móveis. Cerca de 60% afirmam que trocariam de banco em busca de uma experiência digital superior.
Esses clientes, porém, frequentemente apresentam registros de identidade incompletos, inconsistentes ou não convencionais que simplesmente não passam pelos métodos tradicionais de verificação. Entre eles estão populações negligenciadas, como estudantes internacionais, pessoas em situação de rua, sobreviventes de tráfico humano e indivíduos que mudaram de nome.
Migração e mobilidade adicionam complexidade
Os imigrantes recém-chegados formam um dos grupos de identidades emergentes que mais crescem e também um dos mais difíceis de autenticar. Em 2020, mais de 281 milhões de pessoas em todo o mundo viviam fora de seus países de origem comparado aos 93 milhões em 1970.
Muitos imigrantes chegam sem histórico de crédito local, endereço fixo ou registros de identidade digital locais. Estudantes internacionais podem ter passaportes válidos e diplomas acadêmicos de seus países de origem, mas frequentemente enfrentam dificuldades para abrir contas bancárias ou contratar planos de telefonia móvel porque os sistemas legados não conseguem autenticar dados de identidade internacionais.
Esses consumidores também dependem muito da tecnologia móvel. Cerca de 4,6 bilhões de pessoas usavam internet móvel em 2022, e os dispositivos móveis representaram 84% das conexões de banda larga em 2023. Sem sistemas de identidade modernos que possam validar documentos estrangeiros e sinais digitais, as empresas correm o risco de excluir esse importante segmento.
Identidades sintéticas se escondem à vista de todos
Qual é a ameaça? As identidades emergentes muitas vezes se assemelham a uma das formas mais prejudiciais de fraude: as identidades sintéticas. Esses perfis fabricados combinam informações reais, roubadas e falsificadas para criar personas digitais sofisticadas que burlam os sistemas de verificação tradicionais. A fraude com identidades sintéticas explodiu no mundo todo; somente o Reino Unido registrou um aumento de 500% em identidades sintéticas de alto risco entre 2020 e 2023.
A fraude de identidade sintética causa perdas globais de até US$ 40 bilhões por ano, evidenciando a vulnerabilidade dos sistemas tradicionais. Contudo, as mesmas tecnologias que os fraudadores usam para explorar brechas podem ser usadas para combatê-los.
Com soluções de verificação de identidade inteligentes e análises em camadas, as empresas podem diferenciar consumidores legítimos de perfis fraudulentos e transformar essa ameaça em vantagem competitiva.
Como separar o real do falso?
Embora identidades sintéticas e emergentes possam parecer semelhantes, análises avançadas revelam padrões que distinguem claramente clientes reais de clientes fictícios.
Os fraudadores operam no que chamamos de “velocidade da luz“, enviando várias solicitações em curto prazo para criar perfis de crédito para identidades falsas. Já as identidades reais, mesmo as emergentes, se constroem aos poucos, com histórico e relacionamentos legítimos que se acumulam ao longo da vida.
Essa diferença de comportamento é gritante no momento da aplicação. De acordo com pesquisas internas da LexisNexis Risk Solutions, identidades sintéticas são muito mais propensas a apresentar comportamentos incomuns, tais como:
- Sete vezes mais propensas a não ter parentes de primeiro grau.
- 20 vezes mais presentes em grupos de solicitações de crédito em um curto período de tempo
- Sete vezes mais propensas a aparecer pela primeira vez em uma agência de crédito com idade avançada.
Isoladamente, um sinal de risco raramente conta toda a história, mas a inteligência em camadas pode contar. Indicadores como velocidade de aplicação, comportamento de dispositivos, anomalias de IPs, risco de e-mail e atualidade dos dados, em conjunto, criam uma imagem mais clara da legitimidade da identidade.
O futuro da verificação está na inteligência em camadas
A integração segura exige mais do que análises tradicionais ou revisões manuais. Líderes do setor estão adotando estratégias mais avançadas e complexas que tratam a identidade como um ecossistema dinâmico, incluindo:
- Uso de dados alternativos e referenciais, como metadados de educação e transações
- Aproveitamento de redes colaborativas de inteligência para identificar sinais de risco em diversos setores e regiões geográficas
- Autenticação de documentos com detecção de vivacidade para reduzir atritos e confirmar a legitimidade
- Análises comportamentais digitais em camadas, incluindo reputação do dispositivo e idade do e-mail, para distinguir consumidores legítimos de fraudadores.
Crescimento sustentável começa com confiança
Na próxima década, as instituições financeiras bem-sucedidas serão aquelas capazes de verificar e acolher novas identidades de forma segura, sem abrir margem para fraudes sintéticas ou ataques de deepfake alimentados por IA. A verificação de identidade eficaz não é apenas uma estratégia de prevenção de fraudes; é um catalisador fundamental para o crescimento.
Ao adotar fontes de dados mais amplas e inteligentes, as empresas podem expandir o acesso ao sistema financeiro de forma responsável, fortalecer a confiança e aproveitar uma das oportunidades de aquisição de clientes mais importantes do século.
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