O Pix se consolida como infraestrutura de pagamentos e avança para o mercado corporativo, impulsionando inovação e novas soluções financeiras
Lançado em 2020 pelo Banco Central, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do Brasil e já movimenta trilhões em transações mensais, mas sua expansão agora mira o ambiente corporativo e novas camadas de inovação financeira. Em meio a discussões do ecossistema de fintechs, como as apresentadas no Fintouch, especialistas apontam que a próxima fase do sistema envolve superar barreiras comportamentais e integrar soluções como pagamentos parcelados, automação e uso do Pix em estruturas tradicionais como boletos e crédito empresarial.
Potencial de desenvolvimento do Pix redefine sistema financeiro
Por Francisco Bonfim

Lançado oficialmente em 2020, o Pix, ferramenta de pagamento instantâneo do Banco Central, surgiu com o objetivo de trazer um novo fôlego e independência ao sistema financeiro brasileiro.
Quase seis anos depois, a tecnologia está completamente integrada ao cotidiano dos consumidores. Ainda assim, continua demonstrando amplo potencial de evolução e crescimento, sobretudo no ambiente empresarial.
O sucesso do Pix não deve ser medido apenas pela quantidade de transações realizadas, mas principalmente pela capacidade de continuar gerando eficiência e inovação para consumidores e empresas. Para que o cenário de aperfeiçoamento seja constante, são necessárias medidas que partam de diferentes níveis desse ecossistema, passando desde o usuário até as empresas que ofertam o serviço.
Políticas de regulamentação, criação de medidas de segurança e o aprimoramento de tecnologias são exemplos de fatores que demandam a organização do setor para que o mercado se mantenha sustentável.
Diante dessa necessidade, surgem conferências e eventos como o Fintouch, principal evento de inovação e tecnologia financeira do Brasil, organizado pela ABFintechs com o objetivo de promover discussões sobre a inovação e oportunidades de negócio no setor.
Presente no evento como representante da Pagsmile, fui responsável pela mediação de uma discussão com especialistas do setor sobre a identidade do Pix e suas possibilidades de evolução em um momento em que a ferramenta já ocupa posição central na rotina dos brasileiros.
A adesão massificada ao meio de pagamento é incontestável. De acordo com o Banco Central do Brasil (BACEN), foram realizadas mais de 7,8 bilhões de transações e movimentados R$3.474 bilhões apenas durante o mês de maio, atestando a popularidade do serviço. Do ponto de vista mercadológico, a consolidação da ferramenta cria um território fértil para o crescimento, não somente dos bancos tradicionais, mas também de fintechs e instituições financeiras.
O uso predominante por parte do público geral é endossado não apenas pela praticidade, mas por incorporar pessoas que antes se encontravam fora do sistema financeiro tradicional. Ao reduzir burocracias e facilitar o acesso a serviços financeiros tradicionalmente menos acessíveis, como o crédito, o Pix passou a apresentar um caráter democrático, fator fundamental para a incorporação do meio de pagamento em diferentes camadas sociais.
Hoje, presente na rotina de diversas instituições, a ferramenta se incorporou de forma mais lenta no ambiente empresarial, registrando um volume de movimentação superior a R$1,447 bilhões em transações B2B durante o mês de maio.
Parte da explicação reside no fato de que o boleto, meio com presença dominante, exerce função de gestão, permitindo acordos com vencimentos definidos, conciliação e conformidade com rotinas de contas a pagar e a receber. Essa dinâmica instiga o desenvolvimento de novas modalidades, como a presença de códigos Pix já inseridos em boletos bancários.
Nesse sentido, é preciso reconhecer a existência de fricções na promoção de inovação dentro de um sistema que se consolidou rapidamente. O Pix automático, parcelado, por aproximação e o “bolepix”, que integra códigos Pix aos boletos bancários tradicionais, apesar de convenientes, encontram barreiras comportamentais no momento em que carregam a proposta de substituir ferramentas já existentes, como o débito automático e o cartão de crédito.
É preciso reconhecer o peso da conveniência e dos fatores comportamentais na escolha dos meios de pagamento utilizados pelos consumidores. Diante de opções que já funcionam, mesmo que com gargalos, há a dificuldade em migrar ativamente para novas soluções. A baixa curva de adesão de novas soluções deixa claro que a necessidade de um sistema instantâneo, quando antes não havia alternativas igualmente eficientes, impulsionou a aderência pelo Pix.
Apesar disso, a evolução da tecnologia se mantém constante, guiada pela atuação de fintechs e instituições de pagamento. Uma vez em contato direto com o consumidor, essas empresas identificam com maior facilidade eventuais necessidades dos usuários. Do outro lado do ecossistema, o BACEN atua para a regulamentação e padronização de novos produtos, garantindo que o mercado funcione de forma igualitária e competitiva.
Mais do que transformar a forma como realizamos pagamentos, o Pix contribuiu para modernizar a cultura financeira brasileira e impulsionar a digitalização do sistema financeiro nacional. O alinhamento entre eficiência, segurança e inovação fortalece o mercado interno e posiciona o Brasil como referência global em meios de pagamento instantâneos.
O Crypto ID agradece a contribuição de Francisco Bonfim, da Pagsmile, pela participação e pela mediação de discussões relevantes sobre a evolução do Pix e suas novas frentes de desenvolvimento no ecossistema de pagamentos. Sua atuação no Fintouch reforça o papel das fintechs na construção de uma infraestrutura financeira mais eficiente, inovadora e integrada no Brasil.
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