A partir do alerta publicado em 19 de fevereiro de 2026 pela America’s Credit Unions, nós, no Crypto ID, reforçamos que o risco de terceiros é hoje o principal multiplicador de exposição — somado a APIs inseguras, ransomware com roubo de dados e à ameaça “colha agora, decripte depois”. A segurança deixou de ser um perímetro e passou a ser uma cadeia
Quando a ameaça começa fora da empresa
A publicação da America’s Credit Unions de 19 de fevereiro de 2026 chama atenção para um conjunto de ameaças que cooperativas de crédito e instituições financeiras precisam enfrentar ao longo do ano. Ao ler o material, fica evidente um ponto central: a segurança de uma organização é, na prática, tão forte quanto a segurança dos seus parceiros e fornecedores.
No Crypto ID, nós acompanhamos esse tema há anos. Em análises e entrevistas, temos mostrado que o elo mais frágil raramente está no core bancário ou no data center principal, mas sim na extensa cadeia de terceiros, integrações e serviços que sustentam a operação digital moderna. O alerta de 2026 apenas consolida o que os incidentes recentes já vinham mostrando.
Risco de terceiros: o problema estrutural da era dos ecossistemas digitais
A publicação da America’s Credit Unions é direta: cooperativas de crédito dependem cada vez mais de fornecedores externos para sistemas centrais, aplicativos móveis e processamento de pagamentos. Criminosos sabem disso. Explorar a vulnerabilidade de um fornecedor pode dar acesso a dados de clientes sem tocar diretamente nos sistemas da instituição.
Do ponto de vista do usuário final, não existe “incidente do fornecedor” — existe apenas a violação associada à marca em que ele confia. O dano reputacional e financeiro recai sobre a instituição, independentemente de onde a falha tenha se originado, e os impactos podem incluir roubo de identidade e acesso não autorizado a contas.
É por isso que nós defendemos no Crypto ID que segurança de terceiros deve ser tratada com o mesmo rigor que a segurança interna: Avaliações de segurança antes da contratação e de forma recorrente; Cláusulas contratuais claras de notificação de incidentes; Princípio do menor privilégio para acessos de fornecedores; E, principalmente, um plano objetivo para o dia em que um terceiro for comprometido — porque esse dia, estatisticamente, tende a chegar.
Conexões inseguras entre sistemas: APIs viraram porta de entrada
Outro ponto crítico levantado pela publicação é o crescimento das conexões entre sistemas. Open banking, integrações com fintechs e serviços mobile-first ampliam o número de APIs em produção — e cada API é um potencial ponto de entrada se não estiver corretamente protegida.
Usuários que utilizam aplicativos de terceiros ficam especialmente expostos quando essas integrações são frágeis. Uma única vulnerabilidade pode permitir: Enumeração massiva de contas, Testes automatizados de credenciais, ou até bypass completo de autenticação.
A conveniência que o mercado exige cria um paradoxo: quanto mais conectados os serviços, maior o desafio de proteger cada elo dessa cadeia. A recomendação é clara e nós reforçamos: testar todas as conexões antes de entrar em produção, monitorar continuamente, impor limites de tentativas de login e manter um inventário completo de integrações, inclusive aquelas criadas fora dos fluxos formais de TI.
Ransomware evoluiu: agora é bloqueio + extorsão por dados
A publicação também destaca uma mudança importante no perfil dos ataques: ransomware deixou de ser apenas indisponibilidade de sistemas. Hoje, o modelo dominante é o da dupla extorsão — primeiro os dados são roubados, depois os sistemas são criptografados, e a ameaça passa a ser tanto operacional quanto reputacional.
O impacto para os clientes é profundo:
- Indisponibilidade de contas por dias ou semanas,
- Exposição de dados pessoais e financeiros,
- E perda de confiança se a comunicação da instituição for falha ou tardia.
Do ponto de vista de boas práticas, o recado é objetivo: backups offline testados regularmente, treinamento contínuo contra phishing (ainda o principal vetor de entrada), segmentação de rede para conter movimentos laterais e, acima de tudo, um plano de resposta a incidentes que inclua comunicação clara e transparente com clientes e stakeholders.
“Colha agora, decripte depois”: a ameaça que já está em curso
Talvez o ponto mais estratégico do alerta seja o chamado “harvest now, decrypt later”. Criminosos já estão roubando dados criptografados hoje com a expectativa de quebrar essa criptografia no futuro, quando capacidades computacionais mais avançadas — especialmente no contexto pós-quântico — estiverem disponíveis.
Os dados mais visados são exatamente aqueles que continuam sensíveis por muitos anos:
- Identificadores pessoais,
- Registros financeiros de longo prazo,
- Dados de crédito,
- Credenciais de conta.
Quando a quebra for viável em escala, o dano será retroativo — e muitas vítimas sequer saberão quando, de fato, suas informações foram coletadas.
Por isso, a orientação é começar agora a transição para criptografia mais forte, mapear sistemas que dependem de criptografia, priorizar os mais sensíveis, acompanhar as recomendações do NIST para segurança resistente a ataques quânticos e, sempre que possível, reduzir o volume e o tempo de retenção de dados sensíveis.
Segurança deixou de ser perímetro, virou cadeia
O alerta da America’s Credit Unions é claro, e nós, no Crypto ID, concordamos integralmente: cibersegurança não pode mais ser tratada como um exercício periódico de conformidade. Cada fornecedor, cada API, cada decisão tecnológica e cada interação humana passa a compor a postura real de segurança da organização.
Em 2026, o risco de terceiros soma-se a integrações inseguras, a modelos mais agressivos de ransomware e a ameaças de longo prazo contra a própria criptografia. Instituições que investirem apenas em ferramentas, sem investir em governança, processos e cultura de segurança, continuarão vulneráveis.
Já aquelas que tratarem a segurança como uma responsabilidade de toda a cadeia digital estarão, de fato, mais preparadas para proteger seus clientes, seus dados e a confiança que sustenta o negócio.
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