Pesquisa da Mastercard revela como consumidores lidam com riscos, confiança e pagamentos digitais na região
Fraudes com IA e confiança digital: o novo paradoxo da cibersegurança na América Latina
À medida que os pagamentos digitais se consolidam como padrão na América Latina e no Caribe, um paradoxo se intensifica: os consumidores estão mais confiantes em sua capacidade de navegar no ambiente digital, mas continuam profundamente preocupados com fraudes e golpes cada vez mais sofisticados. É o que revela a mais recente pesquisa regional da Mastercard sobre percepção de cibersegurança.
O estudo mostra que oito em cada dez consumidores latino-americanos (80%) afirmam sentir-se capazes de se proteger online, um sinal claro da maturidade digital crescente da região. Ainda assim, quase metade dos entrevistados (47%) aponta fraudes e golpes como a maior frustração nas transações digitais, evidenciando a tensão permanente entre conveniência, confiança e risco.
Segundo Ana Lucia Mangliano, Vice-Presidente Executiva de Serviços da Mastercard para a América Latina e o Caribe, a região vive uma realidade dupla: consumidores confiantes, abertos à inovação, mas atentos ao avanço das ameaças. Para ela, os dados reforçam a necessidade de reduzir a lacuna de confiança com soluções que antecipem riscos e protejam organizações e usuários finais.
O avanço da fraude impulsionada por inteligência artificial
Deepfakes, clonagem de voz e golpes cada vez mais personalizados já estão mudando a forma como os consumidores latino-americanos percebem a segurança digital. Para 43% dos entrevistados na região, as fraudes baseadas em IA representam uma ameaça emergente que redefine os parâmetros tradicionais de confiança no ambiente online.
Golpes por telefone e voz seguem como o tipo de fraude mais comum na América Latina (32%), seguidos por esquemas em redes sociais e ataques de phishing. A sofisticação dessas táticas dificulta a distinção entre interações legítimas e fraudulentas, elevando simultaneamente a vigilância e a frustração dos consumidores.
No Brasil, o cenário apresenta particularidades relevantes. As fraudes mais recorrentes estão associadas a compras e varejo (37%), seguidas por esquemas de investimento e criptomoedas (30%) e roubo de identidade (31%).
O retrato brasileiro: vergonha, evasão e geração Z
Os dados nacionais, obtidos a partir de 1.006 entrevistados, aprofundam a leitura regional e revelam impactos comportamentais significativos. Um dos achados mais sensíveis diz respeito ao estigma: 59% dos consumidores brasileiros afirmam que sentiriam vergonha se fossem vítimas de um golpe online, e 42% teriam constrangimento em relatar o ocorrido.
O impacto econômico também é expressivo. Após uma fraude, 74% dos consumidores abandonariam pequenos negócios, passando a comprar apenas de grandes varejistas ou marcas conhecidas. Além disso, 63% deixariam completamente de comprar do estabelecimento onde o incidente ocorreu, evidenciando como a confiança é determinante para a sobrevivência do varejo digital.
Entre os jovens da Geração Z, o contraste é ainda mais evidente. Consumidores entre 18 e 27 anos são os que mais interagiram com tentativas de golpe no último ano (29%), mas também os que menos adotam práticas básicas de segurança digital (50%), tornando-se simultaneamente os mais conectados e os mais vulneráveis.
A preocupação com o uso de IA em fraudes é quase unânime no país. Cerca de 89% dos brasileiros temem a clonagem de voz para golpes, e 81% acreditam que deepfakes podem representar uma ameaça à segurança nacional no curto prazo. Não por acaso, 88% afirmam que gostariam de receber treinamento formal para lidar com golpes digitais.
Confiança como base do crescimento digital
Apesar dos riscos, a confiança institucional segue sustentando o avanço do ecossistema digital na região. Bancos (89%) e redes de pagamento como a Mastercard (82%) aparecem como as instituições mais confiáveis para proteger dinheiro e dados dos consumidores latino-americanos.
No Brasil, essa percepção se mantém, com nuances importantes. Cerca de 74% dos consumidores confiam mais nos bancos e 71% nas empresas de cartão de crédito do que nas instituições governamentais (54%) quando o tema é proteção contra fraudes. Além disso, 64% afirmam confiar mais em seus provedores financeiros do que em si próprios para evitar transações fraudulentas.
Os consumidores também demonstram preferência clara por mecanismos que reforcem a sensação de segurança, como alertas proativos e ferramentas de monitoramento, políticas transparentes de proteção e reembolso em caso de fraude, e métodos mais robustos de autenticação, incluindo biometria e passkeys.
Inovação, educação e segurança integrada
O engajamento com finanças digitais segue em alta na América Latina. Cartões de débito (89%) e crédito (84%) dominam as transações cotidianas, enquanto transferências em tempo real (79%) e carteiras digitais (74%) se consolidam pela velocidade e conveniência. Ao mesmo tempo, preocupações com privacidade e uso de dados pessoais permanecem relevantes para quase um terço dos entrevistados.
Nesse contexto, a Mastercard reforça sua estratégia de proteção que vai além da segurança da transação em si, atuando sobre toda a jornada digital. A empresa investiu US$ 11 bilhões em cibersegurança nos últimos cinco anos e lançou recentemente o Mastercard Threat Intelligence, solução que permite a aplicação de inteligência de ameaças em escala em todo o ecossistema de pagamentos.
Para Mangliano, a economia digital continuará avançando na medida em que confiança e segurança forem tratadas como elementos inseparáveis da inovação. Os consumidores, segundo ela, buscam uma segurança visível, como alertas e biometria, sustentada por proteções robustas e silenciosas que operam nos bastidores.
Metodologia
A pesquisa regional de cibersegurança da Mastercard foi conduzida pela The Harris Poll entre 8 e 25 de setembro de 2025, com 13.077 consumidores em 15 mercados da América Latina e do Caribe. No Brasil, participaram 1.006 entrevistados.
Sobre a Mastercard
A Mastercard impulsiona economias e empodera pessoas em mais de 200 países e territórios. Em parceria com clientes e parceiros, a empresa constrói uma economia digital mais segura, inclusiva e sustentável, oferecendo soluções que tornam os pagamentos simples, inteligentes e confiáveis.
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