Levantamento global da Cloudera revela que empresas brasileiras ampliam gastos com cloud e inteligência artificial, mas ainda enfrentam obstáculos relacionados à integração, governança e confiança nos dados
A corrida corporativa pela inteligência artificial segue avançando no Brasil, impulsionada por investimentos crescentes em infraestrutura e modernização tecnológica. No entanto, a dificuldade de consolidar, governar e confiar nos dados continua sendo um dos principais entraves para que as empresas consigam extrair valor real das iniciativas de IA.
É o que mostra a nova edição do estudo “Data Readiness”, divulgado pela Cloudera, empresa especializada em plataformas híbridas para dados, analytics e inteligência artificial. A pesquisa ouviu 1.270 líderes de TI em diferentes países, incluindo 181 executivos brasileiros, para avaliar o nível de maturidade das organizações em relação à infraestrutura de dados, governança, alinhamento estratégico e preparação para cargas de trabalho baseadas em IA.
Segundo o levantamento, 85% das empresas brasileiras planejam ampliar os investimentos em cloud computing, enquanto 36% afirmam que esse aumento será significativo. O movimento reforça a percepção de que a inteligência artificial deixou de ser um projeto experimental para se tornar prioridade estratégica dentro das organizações.
Apesar disso, o estudo aponta que a expansão tecnológica ainda convive com problemas estruturais importantes. A fragmentação dos ambientes de dados, a baixa visibilidade sobre informações corporativas e as dificuldades de integração entre sistemas aparecem como barreiras recorrentes.
Mais da metade dos entrevistados no Brasil, cerca de 51%, afirmou que a visibilidade limitada dos dados prejudica o uso eficiente das informações dentro das empresas. O problema impacta diretamente projetos de IA, analytics e automação, especialmente em ambientes corporativos marcados pela coexistência de múltiplas plataformas, aplicações e ambientes híbridos.
Outro dado relevante envolve a qualidade das informações. Metade dos executivos entrevistados afirmou que iniciativas baseadas em dados sofrem impacto direto da baixa qualidade dos datasets utilizados pelas organizações. Na prática, isso significa que mesmo empresas que avançaram em infraestrutura ainda enfrentam desafios relacionados à consistência, atualização e confiabilidade das informações utilizadas para alimentar modelos de IA.
Governança ainda não acompanha avanço da IA
O estudo também evidencia uma contradição presente no atual momento do mercado. Embora 95% dos entrevistados demonstrem confiança de que suas infraestruturas de dados serão capazes de sustentar prioridades estratégicas nos próximos dois ou três anos, apenas 25% afirmam possuir governança plena sobre todos os dados corporativos.
A diferença entre percepção de preparo e maturidade efetiva chama atenção justamente em um momento em que a inteligência artificial passa a depender cada vez mais de ambientes auditáveis, rastreáveis e confiáveis.
Segundo Rubia Coimbra, vice-presidente da Cloudera para a América Latina, a aceleração dos investimentos em IA confirma a relevância estratégica do tema, mas não elimina obstáculos históricos relacionados à cultura organizacional e à arquitetura de dados.
De acordo com a executiva, a dificuldade de acesso às informações e a resistência cultural ao compartilhamento de dados ainda limitam o potencial das iniciativas corporativas baseadas em IA.
Esse aspecto também aparece de forma expressiva no levantamento. Cerca de 46% dos entrevistados disseram que a resistência interna ao compartilhamento de dados continua sendo uma barreira relevante para o uso eficiente das informações nas organizações.
Ao mesmo tempo, o estudo indica que a maior parte das empresas já compreende a importância estratégica da agenda de dados. Segundo a pesquisa, 91% dos executivos afirmaram que suas estratégias de dados estão alinhadas aos objetivos de negócio das organizações.
IA exige infraestrutura de confiança
O levantamento reforça um movimento cada vez mais evidente no mercado corporativo: projetos de inteligência artificial não dependem apenas de capacidade computacional ou acesso a modelos avançados. A qualidade, rastreabilidade e governança dos dados passam a ocupar posição central na construção de ambientes seguros e confiáveis para IA.
Na prática, isso significa que empresas que desejam escalar iniciativas de inteligência artificial precisarão investir não apenas em modelos, mas também em arquitetura, integração, segurança e governança da informação.
Nesse cenário, plataformas capazes de unificar ambientes híbridos e oferecer controle centralizado sobre os dados ganham relevância estratégica, especialmente em setores altamente regulados como financeiro, governo, indústria e saúde.
A Cloudera afirma que sua estratégia está baseada justamente na oferta de acesso unificado e seguro aos dados, preservando privacidade, governança e requisitos relacionados à IA responsável.
A companhia atua com arquitetura híbrida para ambientes em nuvens públicas e privadas e afirma possuir uma das maiores bases globais de dados sob gestão corporativa, atendendo setores como finanças, seguros, mídia, indústria e governo.
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