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Certificados Digitais Codesign – Será que não estamos fornecendo munição aos inimigos?

Certificados Digitais Codesign – Será que não estamos fornecendo munição aos inimigos?

10 de julho de 2015
Encontramos grandes empresas que não protegem seus certificados digitais para assinatura de códigos de forma adequada

Por Eder Alvares P. Souza

Eder Souza

Eder Alvares P. Souza – Co-fundador da eSafer e Colunista do CryptoId

Há poucas semanas a Kaspersky, uma empresa de origem russa, considerada uma das mais importantes empresas de Segurança Eletrônica do mundo, revelou ter sido vitima de um ataque cibernético destinado a espionar seus trabalhos de pesquisa e ate roubar códigos fonte de seus pedidos.

Considerado pela Kaspersky um ataque extremamente sofisticado, e que também teve outros alvos importantes como os participantes das negociações internacionais sobre o programa nuclear do Irã, o mesmo foi chamado de Duqu 2.0 devido a semelhança com o Duqu, já descoberto em 2011.

Um ponto relevante da descoberta foi sobre o modo como parte do código utilizado no ataque conseguiu se camuflar no sistema operacional do alvo e até executar tarefas consideradas restritas e permitidas somente à códigos autorizados.

Isso só foi possível devido ao Duqu 2.0 possuir um driver assinado digitalmente com um certificado digital Authenticode de propriedade da Foxconn e possivelmente furtado.

A Foxconn é uma empresa fabricante de equipamentos eletrônicos para diversas empresas como Apple, Sony, LG, Microsoft, entre outras, e provavelmente utilizava seus certificados digitais para efetuar a assinatura dos drivers desenvolvidos para os produtos fabricados.

A questão principal é que, diversos sistemas operacionais estão confiando nos certificados digitais para autenticar bibliotecas, drivers e até softwares e assim, autorizar a sua execução com privilégios mais elevados.

O uso dos certificados digitais com esse propósito, o de autenticar aplicativos e parte de códigos, já é uma realidade para diversas empresas como para a Apple e o Google, que só permitem a instalação e execução de aplicativos móveis em seus aparelhos se estiverem corretamente assinados.

A Microsoft também adota a mesma técnica para garantir autenticidade de drivers e softwares que precisam de privilégios elevados para executar determinadas tarefas no Windows, e até no mundo Linux, para instalar um software o instalador verifica se o pacote foi assinado corretamente antes de iniciar a instalação, descartando qualquer pacote que apresente problema com a assinatura ou com as chaves utilizadas.

Manter esses certificados digitais e chaves criptográficas protegidas de forma adequada é fundamental para garantir a segurança de todos os participantes dessa cadeia e quando um certificado digital com esse poder é furtado e utilizado de forma inadequada, todos os usuários dessas plataformas correm o risco de pagar e muito caro por isso.

Entretanto, é fácil encontrar empresas que não protegem seus certificados digitais para assinatura de códigos de forma adequada, fornecendo munição a esses atacantes que, com acesso a um desses certificados, poderá assinar e instalar códigos maliciosos que serão reconhecidos como confiáveis pelos sistemas dos usuários.

Proteger e dar acesso somente às pessoas autorizadas para a utilização desses certificados digitais é uma obrigação da empresa proprietária, que pode ter seu certificado digital imediatamente revogado se for comprovado o uso indevido deste, e assim, sofrer impactos na indisponibilidade de seus softwares e até dados a sua imagem.

Com isso, escolher formas apropriadas de proteção, como o uso de estações de trabalho desconectadas da rede corporativa e até o armazenamento das chaves em HSMs para a sua proteção, são fundamentais para garantir que esses certificados digitais não fiquem expostos a riscos como uso ou cópia não autorizada.

A elaboração de uma politica de acesso e uso desses certificados também contribui muito para garantir que somente o time responsável pela atividade de assinatura de códigos utilizem e da forma adequada.

Assim, não deixaremos que uma tecnologia tão importante e que vem para nos proteger no mundo digital, seja utilizada contra nós.

É isso e até a próxima!

Eder Alvares P. Souza

  • Mestre em Engenharia de Software pelo IPT-SP, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV e especialização em Segurança da Informação pelo IBTA e bacharel em Ciências da Computação pela FAC-FITO.
  • Professor do curso de Segurança da Informação do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada e responsável pelo tema Criptografia e Certificação Digital.
  • Atua há quinze anos na área de Tecnologia e Segurança da Informação e atualmente é Diretor Técnico na e-Safer Consultoria.
  • Vivência no desenvolvimento de produtos e implantação de soluções de Segurança e Certificação Digital em empresas de grande porte.
  • Eder é colunista e membro do conselho editorial do Instituto CryptoID.

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