CIN e pessoas desaparecidas foram tema de debate em Brasília, onde a PCGO mostrou como a integração de bases civis amplia a localização de pessoas vulneráveis e o reencontro de famílias
A integração dos bancos de dados civis dos institutos de identificação do Brasil, impulsionada pela Carteira de Identidade Nacional, está ampliando a capacidade do país de localizar pessoas desaparecidas, identificar cidadãos em situação de vulnerabilidade e reconectar famílias.
Esse foi um dos pontos centrais da participação da Polícia Civil de Goiás, por meio da Superintendência de Identificação Humana, na 9ª Reunião das Autoridades Centrais e no Seminário Interinstitucional sobre a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas – PNBPD.
Os eventos ocorreram de 10 a 12 de junho de 2026, em Brasília, e reuniram representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Conselho Nacional de Justiça, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e de instituições ligadas à segurança pública, justiça, assistência social e rede de proteção.
Investigar para proteger
Sob o slogan institucional “PCGO: investigar para proteger”, a Polícia Civil de Goiás tem ampliado a atuação da Superintendência de Identificação Humana em ações que unem investigação, identificação civil e proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Durante o encontro, Antônio Maciel Aguiar Filho, Autoridade Central Estadual da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas em Goiás e presidente do Conadi – Conselho nacional dos dirigentes de órgãos de identificação civil e criminal, participou como palestrante com o tema “Boas práticas na implementação da política de busca e localização de pessoas desaparecidas”.
Identificação humana como política de proteção
Na apresentação, Maciel destacou o trabalho técnico, social e operacional desenvolvido pela Divisão de Política para Pessoas Desaparecidas da Superintendência de Identificação Humana da Polícia Civil de Goiás.
A unidade atua diariamente no atendimento a hospitais, casas de acolhimento e demais instituições que recebem pessoas em situação de vulnerabilidade, muitas vezes sem documentação, sem contato familiar ou sem condições de informar a própria identidade.

Esse trabalho é realizado de forma integrada com agentes sociais, profissionais de saúde, instituições de acolhimento e órgãos da rede de proteção. A atuação conjunta permite identificar civilmente pessoas vulneráveis, localizar familiares e encaminhar cada caso de maneira adequada.
“O trabalho que os institutos de identificação do Brasil realizam na busca e localização de pessoas desaparecidas é fantástico. Isso se deve, sobretudo, ao banco de dados que os institutos têm e que agora, com a CIN, estão sendo integrados”, afirmou Antônio Maciel.
Para ele, a integração promovida pela Carteira de Identidade Nacional representa um avanço operacional importante para os institutos de identificação civil, porque amplia a possibilidade de cruzamento de dados e reduz barreiras entre diferentes bases estaduais.
“Se antes você não conseguia alcançar a identificação dessas pessoas, hoje essa possibilidade é enorme. A gente tem mais facilidade de acesso ao banco de dados e de chegar também aos familiares”, destacou.
CIN amplia o alcance da identificação civil
A Carteira de Identidade Nacional, que adota o CPF como número único de identificação civil, cria uma base mais consistente para a identificação de cidadãos em todo o território nacional.
Para o ecossistema de identidade digital, esse ponto é central. Ao reduzir duplicidades e permitir maior padronização entre unidades da federação, a CIN fortalece não apenas a prevenção a fraudes, mas também políticas públicas que dependem de identificação segura, interoperabilidade e rastreabilidade.
No contexto da busca por pessoas desaparecidas, a identificação civil deixa de ser apenas um procedimento documental e passa a ser uma etapa decisiva para a proteção de direitos.
Pessoas encontradas sem documentos, internadas sem identificação, acolhidas por instituições sociais ou impossibilitadas de informar seus dados podem ser reconhecidas com maior agilidade quando há bases civis mais integradas e processos técnicos bem estruturados.
Segundo Maciel, declarou ao Crypto ID, essa integração tem efeito direto sobre famílias que aguardam informações e sobre pessoas que, sem identificação, permanecem invisíveis para o Estado.
“Com o trabalho em rede, junto aos agentes de saúde e assistentes sociais, nós encurtamos o caminho para essas famílias, dando esperança e dignidade às pessoas que, muitas vezes, são enterradas e inumadas como pessoas ignoradas”, disse Maciel.
Reunião nacional definiu boas práticas e integração entre estados


A 9ª Reunião das Autoridades Centrais, realizada em 10 de junho, teve como foco diretrizes de atuação, qualificação de registros, depuração de passivos e compartilhamento de experiências estaduais.
Goiás esteve entre os estados que apresentaram relatos de boas práticas na implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, instituída pela Lei nº 13.812/2019.
O Seminário Interinstitucional, realizado nos dias 11 e 12 de junho, ampliou o debate técnico e jurídico sobre a política nacional.
A iniciativa reuniu órgãos públicos, especialistas e instituições parceiras para discutir instrumentos de atuação, fluxos de atendimento e mecanismos de cooperação.
Durante os encontros, também foi ressaltado o conjunto de normas e legislações que amparam a atuação da Polícia Civil na implementação da política pública, demonstrando que a busca por desaparecidos exige mais do que investigação policial.
A efetividade das ações depende da integração entre registro, identificação, investigação, saúde, assistência social, justiça e gestão de dados.
“A gente está potencializando operacionalmente os institutos, em parceria com o governo federal, e estamos adiantando um projeto muito interessante de fortalecimento desse setor de identificação civil graças à implementação do projeto da CIN”, afirmou Maciel.
Investigação e identificação precisam atuar juntas
Também participou do evento, representando o Delegado Pedromar Augusto, do Grupo de Investigação de Desaparecidos – GID, a Escrivã de Polícia Janaína Martins.
A presença reforçou a importância da atuação conjunta entre as áreas de investigação e identificação humana no enfrentamento ao desaparecimento de pessoas.
Na prática, a localização de uma pessoa desaparecida pode depender de múltiplos caminhos: boletins de ocorrência qualificados, bases biométricas, registros civis, informações hospitalares, acolhimento social, cruzamento de dados e atuação territorial.
Quando esses elementos operam de forma isolada, o processo se torna mais lento. Quando funcionam em rede, a chance de identificação e localização aumenta.
Para o Crypto ID, a experiência apresentada por Goiás evidencia um ponto essencial: identidade civil, biometria, integração de bases e governança de dados não são apenas temas tecnológicos. São instrumentos de cidadania, segurança pública e proteção humana.
“Essa reunião reúne todas as autoridades centrais estaduais, onde a gente define as melhores práticas e também as formas de fortalecer esse setor, diante de uma realidade tão cruel para as pessoas desaparecidas no Brasil. São cerca de 200 pessoas desaparecidas por dia no país”, completou Antônio Maciel.
Da identidade documental à dignidade humana
A implementação da CIN abre uma nova etapa para a identificação civil no Brasil. Ao mesmo tempo em que o documento fortalece a segurança da identificação do cidadão, também cria condições para políticas públicas mais integradas.
No caso das pessoas desaparecidas, essa integração pode significar a diferença entre a invisibilidade e o reencontro.
A atuação da Superintendência de Identificação Humana da Polícia Civil de Goiás mostra que a identificação civil é uma infraestrutura crítica para o Estado. Ela apoia investigações, protege pessoas vulneráveis, orienta políticas públicas e ajuda a devolver nomes, vínculos familiares e dignidade a quem poderia permanecer sem reconhecimento.
Sobre a Polícia Civil de Goiás
A Polícia Civil de Goiás atua na investigação criminal, na produção de conhecimento técnico e na proteção da sociedade. Por meio da Superintendência de Identificação Humana, desenvolve ações voltadas à identificação civil, à emissão de documentos, à integração de bases e ao apoio a políticas públicas relacionadas à localização e identificação de pessoas.
Glossário
CIN – Carteira de Identidade Nacional: novo documento de identificação civil brasileiro, que utiliza o CPF como número único
PNBPD – Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas: política pública instituída para organizar ações de busca, localização e identificação de pessoas desaparecidas
Autoridade Central Estadual: instância responsável por articular, em cada estado, ações relacionadas à política de busca de pessoas desaparecidas
Identificação humana: conjunto de procedimentos técnicos usados para determinar a identidade de uma pessoa
Pessoa ignorada: expressão usada em contextos institucionais para se referir a pessoa falecida ou encontrada sem identificação conhecida
Interoperabilidade: capacidade de diferentes sistemas e bases de dados trocarem informações de forma segura e estruturada
Depuração de passivos: revisão e qualificação de registros antigos ou pendentes para corrigir, atualizar ou resolver inconsistências.
Identidade é quem você é. Identificação digital é como você prova isso. O Crypto ID trata esses conceitos com distinção técnica desde 2014 e sobre esses temas, você lê aqui!
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