Segundo dia do AUTOCOM Summit reúne líderes do setor para discutir PIX, Open Finance e impacto da IA na jornada de consumo
O segundo dia da AUTOCOM 2026, principal evento de automação comercial e tecnologia para o varejo da América Latina, no Expo Center Norte, em São Paulo, apresentou novidades na área de reforma tributária e meios de pagamento. A feira apresenta soluções que já apontam os próximos passos do setor e reúne executivos, especialistas e entidades em torno de temas como eficiência operacional, integração de sistemas e modernização da gestão.
Uma das inovações em destaque da feira é a emissão de notas fiscais por áudio, solução desenvolvida com objetivo de contribuir com o trabalho em campo, em regiões de pouco acesso à tecnologia, ou auxiliar empresários e funcionários com pouca habilidade com meios eletrônicos. Novidades no campo da biometria são demonstradas, entre elas o uso do sorriso como forma de finalizar um pagamento e também reconhecimento do correntista pela palma de sua mão e veias.
A sustentabilidade é motivo de desenvolvimento de totens construídos à base de garrafas PET recicladas e com certificação verde. A automação também avança em serviços, com plataformas para gestão de clínicas veterinárias, totens para hotelaria que realizam todo o processo de hospedagem e sistemas de lavanderia automatizada já presentes no mercado internacional.
O segundo dia do AUTOCOM Summit 2026 concretizou a posição de importância do Brasil na transformação dos meios de pagamento e reforçou o papel do varejo como campo central dessa inovação. Com o tema “Pagamentos e Inovação: PIX, Open Finance e IA no Varejo Digital”, a programação reuniu executivos, especialistas e empresas para discutir como a integração entre tecnologia, dados e experiência redefinem o setor.
Na abertura, o presidente da AFRAC, Edgard de Castro, destacou a importância da trilha dedicada a meios de pagamento e o papel do ecossistema na construção desse novo cenário. “Estamos cada vez mais integrados, e nada melhor do que reunir especialistas que conhecem profundamente esse cenário para compartilhar conteúdo relevante”, afirmou, ao dar início aos debates.
A discussão ganhou densidade com a participação de Marcos Cavagnoli, diretor de produtos do Bradesco, que posicionou o País como referência global em inovação no setor. “O Brasil hoje é um verdadeiro laboratório de meios de pagamento, com diferentes modelos convivendo de forma dinâmica, do Pix às novas discussões sobre stablecoins“, destacou.
Segundo o executivo, esse ambiente em constante evolução exige não apenas inovação, mas capacidade de adaptação e simplificação. Ele também ressaltou que o avanço dos pagamentos digitais traz novos desafios, principalmente na gestão da informação e na experiência do usuário. “Segurança precisa ser parte intrínseca do produto. Hoje, o cliente compra a segurança junto com a transação“, afirmou.
Ao longo do dia, ficou evidente que o PIX e o Open Finance são pilares dessa transformação. O sistema de pagamentos instantâneos impulsiona novos modelos de negócio e amplia a inclusão financeira, enquanto o Open Finance avança para além da troca de dados e se estrutura como uma plataforma transacional e de serviços, que conecta diferentes atores do mercado.
O impacto dessas mudanças no varejo foi aprofundado no painel sobre facilitadores de pagamento, que reuniu lideranças do setor para discutir regulação, riscos e tendências. Para Antônio Alonso, CEO do Grupo Stafebank, as recentes mudanças regulatórias são fundamentais para o amadurecimento do mercado. “As mudanças eram necessárias. Elas trazem mais transparência, mais segurança e fortalecem todo o ecossistema”, afirmou.
Já Cátia Fachïm, diretora comercial da Bemfacil Digital, destacou o papel contínuo da educação do lojista diante da evolução dos meios de pagamento. “A evolução exige mudança de mentalidade. O desafio de educar o cliente continua sendo essencial para garantir previsibilidade e segurança“, disse.
Encerrando o dia, o debate sobre inteligência artificial trouxe uma visão clara de ruptura na jornada de consumo. De acordo com Cassiano Dias, vice-presidente de serviços para varejo e digital da Mastercard, agentes autônomos já começam a assumir protagonismo nas transações. “A gente já começa a ver agentes que realizam jornadas completas, da busca ao pagamento”, afirmou.
No entanto, Dias alerta para um desafio emergente: a falta de transparência dessas operações. “Hoje, o banco autoriza e o varejo vende, mas ninguém sabe que aquela transação foi feita por um agente“, destaca, ao defender a construção de um ecossistema baseado em transparência, segurança e padronização de protocolos.
A transformação também foi abordada sob a ótica da competição e da experiência do usuário. Para Daniel Navarro, head global de produtos da Getnet, a entrada de novas interfaces baseadas em inteligência artificial deve ampliar significativamente a concorrência.
“Qualquer produto poderá ser acessado por diferentes plataformas, o que aumenta brutalmente a concorrência“, afirmou. Já Eloi Assis, diretor executivo de varejo e distribuição da TOTVS, ressaltou que o diferencial estará na execução. “O desafio está na experiência. Quem entregar uma jornada mais fluida e eficiente vai capturar valor”, disse.
No painel que encerrou a programação, dedicado ao papel da automação comercial diante das novas demandas do varejo, o foco se voltou à transformação do ponto de venda e à integração entre experiência, dados e conformidade regulatória. Para Rogério Alegrucci, CEO da ARIUS, o setor vive uma mudança estrutural na forma de enxergar o PDV.
“Durante muito tempo, o ponto de venda foi visto apenas como ferramenta de compliance e transação. Hoje, ele precisa ser um hub de dados, relacionamento e inteligência para o varejo.” Segundo o executivo, o avanço tecnológico reduziu barreiras regulatórias e abriu espaço para inovação, mas o principal desafio passou a ser estratégico – acompanhar a transformação do comportamento do consumidor.
A evolução do varejo físico também foi destacada por Rafael Mendes, CEO na SW Fast, que ressaltou a aceleração da multicanalidade, especialmente no food service. “O desafio agora é garantir que pagamento, dados e automação sejam transparentes para o usuário, com alta disponibilidade e integração em todos os canais”, afirmou, quando destaca a importância de ecossistemas unificados e seguros para suportar operações de alto volume.
Na mesma linha, Bernardo Rachadel, diretor executivo de tecnologia, produtos e inteligência artificial da Zucchetti, chamou atenção para a revolução impulsionada pela inteligência artificial na automação comercial. “Hoje já é possível realizar uma venda e emitir uma nota fiscal a partir de um simples áudio. Vivemos uma transformação gigantesca na forma como o varejo opera“, disse, ao apontar uma mudança cultural que deve impactar toda a jornada de compra.
A experiência do usuário também foi colocada no centro da inovação. Para Dalton Ocura, CEO e cofundador da Cicclo, o pagamento deixou de ser o diferencial competitivo. “A transação virou commodity. O desafio agora é como entregar a melhor experiência ao usuário, com menos fricção e mais inteligência”, afirmou. Segundo Ocura, o uso de inteligência artificial permite transformar dados em insights acessíveis, especialmente para pequenos empreendedores.
Como síntese, o segundo dia do AUTOCOM Summit evidenciou que o futuro dos pagamentos no Brasil passa pela convergência entre tecnologia, regulação e experiência. Mais do que acompanhar tendências, o mercado brasileiro se posiciona como um dos grandes pilares na construção de um novo modelo de consumo, no qual pagamentos se tornam cada vez mais integrados, inteligentes e invisíveis dentro da jornada do cliente.
Sobre a AFRAC
Fundada em 1987, a AFRAC – Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços representa 90% de toda a cadeia produtiva do setor, incluindo entre seus associados os fabricantes de equipamentos de automação comercial, empresas de software, fabricantes de periféricos, distribuidores e revendas, meios de pagamentos, empresas de suprimentos do segmento de papel e de coleta automática de dados e rádio frequência (AIDC/RFID), além de varejistas e demais canais de distribuição. Mais de 84% das transações B2C e 92% de transações de pagamento passam de alguma forma pelas soluções da AFRAC.
Sobre a Francal Feiras
Maior promotora de eventos de capital nacional do Brasil, a Francal Feiras atua em 15 diferentes setores, conectando a indústria brasileira ao varejo e a importadores dos cinco continentes. Concentra negócios, moda, conhecimento, soluções e serviços para o varejo em total sintonia com as demandas de um setor em constante transformação.
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Eventos que moldam o futuro da confiança digital
Estamos presentes nos principais palcos de tecnologia do Brasil e do mundo. Acreditamos que compartilhar conhecimento é essencial para o fortalecimento do ecossistema. Por isso, nossa cobertura destaca tendências, soluções, especialistas e empresas que lideram essa transformação.
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