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Informática em Saúde: Um Sonho Que Deu Certo, 1986-2016

Informática em Saúde: Um Sonho Que Deu Certo, 1986-2016

28/11/2016

XV Congresso Brasileiro de Informática em Saúde | Goiânia, GO, Brasil – 27-30 Novembro 2016

APRESENTAÇÃO DOS ANAIS

renatomesabbatini

Renato Marcos Endrizzi Sabbatini

Por Renato Marcos Endrizzi Sabbatin*

Informática em Saúde: Um Sonho Que Deu Certo, 1986-2016

Há exatamente 30 anos atrás, a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde era fundada durante o I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde, em Campinas, Estado de São Paulo, que foi realizado no Novotel Campinas, de 19 a 23 de novembro, sob um calor abrasador.

Antes dessa magnífica realização para a época, como veremos, a SBIS era apenas um sonho nas mentes de não mais que 20 pessoas, a maioria oriunda de centros universitários e assistenciais da área médica [1]. Durante o CBIS foi realizada a primeira assembleia geral, que contou com a presença de 26 membros fundadores, listados no site da Sociedade, dos quais muitos ainda são ligados à Sociedade, tendo atingido um grau de senioridade que somente uma história de 30 anos permite.

A ideia de fundar uma associação acadêmica, técnica e científica dedicada a esta crescente e promissora área tinha sido amadurecida em algumas reuniões anteriores, organizadas pelo Ministério da Saúde, e em uma épica viagem de visita a vários centros nos EUA, financiada pela OPAS, graças à iniciativa de Roberto Jaime Rodrigues, que acabou sendo eleito o primeiro presidente da jovem SBIS.

O primeiro Congresso foi uma surpresa para todos, superando todas as expectativas quanto ao número de comunicações livres e participantes. Tivemos 194 trabalhos aceitos, envolvendo 392 autores, e os Anais de Resumos contabilizaram 155 páginas [2]. Compareceram quase 300 pessoas. Foi um espanto, ninguém imaginava que já houvesse tanta gente em tantos lugares trabalhando na área no Brasil. É preciso lembrar aos leitores, principalmente os mais jovens, que em 1986 não existia a Internet ainda, o correio eletrônico era incipiente e usado por muitos poucos, a conectividade era por modem telefônico a 12 kbps, os microcomputadores de 16 bits tinham sido lançados recentemente, tinham no máximo 256 KB de memória e discos de 10 MB, e redes locais eram ainda muito raras! [3]

Comparem isso com os números dos Anais do XV CBIS, que será realizado pela primeira vez em uma cidade do Centro Oeste brasileiro: 407 comunicações livres submetidas, sendo 361 aceitos, e 342 inseridos na programação, de mais de 1.300 autores. Como podem ver, é um volume imenso, excedendo as 400 páginas formatadas em PDF. Até o momento do fechamento da edição destes Anais, tínhamos mais de 500 inscrições confirmadas, mas certamente poderemos esperar mais. Mais importante desta edição do CBIS, no entanto, é o fato de que pela primeira vez na história da Sociedade estamos publicando 115 artigos completos no Journal of Health Informatics, o periódico científico oficial da SBIS, totalizando mais de 1.100 páginas.

Como coordenador geral do I CBIS, tive a honra de escrever o prefácio ao Livro de Resumos, intitulado “Informática em Saúde no Brasil: Perspectivas” [4], cujo parágrafo inicial afirmava:

“Não há dúvida de que 1986 será registrado, na curta história da informática aplicada à saúde no Brasil, como um ano de importantes transformações e progressos. Um ano de importância histórica, portanto. […] As perspectivas são altamente animadoras.“

E terminava assim:

“É preciso incrementar dramaticamente o processo de formação de recursos humanos especializados. É preciso fundar mais centros de excelência em pesquisa e desenvolvimento, e investir mais recursos em sua criação e manutenção. Chegou a nossa vez!“

O otimismo dos fundadores da SBIS era justificado. Progredimos muitíssimo nesses 30 anos. Já ao completarmos 25 anos de fundação, em um excelente congresso eSaúde & PEP 2011, também realizado em Campinas para comemorar a efeméride, ficava claro para mim que

“…podemos afirmar sem medo de errar que a SBIS, bem como a área do saber à qual se dedica, atingiram um grau de maturidade, solidez de caráter e força de presença no cenário nacional e internacional que são verdadeiramente admiráveis.” [5]

A formação de especialistas, embora ainda pequena para um país com as dimensões do Brasil, conta hoje com três cursos de Informática Biomédica em nível de graduação (bacharelado) e vários cursos de pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Um ambicioso programa de fomento à profissionalização, o proTICS, foi estabelecido pela SBIS em 2011 [6], bem como a concessão de um certificado profissional em tecnologias de informação e comunicação, o cpTICS, que desde 2012 realiza exames anualmente, durante os congressos, e certamente o crescimento exponencial que está sendo observado nos recursos humanos envolvidos em informática em saúde e telessaúde terá seus reflexos no crescimento da Sociedade e dos seus Congressos nos próximos anos.

Nossa vez chegou!

* Renato M. E. Sabbatini | Editor-Chefe, Anais do XV CBIS

*Renato Marcos Endrizzi Sabbatini é um biomédico, cientista da computação, professor e administrador brasileiro. É um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde e da Sociedade Brasileira de Céticos e Racionalistas. Wikipédia

Referências

  • Terzi, R.G.G. (Editor): Livro de Resumos do I Congresso Brasileiro de Informática em Saúde. Sociedade Brasileira de Informática em Saúde e Universidade Estadual de Campinas. Campinas, novembro de 1986, 155 pp.

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