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No artigo anterior, foi descrita a Internet profunda, com seus segredos, riscos e ameaças. Neste artigo, abordaremos a ciberespionagem global e a necessidade de inovação na cibersegurança, em seu conceito mais holístico e estratégico, evitando armadilhas dos pontos cegos nas corporações, que muitos executivos de alto nível (C-Level) podem não se interessar em enxergar, mas que episódios recentes os estão obrigando a rever conceitos.

Entre eles, destacam-se as revelações de Edward Snowden sobre o fato de que a NSA e outras agências de inteligência governamentais que formam os “Five Eyes” (EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia) têm agido fora do padrão esperado. Ou seja, coletam e fazem uso massivo da informação que emerge do “big data” gerado pelo mundo cada vez mais digital, tendo como foco não mais somente alvos militares, diplomáticos, de terrorismo ou crime organizado, como esperado. Porém, quebrando este paradigma, obtêm vantagens econômicas e competitivas para seus países, golpeando a privacidade de líderes e órgãos de Estados, empresas e, em última instância, de todos os cidadãos do planeta.

Isto ocorre pela coleta e armazenamento massivo e indiscriminado de posts, e-mails, vídeos, fotografias, áudios, telefonemas e mensagens em provedores de acesso e serviços à Internet e em empresas de telecomunicações. Tive inclusive a oportunidade de acessar parte do material revelado por Snowden, durante entrevistas concedidas ao programa “Fantástico”. Fiquei assombrado com o poderio observado, ainda que na última década já viesse fazendo este tipo de pesquisa para palestras e entrevistas, pela experiência como oficial da Marinha ciberespecialista.

Sempre soube, por exemplo, que celular é um aparelho de espionagem que também faz ligações (mesmo desligado, pode ser usado para escuta clandestina se permanecer com bateria, ao ser ativado velada e remotamente). E que, quando todas as demais barreiras são ultrapassadas, uma criptografia forte se torna o obstáculo extremo para proteção dos dados cibernéticos.

O impacto do caso da NSA / Snowden nos negócios brasileiros foi enorme. Segundo pesquisa da Alvarez & Marsal (A&M), 66% das empresas do país afirmam que o caso tem afetado seu nível de confiança em transações na Internet. Corporações e clientes passaram a ter mais cuidado ao fazer negócios com entidades em que não podem confiar para proteger seus dados de forma eficaz.

Mas não foram somente as agências de espionagem que mudaram o modo de agir. Como se não bastasse essa alteração de paradigma na espionagem global, os hackers também modificaram seus métodos de operação ao longo do tempo, passando do uso de vírus destrutivos bastante ruidosos no passado a acessos remotos acobertados e silenciosos, lançando hoje ataques cada vez mais diversificados, direcionados e especializados.

Neste cenário, o crescimento contínuo de ataques cibernéticos acarreta duas implicações chave. A primeira é que, em dado momento, toda organização se verá diante de uma crise cibernética. Como resultado, todo líder corporativo deve conhecer e assumir os riscos cibernéticos. A segunda, é que há necessidade urgente da organização efetuar mudanças radicais no modelo atual e amplamente aceito de Cibersegurança, baseado em compliance com padrões tradicionais. Esta abordagem, simplesmente, não funciona mais. Para estar preparado para as ameaças cibernéticas emergentes e responder a elas de forma proativa e precisa, as corporações devem desenvolver inteligência das ameaças baseada nas evidências e na consciência situacional.

Neste cenário de novas ameaças, os líderes devem tomar para si a responsabilidade dos riscos cibernéticos de sua empresa. Não é mais suficiente para o CEO simplesmente dizer à equipe de TI: “consertem isso”. Na mesma pesquisa da A&M citada, 52% dos brasileiros entrevistados afirmam que Cibersegurança deve ser preocupação prioritária dos líderes empresariais. No entanto, 28% ainda acha que é uma responsabilidade da TI, o que é um amplo ponto cego. Além disto, 74% das empresas brasileiras afirmam que aumento do orçamento reduzirá nível de risco em Cibersegurança. Porém, este é outro ponto cego: mais dinheiro não é necessariamente a solução, pois antes de se gastar mais, é preciso garantir investimento disponível aplicado em recursos adequados, visando os riscos certos, na hora certa.

Fazer com que a organização esteja preparada para lidar com problemas de cibersegurança não é tarefa fácil e requer iniciativa de toda a organização, que só vem com uma mudança a partir dos altos escalões. Neste contexto, a necessidade de unir negócios e tecnologia exige que a equipe executiva desempenhe um novo papel na intersecção entre tecnologia, negócios e risco, a fim de poder iluminar os pontos cegos existentes. No entanto, 47% das empresas brasileiras, conforme a pesquisa da A&M, afirmam que existe um baixo nível de diálogo entre as equipes de segurança e os líderes empresariais. Os líderes de hoje devem ser preparados para lidar com riscos de tecnologia juntamente com os riscos do negócio, ao invés de deixar os problemas de Cibersegurança sob a responsabilidade do CIO.

Outro ponto cego: 60% das organizações não sentem que têm recursos humanos necessários para se proteger e responder a um ataque. Sem a devida competência, não há defesa cibernética, somente uma ilusão dela, e este é o pior cenário para toda corporação – pensar que está segura, quando de fato não está. Pois, como costumamos afirmar, neste ramo não há espaço para amadores.

Os cenários de ameaças são cada vez mais complexos e não estão apenas correlacionadas à tecnologia, na verdade muitas vezes o uso da tecnologia é parte do problema. Assim, não adianta dispor somente de um bom time técnico, pois há necessidade de envolver toda a corporação de forma holística na defesa cibernética. Como resultado, cresce a importância do CISO para a corporação, que deve ser educado para construir uma estratégia dinâmica e abrangente de Cibersegurança, que una os mundos anteriormente distintos de TI e negócios.

No atual e complexo ambiente operacional, as corporações precisam de um modelo de Cibersegurança inovador e dinâmico. Ao invés de confiar em compliance, elas precisam construir um processo de ciberproteção que se adapte e responda continuamente às suas mudanças, das interfaces com clientes, da cadeia de fornecedores e no universo das ameaças cibernéticas.

Segundo um relatório do Information Security Forum (ISF), nos últimos anos, em muitas organizações a equipe de segurança cibernética tem se concentrado em alinhar a estratégia da função de segurança da informação à do negócio. No entanto, nesta era de espionagem globalizada e de cibercriminosos especializados, isso não é mais suficiente: a crescente dependência do negócio ao ciberespaço colocou uma demanda sobre a função de segurança para definir e executar uma estratégia de segurança da informação que vá mais longe rumo à efetiva integração com o negócio.

A transição do alinhamento para a integração é vital para a função de segurança da informação poder fornecer o que o negócio precisa. Em nosso método, definimos três passos que formam um “círculo virtuoso” para levar às corporações uma estratégia integrada de segurança da informação:

1. Compromisso: pois a função de segurança da informação deve ficar perto do núcleo do negócio e adequadamente representada em fóruns de tomadores de decisões-chave, incluindo o conselho de desenvolvimento da estratégia corporativa.
2. Antecipação: para identificar mudanças no cenário de negócios e ameaças que poderiam comprometer ou aumentar a chance de sucesso do negócio.
3. Resiliência: devido à necessidade de reconhecer que é impossível de se defender contra todos os ataques, mas que o planejamento e preparação podem reduzir o impacto potencial.

Deixamos para o final uma pergunta derradeira, para reflexão do leitor: qual a importância que governos e empresas que lidam com nossos dados utilizem uma estratégia de cibersegurança inovadora, que possa sanar os pontos cegos? Muita gente pensa: “ah, para mim, tanto, faz; vou levando minha vida e esta história não me afeta em nada, não tenho nada a esconder, é problema do governo e das grandes empresas”. Nossa linha de pensamento é que, sem uma adequada estratégia de segurança cibernética, não há privacidade. Sem privacidade, não há liberdade de expressão. E, finalmente, sem liberdade de expressão, não há democracia. E este não é o futuro que sonhamos para nossas próximas gerações, não é mesmo? Queridos leitores, até nosso próximo artigo. Bons ventos!

Sobre Paulo Pagliusi
·         Diretor de Cyber Risk Services na Deloitte;
·         Ph.D. in Information Security – University of London;
·         Mestre em Ciência da Computação pela UNICAMP;
·         Pós-Graduado em Análises de Sistemas, pela PUC – RJ;
·         Vice-Presidente da ISACA (Information Systems Audit and Control Association) Rio de Janeiro;
·         Vice-Presidente da CSABR (Cloud Security Alliance Brasil);
·         Colunista CryptoID.
 

 

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